A vida na dimensão da dualidade faz com que os opostos sejam uma presença permanente em tudo o que experimentamos. Emerson explica muito bem os opostos em seu ensaio Compensação: Encontramos a polaridade ou ação e reação em toda parte da natureza: treva e luz, calor e frio, fluxo e refluxo das marés, masculino e feminino, inspiração e expiração das plantas e animais, gravidade centrífuga e centrípeta. Um dualismo inevitável permeia a natureza, de tal forma que cada coisa é uma metade e supera outra coisa que a torna inteira, como espírito e matéria, homem e mulher, par e ímpar, subjetivo e objetivo, dentro e fora, superior e inferior, movimento e repouso, sim e não. Cada doce tem o seu amargo, cada mal possui o seu bem.
Por isso, o tempo todo surge a necessidade de escolhermos entre dois caminhos: o equilíbrio e a paz ou as ilusões do ego com a angústia inevitável que as acompanham. O I Ching aponta os opostos, assim como sorte e infortúnio, sucesso e fracasso, etc. Também ensina como conciliar esses opostos em nossa vida. As palavras sorte e infortúnio no I Ching referem-se aos bons resultados ao usarmos o inconsciente de maneira certa e às perdas decorrentes ao negarmos a sabedoria que habita em nós.
Se um hexagrama aponta, por exemplo, um padrão de fracasso, cabe a nós nos voltarmos para nosso interior, nosso inconsciente, e entrarmos em harmonia com a Sabedoria Infinita, para que ela nos guie no processo de transmutação dessa energia em seu oposto.
Ao afirmar O sucesso me pertence agora, através do poder da Consciência Superior Infinita, triunfaremos sobre os obstáculos, na medida em que perseverarmos em aderir a essa Presença e Poder que existe em nós e que NUNCA falha.
Desse modo, conciliamos os opostos em nossa mente, pois os pensamentos vêm aos pares. Desviando nossa atenção do pensamento negativo e concentrando-a com firmeza, no positivo, todo nosso poder interior flui para esse ponto focal de atenção e a vitória sobre a negatividade fica assegurada.
É preciso que reconheçamos o valor que existe na oposição. Se não tivéssemos desafios, dificuldades ou problemas, não descobriríamos o Divino em nós. Os opostos em nossa vida permitem-nos aguçar nossos instrumentos mentais e espirituais, pelos quais superamos os obstáculos e conciliamos os opostos, experimentando a alegria da positividade e do equilíbrio. A cada dia é preciso aprender a dizer sim a todas as coisas boas da vida e não a todas as coisas ruins, que tiram a nossa paz.