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:: Thais Accioly :: Crianças entre três e seis anos de idade, com comportamento agressivo, muito ativas, que desrespeitam outras crianças e adultos, são nos dias de hoje encontradas com facilidade nas escolas e nas famílias. Certo é que, nesta idade, algumas crianças podem ser mais belicosas, mas os casos aos quais me refiro são aqueles onde elas só conseguem resolver suas questões através de tapas, chutes, mordidas, gritos e frases como essa: Eu odeio você! Essas crianças intoxicam-se com a energia de sua agressividade, tornando-se mais irritadiças, e com isso ficam sujeitas a episódios de dor física, com maior freqüência, como por exemplo: dor de garganta ou dor de cabeça. Outras vezes viram presas fáceis de processos alérgicos ou patologias de pele com muita coceira e escamação. Podem também apresentar dificuldade para dormir, tendo o sono agitado, ou simplesmente não conseguindo desligar. Em comum os pais que trazem seus filhos ao meu consultório de Terapia Floral mostram-se exaustos e impotentes frente aos seus filhos. Oscilando entre o amor, a raiva e a culpa; sentem-se perdidos ao lidar com a agressividade das crianças. Relatam que em alguns momentos agem de forma condescendente, com elas, para em outros instantes agirem de maneira bastante autoritária e agressiva, apresentando grande dificuldade em colocar limites disciplinadores aos quereres infantis. Alguns pais acham que as essências florais irão enfim educar os filhos, ajudando-os a serem normais e adequados. Realmente a Terapia Floral oferece consolo e tratamento para essas crianças. Mas não substitui a função educadora e orientadora dos pais. Por isso, normalmente solicito a eles que também busquem resolver suas questões associadas à autoridade, à culpa, à agressividade e ao papel que desempenham como pais. Um caminho para fortalecer ou resgatar o senso de autoridade passa necessariamente por trabalhar as crenças associadas ao poder (tanto o Humano quanto o Divino). Com relação a essas crenças relacionadas ao poder, podemos ver que a predominante hoje em dia é: tem poder o mais forte, o mais violento e agressivo. Observe-se, por exemplo, a figura dos heróis, que representam o Bem nos filmes e desenhos americanos: como são sempre indestrutíveis, fortes, violentos, destruidores do inimigo, capazes de vencerem sozinhos, movidos por desejo de vingança, por ódio ou por revolta, os maiores vilões. Todavia é interessante notar, do ponto de vista do desenvolvimento humano, que a agressividade é a arma daquele que se sente acuado, impotente, com dificuldade de se impor e de expressar aquilo que sente de forma que o outro o entenda e respeite. Pode-se dizer que a agressividade é uma atitude de defesa, e é, para o ser humano, o recurso do mais fraco, do menos criativo, sendo também a ferramenta dos impulsos vindos do nosso instinto de sobrevivência. Aquele que não amadureceu as emoções e os sentimentos e, que ainda não fez, de maneira eficaz, a jornada do autodescobrimento e da auto-educação lança mão dos instintos para se proteger ou como forma de reagir a um desafio. Aquele, por outro lado, que desenvolve uma certa dose de maturidade e o senso de autoridade pessoal, em situações de crise usa o bom senso, a diplomacia, o respeito, a objetividade, a firmeza, a compaixão, pois sabe exatamente quem é e, qual seu papel naquele momento. Essas crianças, com comportamento muito agressivo, são de forte temperamento, inconformadas com a falta de autoridade que percebem em seus pais. Esta falta de autoridade, expressa através do autoritarismo ou da falta de atitude, é entendida pelas crianças como indiferença, como falta de afeto. Criança precisa receber limites claros e objetivos de seus pais, para se sentirem seguras e, só coloca limites claros e objetivos quem se auto conhece e tem um bom senso de limite pessoal e interpessoal. Quando não fica claro para a criança a autoridade natural dos pais, o que ocorre é que se cria um impedimento ao desenvolvimento sadio de seu próprio senso de autoridade e de poder, que deveriam ser pautados em dignidade, auto-respeito e amorosidade. Nesta fase, dos três aos seis anos, em especial, uma certa dose de agressividade é considerada normal, porque a criança pequena ainda não sabe direito lidar com suas emoções, necessidades, sensações, sentimentos, com sua energia pessoal e ambiental, e nem se expressar de forma a se fazer entender totalmente. Entretanto, mesmo essa agressividade precisa ser orientada e cuidada, para que a criança sinta-se suficientemente segura do afeto dos pais, para reconhecer suas emoções e sentimentos, aprendendo sobre eles e sobre como administra-los. Ignorar a atitude agressiva da criança não é um bom caminho. Tomar atitudes igualmente agressivas para coibir o filho é igualar-se a ele, disputando poder de igual para igual, o que também não dá certo. Contudo, apesar de não haver fórmulas mágicas para curar esta problemática, existem sim, muitos caminhos e alternativas viáveis. No caso dos pais que lidam, cotidianamente, com explosões de raiva de seu filho pequeno, o exercício da autoridade requer que expressem respeito, amor e firmeza; que coloquem limites claros, através de atitudes envoltas em qualidades suaves, nutridoras, disciplinadoras e objetivas. Isto os leva a precisarem adquirir condição de em primeiro lugar entender o que está se passando no mundo interior de seus filhos, que faz com que usem a violência ao invés de outros recursos internos. Após o que podem orientar os seus filhos sobre o que fazer com relação àquilo que está gerando o comportamento agressivo e que pode ser tanto a indignação, o medo, a raiva, a frustração ou a impotência que sentem, para que estas crianças possam aprender a lidar com estes sentimentos. Por outro lado, devem ensinar aquele filho que se sente repleto de animosidade, sobre a raiva, sobre as frustrações inerentes à vida, sobre o perdão, a compreensão, a paciência, o altruísmo, a solidariedade e a fraternidade, sempre através de atitudes firmes e objetivas, pacientes e amorosas, que demonstrem empatia com a dor da pequena criança e ao mesmo tempo disposição em ajudá-la a superar ou conviver com aquilo que lhe incomoda. Lembrando que o processo de educar, de ensinar, de criar laços verdadeiros de afeto e cumplicidade é algo que leva tempo, que não se impõe e nem se consegue através da força, das chantagens ou da manipulação e muito menos através dos excessos do poder. Isto exige pais com disposição para a paternidade e que tenham capacidade de usar o poder de forma amorosa para resolver conflitos, por isso a necessidade de que “trabalhem” suas emoções e seu lado espiritual também. Nesta hora podem fazer uso das essências florais, através de um processo terapêutico, com a ajuda de um terapeuta floral ou não, neste caso, escolhendo para si mesmos as essências de que mais necessitam, a fim de ampliarem e fortalecerem a consciência relativa ao papel de educadores e orientadores; desenvolverem a autoridade pessoal; cuidarem das questões da auto estima, das culpas, dos jogos de poder e agressão. Os pais que conscientemente exercem seu papel, criando vínculos de afeto com seus filhos, abrindo-se para suas crianças, ouvindo-as, percebendo-as e aceitando-as verdadeiramente como são, podem auxilia-las, efetivamente, a tirarem as “máscaras”, neste caso, da agressividade, para que elas possam, sentido-se em segurança, mostrar suas reais fragilidades, seus medos e inseguranças verdadeiros, e assim estarem mais abertas e acessíveis para receber de seus pais o amor, a proteção e o consolo de que necessitam, além da orientação e da educação sobre suas emoções e sentimentos. Crianças que se desenvolvem em ambiente propício ao autoconhecimento e à auto aceitação, onde se sentem, mesmo quando em crise, acolhidas, seguras e amadas, crescem mais felizes, com maior auto-estima e auto-respeito, o que gera sentimentos de profunda gratidão e amor. E isto há de ajuda-las a estarem preparadas para enfrentarem os grandes desafios da vida adulta, fazendo uso de seu repertório de emoções e atitudes com criatividade e mais sabedoria.
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