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:: Wagner Borges :: No centro da noite, junto com a brisa da madrugada, chega um chamado sutil. Eu escuto-o com o coração... E meus olhos ganham o brilho do infinito, Parte de mim, em espírito, se liga a outros climas, algures, na imensidão da vida... A outra parte, a humana, escreve de improviso o que o coração ordena. E, por entre os planos, com o espírito no ar, e o corpo sentado, o amor vem... Algo desce aqui, e eu me recolho em mim mesmo, com receio de não ser forte. Sim, receio de não aguentar o tranco de tanto amor no meu pequeno coração. Retraído, eu me sinto acariciado pela luz, por dentro, como um afago do Céu. Sem saída, entrego-me ao fluxo desse amor, que vem da nascente do Eterno... E algo acontece: um jorro de luz dourada sobe pela minha coluna, até o coração. Dentro dele, a luz transborda... E surge um rio luminoso, cheio de almas livres... Elas nadam para o infinito, felizes e conscientes, na luz de um Grande Amor. Observando tal espetáculo, sou invadido por uma alegria espontânea. Sinto a liberdade deles em mim mesmo. A alegria deles é a minha. É como um sonho... Elas estão voltando para casa, na luz do Eterno. E eu sinto que há um Poder Maior, magnânimo e sereno, ajudando-as na passagem. Alguém, que é como uma Mãe Sutil, vela pelos sonhos deles, e também pelos meus. Alguém que me acaricia, sem que eu veja, e que viaja junto com as almas livres... Ah, as almas livres estão rindo... E eu olho-as daqui, dentro de mim mesmo. Eu não as invejo, pois sei que cada coisa tem seu tempo. Só fico admirado... Sei que elas fizeram por merecer a liberdade espiritual. Ralaram muito... E eu admiro-as, torcendo para que, quando for a minha hora, eu também esteja rindo. Como agora, quando a Mãe delas faz o rio entrar no infinito, na direção de casa. E, ao mesmo tempo, Ela, que também é minha Mãe, toca o meu coração, e me diz: Obrigada. Seus irmãos estão em casa. Eles passaram pelo seu coração, que é da luz. Saiba que, mesmo na carne, é possível ser livre... Quando a luz guia a jornada. E só reconhece a luz, o que é da luz. É o amor que move a tudo e a todos, sempre... Então, o amor segue... E eu fico aqui pensando no carinho e na grandiosidade d’Ela. Ela, a Mãe das almas livres, que também é minha Mãe, e de todos os seres. Ela, que faz correr o rio das almas, por entre os planos, na luz de um Grande Amor. Ela, que, novamente, fez o meu coração virar rio de luz, e iluminou minha noite. E eu fico aqui, cada vez menor, admirado, e pensando nas almas livres e felizes. E também sonhando em ser como elas, no dia em que a Mãe vier me buscar. Oxalá, quando chegar essa hora, que eu esteja rindo e nadando num rio dourado. Por enquanto, vou rindo por aqui mesmo, pois o que é da luz reconhece a luz. P.S.: No centro da noite, eu oro e agradeço. Penso nas almas livres, e fico feliz demais. A alegria delas é a minha. A liberdade delas é uma inspiração. A Mãe delas também é a minha. E Ela vela por todos nós... Enquanto um Grande Amor embala nossos sonhos. (Dedicado às almas livres, que, por merecimento, voam felizes, por aí...) Paz e Luz. Wagner Borges – seu colega de evolução, cada vez menor diante de um Grande Amor, que não se explica, só se sente... São Paulo, 14 de março de 2009.
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