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:: Wagner Borges :: O Divino Escultor esculpiu nossa imagem-forma na Luz. Sorrindo, Ele disse dentro de cada espírito: "Você ocupará muitas formas na existência, terá vários rostos e corpos, de cores e formatos diferentes, mas a sua verdadeira face é a da Luz"! Porém, o tempo passou, e nos identificamos com as diversas formas, não só físicas, mas, também, com aquelas mentais e emocionais. Passamos a viver e agir nas formas, mas sem sentir o Espírito em nós. Passamos a viver de forma vazia, sem sentido e sem profundidade. Apegamo-nos demais às formas moldadas e condensadas nas energias da natureza, e mesmo quando elas se desgastam, e o seu uso não é mais possível, ficamos meio perdidos, chorando sobre a referência externa com a qual nos identificávamos tanto. Foi por isso que o sábio Jesus disse: "Deixem que os mortos enterrem os seus mortos"! O Rabi estava certo: quem anda com o espírito entorpecido nas ilusões sensoriais do mundo e acha que é só isso que existe, na verdade está morto de raciocínio, percepção e espírito. Confundir a Luz do espírito com a casca abandonada é o mesmo que confundir a roupa com quem a veste. Se é necessário respeitar o invólucro carnal abandonado, pois era morada do espírito em ascensão, é mais necessário, ainda, respeitar o próprio espírito, essência imperecível e dotado de todos os potenciais celestes. E nenhum espírito, em época alguma, jamais foi seguro pelo caixão ou pelo solo onde o seu corpo ficou sendo transformado em outras energias pela generosa Mãe Terra. Aos corpos que ficam na Terra, o nosso muito obrigado, por tudo o que aprendemos por intermédio deles. Porém, somos espíritos com a face da Luz! Somos forma e semelhança da Luz, pois não somos animais vertebrados, somos consciências imperecíveis. Somos a cara de Deus! Não somos brancos, negros, amarelos ou vermelhos. Não somos nem mesmo terrestres, pois qualquer espírito é egresso de outros planos sutis, não-físicos. Portanto, somos extraterrestres, pois terrestres são apenas os corpos que ocupamos temporariamente. SOMOS LUZ! Enquanto os "mortos enterram os seus mortos", os espíritos continuam vivendo além... Os primeiros olham as tumbas e choram a ilusão de suas referências apenas físicas; os últimos olham para as estrelas e alçam vôo para outras paragens. E lá em cima não há nenhum número de tumba como referência, nem esquifes enterrados para alguém se guiar na dor de sua perda ilusória. O que tem mesmo é uma infinidade de espíritos vivos, todos com a cara de Deus! O Divino Escultor esculpiu nossa imagem-forma na Luz. Portanto, façamos jus a essa Luz. SEJAMOS LUZ! QUEM LEVA QUEM? Muitas vezes, nós que estudamos temas espirituais e procuramos fazer algo de bom com esse estudo em nossos pensamentos, sentimentos e energias, costumamos dizer: "Nós levamos a informação espiritual para os outros". Na verdade, é a informação espiritual que nos leva, somos apenas seus canais (e, diga-se de passagem, canais imperfeitos) expressando algumas coisas no mundo. Expressando algo da espiritualidade e tentando crescer com valores que o mundo sequer considera (valores elevados e muitas vezes esquecidos por nós mesmos quando aprontamos alguma tolice, pois estudar temas avançados não significa que sejamos elevados), somos levados por ela a certos momentos conscienciais interessantes e criativos. Levamos a espiritualidade e somos levados por ela, muito mais do que imaginamos. Quando somos levados por ela, geralmente se apresentam alguns desses estados de consciência: - Os olhos brilham muito. - A alegria se apresenta como estado de consciência independente dos fatores que ocorrem no momento. - O amor possui os pensamentos e nos leva a altos vôos pelo céu do coração. - A vontade de crescer aumenta o tesão de viver. - A aura se expande muito e toca as auras de outros com toques de energia estimulante ao progresso e ao bem de todos. - A consciência sente-se ligada a outras consciências sadias, da Terra e de outros planos de manifestação. - Cresce a admiração por todos aqueles homens e mulheres maravilhosos que deixaram mensagens de paz e luz entre os homens. - Também cresce a admiração por todos aqueles homens e mulheres que vivem na Terra e tentam fazer algo bom, mesmo portando defeitos e enfrentando diversas dificuldades, mas se esforçando por gerar climas melhores na existência. - A própria imortalidade permeia a consciência e lhe dá forças para continuar caminhando e apreciando a vida, mesmo sob o impacto da perda de alguém amado. Ela sabe dentro dela mesma. Por isso, não precisa de nenhuma doutrinação espiritual para certificar-se de algo que ela sempre soube em seu coração. - Dentro ou fora do corpo, ela é impelida a estados conscienciais sadios e é incapaz de fazer o mal para alguém. É imperfeita, pois é humana, mas não porta maldade. Enquanto levamos a informação espiritual, também somos levados por ela. E aí, pouco importa quem leva quem, pois o importante em qualquer estudo espiritual é sempre melhorar a lucidez, ampliar o amor e ser parceiro constante da alegria. Resumindo: levando a espiritualidade ou sendo levado por ela, o importante é ser feliz com o que se faz. Paz e Luz. *** NO MEU FUNERAL No dia em que levarem meu corpo morto não penses que meu coração ficará neste mundo. Não chores por mim, nada de gritos e lamentações lembra que a tristeza é mais uma cilada do demônio. Ao ver o cortejo passar, não grites: "ele se foi"! Para mim, será esse o momento do reencontro. E quando me descerem ao túmulo, não digas adeus! A sepultura é o véu diante da reunião no paraíso. Ante a visão do corpo que desce pense em minha ascensão. Que há de errado com o declínio do sol e da lua? O que te parece declínio é tão somente alvorada. E ainda que o túmulo te pareça uma prisão, e é ele que liberta a alma: toda semente que penetra na terra germina. Assim também há de crescer a semente do homem. O balde só se enche de água se desce ao fundo do poço. Por que deveria o José do espírito reclamar do poço em que foi atirado? Fecha a tua boca deste lado e abre-a mais além. Tua canção triunfará no alento do não-lugar. Rumi
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