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:: Izabel Telles :: No final de semana passada senti em mim a volta de uma certa compulsão para comer. Consultei minha mente e descobri que ela havia sentido a chegada de um certo friozinho e que estava mais do que na hora de armazenar nas minhas células um pouco mais de calorias para a tal provisão milenar que os animais praticam desde que o mundo é mundo. Mesmo assim, pensei. Certo, mente, você está correta, está fazendo o seu papel. Repetindo seu instinto de sobrevivência porque é isso mesmo que você faz. Para o bem e para o mal. Porque no seu território não existe julgamento. E essa sua obstinação de acumular calorias no inverno está repercutindo no meu corpo que já está mais pesado e cansado, correndo o risco de perder a agilidade durante minhas corridinhas no parque do Ibirapuera. Pensei, pensei, que exercício devo fazer para dizer para a minha mente que eu não sou uma formiga faminta que precisa levar para o formigueiro milhares de lascas de pão para poder passar o inverno alimentada. Sei me virar no dia a dia... De mais a mais, já estamos longe da era glacial. E fiz esse exercício: Sentada, de olhos fechados, depois de respirar três vezes, encontrei meu mestre e falei isso com ele. Ele coçou a barba, com uma carinha de quem diz: isso é uma situação um pouco mais difícil porque a mente tem isso guardado dos seus arquivos mais longínquos. Mas vamos ver o que podemos fazer. Descemos então por uma escada em espiral até o último arquivo da mente e vimos lá homens primitivos guardando comida debaixo das pedras. Aproximei-me deles e falei que hoje em dia a coisa está mais fácil e que, por favor, eles parem de acumular alimentos nas minhas células porque eu posso sobreviver com meu próprio esforço diário. Aproveitei e deixei lá um grande sol dourado, um campo fértil para plantação de uma porção de amor e perdão. Voltei, junto com meu mestre pela escada em espiral, agradeci sua ajuda, respirei e abri os olhos. Estou fazendo este exercício três vezes por dia: ao acordar, antes de comer e antes de dormir. Tenho notado que a voracidade está bem mais controlada. Amo vocês. E obrigada Sérgio e Rodolfo por nos abrirem este espaço para que possamos soprar aos quatro ventos as descobertas que vamos fazendo neste laboratório da vida. Amo vocês!
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