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:: Izabel Telles :: Ela entrou no meu consultório como se fosse uma árvore sem galhos e sem folhas. Não tinha nenhum movimento, não fazia ruído, nem comunicava nenhuma emoção. Sentou dura na poltrona e eu perguntei: - Qual é o seu pedido? Ela respondeu com seriedade: Minhas amigas querem fazer cirurgia plástica. Eu não quero. Quero fazer uma lobotomia. - E para quê, eu perguntei. Para parar de pensar, ela respondeu. Lobotomia é, de acordo com uma rápida pesquisa no Google, A separação cirúrgica dos lóbulos frontais do cérebro, que se faz em doentes mentais violentos... tornando-os mais mansos. Bem, como não sou médica, o pedido só poderia ter uma porção de sarcasmo ou ironia, porque, se bem entendi, ela queria parar de ter pensamentos recorrentes a ocupar sua mente com demandas desnecessárias e estava usando o forte termo lobotomia no sentido de pedir paz. Acertei em cheio quando traduzi para ela o que ela me pedia! Então convidei esta paciente a imaginar qual seria a foto mental que ela formaria destes pensamentos devoradores. E a imagem era de uma trama cheia de quadradinhos, nozinhos, intersecções que formavam um tecido natural como a juta. Propus que ela pegasse então um pedaço de juta e que escrevesse em cada linha do tecido um pensamento recorrente e quando o tecido estivesse cheio destes pensamentos ela começasse a puxar fio por fio até formar um amontoado de fios no qual ela deveria então atar fogo, jogando as cinzas na água corrente. Pedi a ela que repetisse este ritual três vezes ao dia ou toda vez que fosse capturada por um pensamento repetitivo. Percebi que seus olhos se iluminaram e seu corpo iniciou um movimento de vida. Saiu correndo do consultório cheia de energia e com uma grande esperança de dominar seu mundo agitado, controlador, que não a deixa viver em paz!
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