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:: Osvaldo Shimoda :: ele dirá a si mesmo: Estou morto, ou não? E não poderá determiná-lo. Ele vê seus parentes e circunstantes como os via antes. Ouve inclusive os lamentos. As terríveis ilusões cármicas ainda não aparecem. Tampouco surgiram as horríveis aparições ou experiências causadas pelos Senhores da Morte". - O Livro Tibetano dos mortos. A situação descrita acima a princípio, pode parecer meio assustadora ao leitor, mas retrata a maneira pela qual muitos de meus pacientes vêem a experiência após a morte física em vidas passadas. O Livro Tibetano dos mortos esclarece que o momento pós-morte vai depender do grau de instrução espiritual (adquirido de todo o carma acumulado desta e de outras vidas). Já presenciei pessoas que no momento de sua morte, reúnem seus entes queridos, agradecem por tudo que fizeram por eles, se despedem e vão embora deixando seus corpos. Por outro lado, há outros que para deixarem os seus corpos, seus bens materiais e entes queridos é um drama, um martírio e, evidentemente, todos passam a sofrer porque o apego é muito grande. Mais cedo ou mais tarde, toda criança pergunta: Por que tenho de morrer? E muitos continuarão fazendo essa pergunta a vida inteira. Nossa própria má vontade em lidar com a morte nos leva a uma inconsciente tradição que faz pouco para responder às perguntas - Por que nós morremos? Por que temos que morrer? Como lidar com as perdas dos entes queridos? Como confortar um moribundo em seu leito? Da mesma maneira que pesquisadores buscam indícios da reencarnação, também se empenham em ir atrás de indícios que revelem o que ocorre após a morte física. Desde a década de 50, muitos estudiosos procuram captar comunicações espirituais através de aparelhos eletrônicos - a esse tipo de experiência eles chamam de "transcomunicação". As experiências "próximas da morte clínica", por pacientes em estado de coma ou que tiveram parada cardíaca e que foram reanimados, constituem relatos muito interessantes registrados em livros escritos por pesquisadores sérios e idôneos dentro da comunidade científica. Os mais conhecidos são a Dra. Elizabeth Kubler-Ross, autora do livro "Sobre a Morte e o Morrer" e o Dr. Raymond Moody , autor do livro "Vida depois da Vida". A Dra. Elizabeth Kubler-Ross estudou e acompanhou inúmeros doentes à beira da morte. Ela e sua equipe colheram cerca de 20 mil depoimentos desses pacientes. O paciente flutua e vê de cima o seu corpo deitado na maca ou na mesa cirúrgica sendo reanimado pela equipe médica. Muitos chegam a ver também os parentes conversando aflitos, escutam ruídos estranhos, agradáveis ou não; o espírito percorre um túnel escuro e no final encontram pessoas conhecidas e desconhecidas desencarnadas; deparam-se com um ser de luz que é percebido não apenas como uma luz, mas sim como uma consciência inteligente e passam a reviver os fatos desta e de outras vidas. Todas essas pesquisas vão realmente de encontro com o que os meus pacientes costumam relatar em suas experiências após suas mortes físicas em vidas passadas. No entanto, nem sempre o paciente em regressão consegue visualizar e recordar experiências pós-morte. Quando pergunto o que acontece com ele após sua morte física na vida passada, alguns não se recordam, não visualizam nada. Quando o paciente não consegue entrar nesse "espaço entre vidas", não insisto, pois percebo que só alguns estão preparados para tal. Por outro lado, os que conseguem reviver essa experiência, dizem que é nesse espaço que se programa a nova encarnação, com quem eles vão reencarnar, na próxima vida, que situações que terão de passar e quais as lições que terão de aprender com os seus familiares, amigos e desafetos. Segundo o Dr. Raymond Moody, os pacientes que retornaram dessas experiências de quase-morte, disseram-lhe que mudaram radicalmente o modo de ver a si, os outros e a vida. Alteraram profundamente os seus valores, dando mais importância à vida, às pessoas, à família. Descobriram que a coisa mais importante na vida é aprender a amar, resgatar a capacidade de amar. É o que acontece também com os meus pacientes, após passarem pela TVP (Terapia de Vida Passada). Eles aprenderam a conversar com as suas almas, voltando-se para dentro, para a luz interior, aquela energia infinita capaz de operar milagres.
Mulher de 40 anos, casada, três filhos. Veio ao meu consultório por conta de sua insônia que a atormentava desde a sua adolescência. Ao regredir disse: "Preciso tomar conta desse lugar, vigiar. É um lugar distante, tem muitas árvores, é dentro de uma floresta. Estou me vendo de calças compridas, calço botas. Sou mulher, pele muito branca, sou alta, cabelos curtos, ruiva e olhos azuis. A casa é de madeira. É um lugar muito isolado e neva bastante. Eu tomo conta dessa casa, tenho que ficar atenta. Carrego uma espingarda, pois neste lugar tem bichos grandes (ursos). Mora uma família nesta casa. Eu não posso entrar, fico do lado de fora da casa, tomando conta. Tem um lampião e uma cerca de madeira. Não vejo o portão. Tomo conta à noite, não posso dormir. Nessa casa mora um homem barbudo, uma senhora e três crianças, todas sardentas e branquinhas. Eu moro numa cabana um pouco longe desta casa. Eu moro sozinha, não tenho ninguém. Eu sou uma mulher muito forte, corpulenta e grandona. Eles me colocaram para eu tomar conta daquela casa. Uma carroça traz comida porque esse lugar é muito isolado. Eu tomo bastante café, chocolate quente por causa do frio e para não dormir. De vez em quando a senhora me dá uma tigela com um pouco de sopa para eu não dormir. Aqui à noite, é muito escuro. Eu fico na varanda, tem um banquinho de madeira. Fico sentada, não posso me deitar. Às vezes eu ando de um lado para outro. Eu fico cansada e quando clareia eu posso ir. Depois que a família se levanta, vou embora. Aí vou dormir na minha cabana. Durmo um pouco durante o dia e aí coloco lenha para esquentar água e fazer a minha comida. Essa família me paga em comida". "Meu cabelo está esbranquiçado, não moro mais naquela cabana, estou num quartinho de fundo de uma mercearia. Estou muito velha, doente, não consigo descansar porque tenho muita dor nas juntas. Devo ter por volta de 60 anos. "Eu não quero morrer. Fiquei muito tempo acordada naquele serviço. Eu morri sozinha, ninguém veio me cuidar. Fiquei apodrecendo". Intervalo entre vidas: Subitamente, a paciente me diz que está vendo agora uma muralha muito alta e que fica lá em cima tomando conta. Eu queria sair daqui, fazer coisas diferentes, embora eu goste dos cavalos, de conversar com eles, fazer carinho. Eu não gosto de carregar essa arma, pesa muito e dói os ombros. Não sei porque eles me colocaram como guarda se eu sou magrinho e não sou muito alto. Faltam serviçais e por isso a gente trabalha muito. E quando dormimos somos castigados. Tem um companheiro que eles mataram. Falaram que era um imprestável porque dormiu em serviço. Eu morro de medo de dormir. Eu tenho que ficar esperto e às vezes durmo em pé. Estou com muita raiva desse senhor, não sou livre, queria fugir mas tem muralhas, portão. Um dia os invasores puseram escadas na muralha. A gente atirou e todos foram mortos. Eu estou com uma idéia. Se eles tentaram subir, eu posso descer. Mas não tem corda... Ahi, me acertaram!!! (subitamente a paciente grita, gemendo de dor). Acho que eu vou morrer, eu ia fugir e o guarda me pegou. Bateu na minha cabeça com a sua arma e a estourou. Estou morrendo, não quero morrer. Agora não adianta mais, acabou, morri e me jogaram num buraco, me cobriram de terra". Pergunto-lhe em seguida o que aconteceu após sua morte física? Intervalos entre vidas: Eles me penduraram numa árvore de cabeça para baixo. O que é isso? O que vocês querem? É para eu não dormir?, saí! Bom, agora vou dormir. Eu sou o chefe e posso dormir. Se acontecer alguma coisa o meu imediato vem me contar. Eu vou dormir, estou cansado". No final desta sessão, faço uma correlação dessas duas vidas passadas em que ela não podia dormir e que persistiu mesmo após sua morte física - como a origem verdadeira de sua insônia na vida atual. Pedi para que ela se libertasse deste passado. "Liberte-se completamente desse passado. Conscientize-se que você nasceu novamente, num corpo sadio, perfeito e seu contexto de vida é complemente diferente, hoje você não é solitária, tem marido e filhos, um lar, hoje você é livre, pode dormir à vontade. Ao voltar para o estado Beta (vigília), ela me disse: "Agora, eu só quero dormir". Na sessão seguinte, a paciente comentou sorridente que estava dormindo profundamente, só vindo a acordar na manhã seguinte. Após mais 4 sessões de regressão, demos por encerrado o nosso trabalho.
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