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:: Rosana Braga :: Outro dia, estava no MSN, conversando com uma amiga mineira, de Belo Horizonte. Ela me contava sobre a relação que vinha tendo com um rapaz há alguns meses. Eu já conhecia a história e vinha constatando uma angústia recorrente nela. O fato é que o tal pretendido aparecia de vez em quando, comportava-se como um verdadeiro Don Juan, mas depois sumia por dias... o que provocava nela o que eu costumo chamar de ‘cara de ué’, ou seja, um ponto de interrogação interno, um ‘não-sei-o-que-faço-agora’ que, geralmente, nos deixa sem rumo... Ansiosa e confusa, ela começou a me falar de como estava se sentindo, como era difícil estar numa relação tão incoerente e como gostaria de esclarecer a situação de uma vez por todas. Contou-me que, quando estavam juntos, ele era carinhoso, atencioso e parecia gostar bastante da companhia dela. Entretanto, se saíam, era porque ela ligava e sugeria um encontro. Nos dias seguintes, porém, ele não dava sinal de vida... ao que ela o procurava e ele rapidamente se manifestava: Poxa, você sumiu. Estou com saudades.... Daí, na tentativa de entender o que é que estava acontecendo, já que ele demonstrava, ao mesmo tempo, interesse e desinteresse, começou a disparar uma série de indagações, cujas respostas provavelmente já vinha tentando descobrir a semanas: - Rô, por que será que ele é tão carinhoso quando está comigo? - Será que gosta mesmo de mim? - E se gosta, por que some depois, não me liga, não me procura? - Será que tem outra? - Será que não tá a fim de namorar ninguém? - Você acha que devo ligar de novo e convidá-lo para sairmos? - Mas pode ser que ele só queira ficar comigo, não é? - O que você acha que ele quer? E enquanto ela disparava suas dúvidas feito atirador com uma metralhadora nas mãos, fiquei pensando em como costumamos alimentar fantasias; no quanto insistimos na idéia – tão equivocada – de que devemos tentar ‘descobrir’ as respostas em vez de fazer as perguntas certas para a pessoa certa! Conversamos com a melhor amiga, o terapeuta, a mãe, o irmão ou com quer que seja que confiemos o suficiente para escancarar toda nossa insegurança diante de uma situação que só pode nos fazer sentir assim: inseguros! Mas não nos atrevemos a conversar justamente com a pessoa cujo comportamento tem nos causado toda essa aflição! E como até aquele momento eu não havia me manifestado, por um simples e óbvio motivo – o de que EU NÃO SEI E NÃO TENHO COMO SABER, já que não conversei com ele – aproveitei a pergunta-chave que ela me fez! Ao indagar: O que você acha que ele quer?, eu imediatamente respondi: - Pergunta pra ele, uai!!! Ela ficou em silêncio por um tempo e depois escreveu: como assim?!? , demonstrando o quanto essa possibilidade de falar clara e diretamente a assustava, a decepcionava e a deixava em pânico... Daí insisti, para provocá-la: - Bem, se você quer saber a verdade, só existe uma maneira – fazendo a ele exatamente todas as perguntas que acabou de me fazer. Porque, afinal, só ele tem as respostas! Mas ela ainda retrucou: mas, Rô, ele pode achar que estou cobrando, querendo uma decisão da parte dele! . Ok, querida, então vamos lá: - E não é exatamente isso que você ta me dizendo que quer saber? Que importa o nome que isso tem – se cobrança, se pergunta, se desejo de entender ou qualquer outra expressão? Agora, se você está com medo de ouvir a resposta, talvez então deva rever sua postura e assumir que prefere ficar na dúvida a correr o risco de ouvir uma verdade que vai doer... A escolha é sua e você tem o direito de querer ficar na dúvida, mas precisa saber qual é a escolha que está fazendo! Depois de outro silêncio, ela escreveu: - Acho que você está certa. Vou pensar melhor no que quero... Pois sugiro que façamos isso sempre. Que fiquemos atentos. E, acima de tudo, que aprendamos a fazer as perguntas certas para a pessoa certa, de forma clara e direta! Porque embora a clareza ainda nos assuste tanto e possa realmente nos machucar, é somente ouvindo-a ou estando cientes de que não desejamos ouvi-la neste momento, que poderemos baixar a ansiedade e parar de sentir tanta angústia diante da dúvida...
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