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Kwanzaa, final de ano à moda pan-africana
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Kwanzaa, final de ano à moda pan-africana
:: Adília Belotti ::


Já falei sobre Maya Angelou. Devo ter falado, sim, porque já até esqueci quantas vezes seu poema, Fenomenal Woman, me ajudou a manter o queixo erguido e o peito aberto...

Maya Angelou é uma grande poetisa americana, mas, sobretudo, é uma mulher que se envolveu nos problemas do seu tempo e conseguiu ser ouvida numa época em que ser mulher, e negra, era, fundamentalmente, calar-se. Nascida em 1928, em St. Louis, no estado de Missouri, dá para imaginar como sua história esta costurada na história dos EUA, e, sobretudo, na história das relações entre negros e brancos, nos EUA.

Foi ela que fez o discurso de posse do ex-presidente Clinton, e, se você observou, ela estava lá ouvindo o discurso do presidente recém-eleito, Obama. E chorou, dizem. Também, pudera!

Pois tudo isso só para você entender porque me entusiasmei ao descobrir que é ela, Maya Angelou, a narradora do documentário The Black Candle, um filme inspirador, sobre famílias, comunidade e cultura negra, tudo girando em torno de uma celebração tipicamente afro-americana: Kwanzaa.

Kwanzaa é uma festa que dura sete dias. O nome Kwanzaa deriva da expressão matunda ya kwanza, que significa primeiros frutos em swahili, a língua mais falada entre as centenas de línguas tribais que existem na África. A festa dos primeiros frutos é típica dos povos ancestrais, a origem do Natal cristão seria uma celebração desse tipo, a festa da vitória da vida contra a morte, da luz contra as trevas, da colheita farta que garantia a continuidade da tribo contra a ameaça da fome e do extermínio. Não é pouca coisa… Na África, segundo leio no site oficial, os rituais associados à colheita existiram no passado e existem ainda hoje: Estas celebrações eram comuns nos tempos antigos, mas também existem hoje, cultivadas por imensos grupos sociais, como os zulus, tanto quanto por pequenos agrupamentos, como os matabelos, os thonga e os lovedus, todos do sudeste do continente africano.

A idéia de criar um feriado pan-africano é atribuída a um professor de estudos africanos da Universidade da Califórnia, Maulana Karenga, num tempo difícil, que ficou conhecido como o movimento pelos direitos civis americanos, mas que durou mais de uma década, teve ares de guerra civil e virou a sociedade racista dos EUA literalmente de cabeça para baixo. Kwanzaa foi celebrado pela primeira vez de 26 de dezembro de 1966 a 1 de janeiro de 1967, Martin Luther King seria assassinado um ano mais tarde e os negros americanos brigavam pelo direito de voto.

Suponho que na época tenha sido um grito de protesto e de dor e nem deve ser mera coincidência os dias da festa dos primeiros frutos serem coladinhos no Natal e no Ano-novo, mas hoje, em tempos outros, tempos de Maya Angelou e de Obama, o tom também é outro. E os 7 valores propostos pelo professor Karenga em 1966, Umoja (unidade), Kujichagulia (autodeterminação), Ujima (trabalho coletivo e responsabilidade), Ujamaa (cooperação econômica), Nia (propósito), Kuumba (criatividade) e Imani (fé) convidam à união das famílias, à reverência ao criador e à celebração das bençãos da vida.

Este ano, quem não comemorava, talvez se anime. Estamos longe ainda da igualdade racial, mas devemos estar muito perto, é tempo de celebrar, com certeza!

- Visite o site e assista o trailer do filme, The Black Candle;
- Navegue pelo site oficial do evento.




Adília Belotti é jornalista e mãe de quatro filhos. É editora responsável pelo Delas, o site feminino do portal IG, onde tem uma coluna chamada Fifties. Além disso, cuida do IgEducação e de um site de cultura multimídia, o Arte Digital e também é colunista do Somos Todos UM.
Em 2006 lançou seu primeiro livro: Toques da Alma, clique e confira.
Email: belotti@ig.com


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