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:: Silvia Malamud :: EMDR - Cura Emocional na máxima velocidade Ana Maria vem ao consultório por indicação de um médico com quem se encontrou num congresso. De imediato, destaca dificuldades identificadas ainda em idade bem precoce quando mal completara 6 anos de vida. Das terapias anteriormente realizadas não alcançou resultados satisfatórios para suas inquietudes. Estimulo-a falar sobre o assunto que a trouxe e confiar naquilo brotado em sua mente nos momentos seguintes, sem quaisquer julgamentos. Ao procurarmos a cura emocional, nosso inconsciente passa a eleger, por associação livre, uma série de pensamentos e lembranças que possuem ligação direta com a situação de conflito, por mais incoerente que por vezes possam se apresentar. Ana Maria refere compulsão por ingerir conteúdos das latas de leite condensado. Teme perder o controle tendo como resultado, além do excesso de peso, neste momento tolerável, possível desenvolvimento de diabetes. São suas maiores crenças e receios. Ao perder o pai muito cedo, sua mãe preocupada com a constante tristeza, decidiu levá-la a uma psicóloga. Lembra-se: tudo começou na sala de espera quando viu uma menininha aparentemente com sua mesma idade na época. Naquele momento, observou a mãe da menininha tentando dar a mesma um conteúdo em um copinho de café. A mãe insistia na alimentação da criança e argumentava ser a mesma muito magrinha, desnutrida. Curiosa, Ana Maria pergunta o que é e pede para experimentar. A mãe diz ser leite condensado oferecendo-o à Ana Maria. A partir deste instante mágico, Ana Maria lembra-se de ter sentido um prazer indescritível ao experimentar o doce. Assim, o estado de tristeza anterior e o desconforto de estar naquele local sumiram inesperadamente Ana Maria, logo depois, sem precisar bem o tempo, pede à mãe para dar-lhe aquele negócio que a menininha estava comendo na sala da psicóloga. A partir dessa data, Ana Maria entra numa rota alucinada de desejos por leite condensado, ingerindo latas e mais latas. Organizando mentalmente estratégias para ocultá-las e, consequência, bebê-las escondida. Em angústia frenética entre o desejo, a compulsão, culpa e pensamentos torturantes negativos sobre possibilidades de adoecimento somados a pensamentos delirantes determinantes para esquecer, por momentos, de tudo, sucumbindo à voracidade compulsiva. Pergunto-lhe como se sentia antes, durante e depois. Ela me revela que era como se não fosse ela, ficava totalmente cega e, só depois de comer, caía em si e se culpava. Estava num círculo vicioso de conduta e reação emocional que a torturava ininterruptamente. Desejava pôr fim a tudo isso, mas com 35 anos duvidava se conseguiria. Fiz perguntas necessárias sobre sua infância, sua vida, projetos futuros e momento atual e, assim, avaliei se Ana Maria poderia se submeter ao tratamento com o EMDR. Algumas ponderações em relação a toda a sua vida mais seu momento atual ocorreram além de alguns insights que lhe sobrevieram. Isso é importante porque EMDR deve ter início depois de um conhecimento e empatia prévio entre terapeuta-paciente. A sua cena de impacto escolhida foi a do consultório, onde Ana Maria acredita ter começado tudo. Durante o reprocessamento do EMDR, como sempre, devido às reações nos hemisférios cerebrais somados ao protocolo de procedimento, inúmeras imagens, pensamentos, sensações e lembranças a acometeram. Varias seqüências importantes certamente auxiliaram-na a chegar onde chegou. Meu propósito é expor algo contundente ocorrido durante este reprocessamento, verdadeiro divisor de águas para a cura da paciente. Depois de bom tempo da sessão e, exatamente quando eu estava a ponto de terminar o EMDR por entendê-lo finalizado, Ana me pede para esperar e silencia. Na seqüência, repentinamente, e um pouco assustada pergunta alto: O que você quer? E continua num diálogo invisível.... Olhe, você está doente, agora consigo te ver, achava que era eu, mas não era só eu... Eu me lembro... Naquele dia do consultório você estava rondando o local... Vejo tudo agora! Eu não sou mais útil a você... Já me curei, estou em paz agora, venha, vou te ajudar, vamos procurar proteção a você, vejo como você está doente e sofrido. Pede ajuda e diz que vê pessoas à espera deste para auxiliá-lo. Diz a ele que pode confiar, que está tudo bem e continua: olhe, eu não vou servir mais para você, agora você tem que se tratar, é hora de ir... Você está livre, vai se cuidar, eu estou livre também... Você precisa do auxílio destes... Ela chora e diz que sente compaixão por aquele ser que está indo embora e se despede... Terminamos a sessão. Ana se diz feliz, mas muito cansada... Revela que tudo aconteceu espontaneamente sem premeditação alguma. Confessa ser difícil de acreditar em tudo o que viu ou fez durante a sessão, mas sente ter ocorrido algo muito sério, sente-se mais leve. Neste momento, de nada serviria uma análise fria e tendenciosa. O que aconteceu na sessão está feito. É certo que ficamos com muitos questionamentos. Resultados: Na semana seguinte, Ana Maria conta que ficou perplexa e não teve nada relacionado à sua compulsão. Na outra semana, falou sobre o desejo de ingerir o leite condensado, porém, não sucumbiu e, a partir da terceira semana, Ana Maria se torna outra pessoa; aliás, é ela mesma. Livre de compulsões e repleta de energia para concretizar seus projetos de vida! O que aconteceu, afinal, durante o EMDR? Despossessão espiritual? Reprocessamento de aspectos emocionais? Seja o que for, o que sabemos é que seu tempo neurológico de absorção total de sua cura foram três semanas. No seu reprocessamento, tudo ocorreu dentro do que se espera em EMDR até chegarmos no grau de perturbação zero. Ocorreram situações relacionadas aos seus aspectos emocionais, às suas lembranças, etc... Mas, somos uma caixinha de surpresas e que bom que todos estes aspectos de Ana Maria colaboraram para a realização eficiente do EMDR e, por conseqüência, para a sua cura emocional na máxima velocidade.
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