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:: Elisabeth Cavalcante :: O MEDO DE AMAR É O MEDO DE SER LIVRE O medo de amar é o medo de ser Livre para o que der e vier Livre para sempre estar Onde o justo estiver O medo de amar é o medo de ter que, A todo momento escolher, Com acerto e precisão A melhor direção O sol levantou mais cedo e quis Em nossa casa fechada entrar Pra ficar O medo de amar é não arriscar Esperando que façam por nós o que é nosso dever É recusar o poder O sol despertou mais cedo e secou O medo nos olhos de quem foi ver O sol levantou mais cedo e cegou O medo nos olhos de quem foi ver Tanta luz. (Beto Guedes e Fernando Brant) A letra desta música retrata com grande propriedade um dos maiores medos dos seres humanos: o se entregar plenamente ao amor. Por que, apesar de declararem que desejam ardentemente encontrar sua alma gêmea, a maioria das pessoas tem tanto medo de se entregar plenamente aos sentimentos? Esta é uma questão que surge freqüentemente nas consultas que realizo para leitura do tarô. Durante muito tempo, dizia-se que os homens eram quem mais fugiam dos relacionamentos afetivos, pois tinham grande dificuldade de abrir-se emocional e afetivamente. Entretanto, verifico que muitas mulheres, especialmente as mais jovens, apresentam o mesmo problema. O medo da rejeição, de ser magoado ou enganado pelo outro, de ser tolhido em sua liberdade tem levado muitos homens e mulheres a temer as relações profundas e apenas ficar. Recentemente, uma jovem de 25 anos, muito bonita e independente, veio me procurar para uma consulta ao tarô. Entre outras questões, ela gostaria de saber se o relacionamento do tipo ficar que vinha mantendo há alguns meses com um rapaz, tinha alguma chance de se tornar duradouro. A moça afirmou que estava gostando do rapaz e acreditava que ele estivesse correspondendo, já que havia manifestado o desejo de que se encontrassem mais e inclusive propôs que saíssem naquele final de semana. Mas, ela havia recusado, usando a desculpa de que estaria ocupada com suas aulas e outros afazeres. Quando questionada sobre o motivo de sua recusa em vê-lo, ela respondeu que simplesmente não queria parecer fácil demais. Este é um exemplo típico de atitudes tão comuns nos dias de hoje, onde as pessoas mascaram seus verdadeiros desejos e sentimentos e usam de estratagemas, acreditando que somente desse modo alcançarão a estima e o respeito do outro. Se queria um relacionamento duradouro tanto quanto o rapaz por que ela continuava fugindo e perdendo a oportunidade de viver algo gratificante? Durante a consulta, ela conseguiu tomar consciência desse jogo e entender as verdadeiras razões por trás de seu comportamento: o medo da perda e da rejeição. O medo de ser magoado está na raiz do medo de amar. Para vencê-lo só existe um caminho: a construção de uma auto-confiança e de um amor-próprio tão fortes que sejam capazes de impedir que desabemos diante de uma recusa afetiva. Como diz a musica, o medo de amar é não arriscar, esperando que façam por nós o que é nosso dever, é recusar o poder. Nosso poder, nossas qualidades e talentos são nossa maior arma contra o medo. Se não acreditarmos neles, passaremos a acreditar no que o mundo e os outros querem que acreditemos.
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