O Yoga e a Índia entraram na vida de Daisy Rodrigues quase sem ela querer!
por Jornal Alternativo - j.alternativo@uol.com.br


“Ah, os 9 meses na Índia foram uma maravilha. Aulas de Yoga o dia inteiro, morando em Lonavla, no Centro de Yoga Kayvaliadama, num quartinho bem pequeno, banheiro lá fora e sem papel higiênico... muito mais pobreza nas ruas do que hoje – até para comprar leite era complicado, precisava ter senha, porque o leite que havia ficava para as crianças... e nós achamos maravilhosa a experiência... Tanto que foi bem difícil voltar e mais ainda se habituar à vida ‘normal’ no Brasil.”
Estamos conversando com a Daisy, e o nós que ela citou aí em cima refere-se a ela e ao Marcos Rojo. Os dois estudaram Educação Física, ele na USP, ela em Santo André, e se conheceram fazendo cursinho para ser professor estadual. Marcos já fazia Yoga, convidou a Daisy para fazer, ela foi mas sem maior entusiasmo. “Eu gostava de handebol, de correr, de esportes mais fortes... Yoga eu achava assim uma coisa meio parada, mas para idosos... Fiz as aulas com a dona Inês durante um tempo, ainda sem entusiasmo. Decidi parar e aí é que eu percebi a falta que o Yoga me fazia. Voltei, comecei a namorar o Marcos e começamos os dois a dar aulas de Educação Física em colégios estaduais, onde fiquei durante 27 anos, até aposentar.
“Violência na escola? Já havia, o colégio em que eu fiquei mais tempo era na Vila Joaniza, e várias vezes alunos me deram revólver para guardar. E alguns deles me perguntavam ‘quer alguma coisa, professora? Colar, pulseira, brinco, relógio... é só pedir que eu arrumo para a senhora. Não preciso dizer como, não é? Mas a maioria dos alunos e dos pais respeitava muito a figura do professor.
Voltando à Índia. “Aí o Marcos começou a falar em casar e em viajar para a Índia. Só que me parecia que o entusiasmo dele com a viagem era muito maior do que com o casamento. Além disso, eu não tinha nenhuma simpatia para com a Índia. Filha de família batista, claro que as coisas ‘religiosas’ da Índia não me diziam nada e desagradavam muito a minha família. Assim mesmo, casamos e viajamos... e eu adorei a Índia, e o Marcos nem se fala... E eu descobri que o Yoga, que não é religião, ajuda a praticar qualquer religião que você siga e facilita muito a orar mais atenta e concentradamente.
“O duro foi a volta, prossegue Daisy. Nós tínhamos a casa, mas não tínhamos móveis, porque não casamos no religioso (a família do Marcos era católica fervorosa, claro que houve um conflito) e ninguém ia dar presentes para um casal que casava e viajava em seguida para a Índia. Então, nos primeiros meses, a gente viveu meio acampados. Voltamos às aulas de Educação Física e de Yoga (eu dava aulas num quarto em casa!). Aí começaram a nascer os filhos – 4 em 6 anos e meio, e não deu para continuar as aulas de Yoga, só com a Educação Física.
“Quando os filhos cresceram um pouco, voltei às aulas do Yoga e agora estamos no Instituto de Estudos e Pesquisas em Yoga com as aulas práticas, com cursos específicos e o de capacitação, e mais os cursos de pós na FMU e na Gama Filho, e mais as aulas que damos aqui na Palas, eu e o Marcos.”
E a Daisy lembra de mais uma historinha da Índia: “Quando chegou a época das chuvas, as monções, saímos um dia com guarda-chuva, capa, acho que até galocha. Depois de andarmos um pouco, percebemos que havia alguma coisa estranha, todo mundo olhava para nós e ria muito e nós não sabíamos porquê. Até que percebemos que ninguém usava guarda-chuva, muito menos capa. Porque apesar da chuva, o calor é muito forte. Depois dessa, nós também abandonamos capa e guarda-chuva e nos acostumamos a andar na chuva, ficar molhados, que nem indiano de verdade...
Yoga no dia-a-dia

Pergunto para a Daisy se ela e o Marcos conseguem colocar o Yoga na vida diária (porque tem muita gente que faz muitas posturas mas continua estressado, irritado, ansioso, sempre apressado, essas coisas...) E ela responde: “Acho que sim, Roberto. Percebi isso quando uma das filhas, que estava no primeiro ou segundo ano da escola, disse para a professora que ela devia praticar Yoga. A professora quis saber porquê, e ela respondeu: ‘é que a senhora fala muito alto... Acho que o Yoga ajudou bastante na educação dos filhos – dois praticam, dois, não. Empate de dois a dois, mas espero que a gente chegue nos 4 a 0. E o Marcos, em casa, é daquele mesmo jeitão, bem humorado, mais ou menos tranquilo a grande parte do tempo...”
Aí resolvo fazer uma pergunta meio marota: “Pois é, Daisy, fico impressionado com a paciência do Marcos, todo final de aula ele é cercado por um monte de mulheres e alguns poucos homens, todos fazendo perguntas e ele respondendo na maior calma...
E a Daisy responde exatamente o que eu queria saber: “É, eu também acho impressionante a calma dele. E ainda bem que eu não sou ciumenta, já imaginou se fosse? Mas uma de minhas filhas é ciumenta e me cobra quando vê a cena: ‘olha lá, mãe, tem uma moça com a mão no braço dele. Vai lá... Eu dou risada e pronto... também quando tem muitas mulheres em volta não há perigo... problema seria se houvesse uma só... (Daisy, parabéns, você ganhou, você coloca o Yoga no dia-a-dia mesmo!)
A Daisy também é excelente cozinheira na linha indiana. E aprendeu de uma forma muito agradável: “Sempre vieram vários professores indianos para a nossa casa, o dr. Gharote, o dr. Bhole, o dr. Nizar, o Amit Goswami e a Uma Krishnamurti (nossa, que casa bem visitada, hein Marcos?)... Quando eles chegam normalmente já estão viajando há um tempo e estão querendo fazer a comidinha deles... vamos à feira, que eles adoram e onde encontram produtos semelhantes aos indianos. Aí eles cozinham e eu vou olhando e perguntando e acabei aprendendo...
Bom, a conversa está muito boa mas a Daisy precisa dar uma aula, então paramos por aqui. E em homenagem ao fato de a Daisy não ser ciumenta, faço aqui uma fofoca do bem: quando estivemos juntos em Garopaba, uns dois anos atrás, o Marcos me disse um dia que a Daisy, depois de mais de 30 anos de namoro e casamento, continuava sendo a sua mulher ideal. Inclusive fisicamente. Gostou, Daisy?
Serviço: Para conhecer mais sobre o trabalho da Daisy e do Marcos Rojo, sobre o Yoga e sobre o IEPY, veja o site www.marcosrojo.com.br ou ligue para a Fernanda, 11-9860.3490.





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