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Sexo, Amor, Erotismo e Pornografia - Parte 6
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Sexo, Amor, Erotismo e Pornografia - Parte 6
:: Flávio Gikovate ::


ALGUMAS REFLEXÕES DE ORDEM MORAL

É evidente que se pode também pensar pela rota mais usual e ponderar que a pornografia pode estar estimulando nossos apetites sexuais para além do razoável. E mais, que junto com este eventual aumento do erotismo, estaria sendo libertada também energia agressiva, ou seja, que a pornografia estimularia também a delinqüência, a criminalidade de todo tipo e, principalmente, os crimes de natureza sexual, como é o caso do estupro.
Essa dúvida vem sendo desfeita por meio da análise e observação dos fatos. A verdade é que nunca se conseguiu provar que a pornografia tivesse algum tipo de responsabilidade no aumento ou na diminuição de qualquer crime. Mesmo assim, os argumentos dessa natureza têm sido usados por pessoas denominadas moralistas que consideram esse um bom motivo para ser contra as fantasias eróticas e sua expressão prática.

É difícil pensarmos sobre moral quando estamos refletindo sobre um único indivíduo. Essa questão é essencial quando existe algum tipo de prejuízo imposto indevidamente à outra pessoa. Se não houverem prejudicados, como no caso da pornografia, não poderemos falar em atos criminosos ou imorais. Poderíamos pensar sobre a moral de um modo mais restrito, ligado apenas à saúde física e mental. Por esse raciocínio, seria imoral tudo aquilo que pudesse ser prejudicial para a própria pessoa e moral aquilo que lhe fosse benéfico ou inofensivo. O uso de drogas, por exemplo, poderia ser considerado imoral por causar dano às pessoas que fazem uso delas. As drogas ainda envolvem a questão moral no sentido mais amplo, já comentado, pois existem traficantes que induzem jovens ao seu uso, provocando-lhes óbvios prejuízos.

Ainda do ponto de vista da saúde física e mental, nada se pode falar contra a pornografia, que apenas materializa fantasias eróticas que as pessoas teriam de qualquer modo. Elas ativam as práticas sexuais ou são o alimento para a masturbação e já vai longe o tempo em que os médicos tinham alguma dúvida a respeito de eventuais malefícios da masturbação. Hoje sabemos que ela tem até mesmo um efeito benéfico, relaxando tensões e facilitando a indução do sono, principalmente nos homens.
A verdade é que são muitas as pessoas que vêem no sexo uma importante forma de prazer e estão dispostas a ativá-la ao máximo. Para estas, o material erótico que a indústria produz é uma coisa boa, pois permite que o sexo se exerça mais no domínio da fantasia, o que pode ser vivido com mais segurança, inclusive sem os riscos de adquirir doenças sexualmente transmissíveis. Para aquelas pessoas que preferirem uma vida mais recatada, basta que se abstenha de procurar esse tipo de estímulo.
A verdade é que nunca se conseguiu provar que a pornografia tivesse algum tipo de responsabilidade no aumento ou na diminuição de qualquer crime.

Um outro ângulo da reflexão moral pode ser encaminhado na análise do que seriam as manifestações naturais da nossa sexualidade. Assim, o que é natural é moral e o que é antinatural é imoral. Aí, então, a questão se complica de vez. Sim, pois uma das práticas sexuais mais comuns é a da homossexualidade, o que seria antinatural e, portanto, imoral. A verdade é que não sabemos se a homossexualidade é, de fato, antinatural. Freud, por exemplo, achava que todos nós nascemos com predisposição para práticas homo e heterossexuais, de modo que, de seu ponto de vista, a homossexualidade não seria antinatural.

Acho melhor continuarmos a respeitar apenas o princípio mais geral da moral, segundo o qual há dano – por isso sendo conduta imoral – quando alguma pessoa se prejudica em virtude de atos de terceiros, ou é obrigada a fazer coisas contra sua vontade. Se o ato for inofensivo e de consentimento mútuo, tudo bem. Desse ponto de vista, até mesmo alguns exageros provenientes da associação do sexo com a agressividade, própria do comportamento denominado sadomasoquista, podem ser tolerados, pois são fantasias comuns a muitas pessoas e, na prática, só se dão por consentimento recíproco.

Seria imoral o material pornográfico mostrando o estupro, por exemplo, da mesma forma que é lamentável o uso de crianças em algumas revistas eróticas – crianças não têm condição de consentir ou não. Porém, felizmente, não é o que predomina. No material pornográfico existente, geralmente todo mundo está superfeliz, fazendo sexo por prazer, parecido com as brincadeiras sexuais infantis; tudo é alegre e descompromissado, o que nem sempre ocorre na vida real.




Leia Também:
Sexo, Amor, Erotismo e Pornografia - Parte 5

Flávio Gikovate é médico psicoterapeuta, pioneiro da terapia sexual no Brasil.
Conheça o Instituto de Psicoterapia de São Paulo.
Confira o programa "No Divã do Gikovate" que vai ao ar todos os domingos das 21h às 22h na Rádio CBN (Brasil), respondendo questões formuladas pelo telefone e por e-mail gikovate@cbn.com.br
Email: instituto@flaviogikovate.com.br


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