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:: Saul Brandalise Jr. :: Estávamos concluindo uma tarefa. Naquele dia as coisas na empresa pareciam adequadamente díspares. Nada dava certo... Os equipamentos apresentavam defeito. A energia oscilava e os computadores sofriam. O correio eletrônico, interno, entrou em pane. Não conseguimos mandar ou receber e-mails. Claro que a energia predominante tornou-se negativa. Podíamos sentir isso até na fisionomia das pessoas. Finalmente chegou o horário do almoço e rapidamente decidimos deixar o escritório. Fora o clima contribuía, de forma decisiva, para ampliar nosso estado negativo. O vento em Florianópolis era sul. As nuvens carregadas deixavam a visibilidade encoberta, não se via o sol... Ufa, que coisa ruim, pensei... Hoje o dia esta terrível... Não percebi, no momento, que eu mesmo ampliava o negativismo. Minha postura potencializava as forças negativas e eu abria espaço para o ruim. Sabemos como deve ser feito e, as vezes, passamos batido, como se diz na gíria... Chegamos na Churrascaria que fica no bairro do Estreito e, quando saímos do carro, o vento parecia ser um grande condutor de ondas negativas. Neste clima iniciamos o nosso almoço. A carne não vinha como nos queríamos. Excessivamente passada ou vermelha em demasia. É incrível como desgraça chama desgraça. Como pensamento negativo atrai ou potencializa mau humor. As brincadeiras do Pereti ou as novas piadas do Herivelto não contribuíam para a mudança. O almoço seguia particularmente raro. Na banana assada faltava canela em pó ... Eu insistia em fazer tudo errado. Pensava na desgraça do dia ... Quando saímos veio a lição: “Um catador de papel, mal trapilho, feliz, seguia sua tarefa. Olhava o interior das lixeiras da região e colhia o que lhe interessava. Em cima se seu carrinho de mão, mistura de “charrete humana com carroça”, estava o seu feliz vira-lata. Um leal cachorro que abanava o rabo todas as vezes que ele se aproximava e colocava papel na carroça. Ao sair o fazia de forma saltitante, como se a natureza executasse alguma valsa ... Sua alegria e felicidade eram contagiantes. Nada no mundo o perturbava. Executava uma das piores missões e tarefas que um ser humano pode ter como missão e, mesmo assim era feliz Na parte traseira da carroça tinha, pintado a mão, com erros de português, a seguinte inscrição: “” Não me siga, também estou perdido.”” Não consegui seguir a sua sugestão: Não me siga, também estou perdido... De nós todos ele era o único que sabia para onde ir... Deus era o seu guia. Ficamos, os três, admirando a cena e Pereti disse: - É, não podemos reclamar ... Nós vemos por aí... Um beijo na sua alma
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