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Almas g√™meas e o Mito do Andr√≥gino  

Almas gêmeas e o Mito do Andrógino


:: Adília Belotti ::

Não tem mesmo jeito. No fundo, no fundo, todos nós nutrimos a fantasia de que em algum lugar deste pequeno planeta alguém está esperando, olhando para o mesmo céu e, sem nem saber que a gente existe, pensando em nós...

A cara metade. A alma gêmea. O pedaço de mim. Quem é este Outro que deveria nos completar? E por que, apesar dos nossos esforços, ele parece sempre resistir. Sempre um pouco adiante, mais longe e mais longe... sempre tão Outro, tão distante de mim.

‚ÄúA vida √© a arte do encontro‚ÄĚ, dizia o poeta, antes de concluir, ‚Äúembora haja tanto desencontro pela vida‚ÄĚ.

O que ser√° que a gente espera deste encontro? A julgar pelo que dizem os mitos, as lendas, as can√ß√Ķes, os poemas e as not√≠cias de jornal, queremos tudo. Nada menos do que a plenitude, nem uma migalha faltando para nos sentirmos completos, inteiros e justificados...

Voc√™ conhece o Mito do Andr√≥gino? Est√° no Banquete, do fil√≥sofo grego Plat√£o. Vou contar a hist√≥ria, mas antes de come√ßar, dois lembretes. N√£o entenda mito como mentira, f√°bula. N√£o. Os mitos s√£o hist√≥rias nascidas da alma coletiva dos seres humanos. Intui√ß√Ķes profundas transformadas pela m√°gica das palavras em contos. E andr√≥gino, mais do que ser um e outro, homem (andros) e mulher (gyno), como a gente em geral pensa, √© ser um s√≥. Andr√≥gino √© o ser quase perfeito porque, assim como os deuses, ele cont√©m em si mesmo todas as oposi√ß√Ķes, ele se basta a si mesmo e, completo e fecundo, d√° a luz a si pr√≥prio. Em muitas mitologias, o primeiro homem era um andr√≥gino, assim como ser√° o √ļltimo de n√≥s.

E, ent√£o, l√° vai a hist√≥ria. No in√≠cio, a ra√ßa dos homens n√£o era como hoje. Era diferente. N√£o havia dois sexos, mas tr√™s: homem, mulher e a uni√£o dos dois. E esses seres tinham um nome que expressava bem essa sua natureza e hoje perdeu seu significado: Andr√≥gino. Al√©m disso, essa criatura primordial era redonda: suas costas e seus lados formavam um c√≠rculo e ela possu√≠a quatro m√£os, quatro p√©s e uma cabe√ßa com duas faces exatamente iguais, cada uma olhando numa dire√ß√£o, pousada num pesco√ßo redondo. A criatura podia andar ereta, como os seres humanos fazem, para frente e para tr√°s. Mas podia tamb√©m rolar e rolar sobre seus quatro bra√ßos e quatro pernas, cobrindo grandes dist√Ęncias, veloz como um raio de luz. Eram redondos porque redondos eram seus pais: o homem era filho do Sol. A mulher, da Terra. E o par, um filhote da Lua.

Sua força era extraordinária e seu poder, imenso. E isso tornou-os ambiciosos. E quiseram desafiar os deuses. Foram eles que ousaram escalar o Olimpo, a montanha onde vivem os imortais. O que deviam fazer os deuses reunidos no conselho celeste? Aniquilar as criaturas? Mas como ficar sem os sacrifícios, as homenagens, a adoração? Por outro lado, tal insolência era perfeitamente intolerável. Então...

O Grande Zeus rugiu: Deixem que vivam. Tenho um plano para deix√°-los mais humildes e diminuir seu orgulho. Vou cort√°-los ao meio e faz√™-los andar sobre duas pernas. Isso com certeza ir√° diminuir sua for√ßa, al√©m de ter a vantagem de aumentar seu n√ļmero, o que √© bom para n√≥s. E mal tinha falado, come√ßou a partir as criaturas em dois, como uma ma√ß√£. E, √† medida em que os cortava, Apolo ia virando suas cabe√ßas, para que pudessem contemplar eternamente sua parte amputada. Uma li√ß√£o de humildade. Apolo tamb√©m curou suas feridas, deu forma ao seu tronco e moldou sua barriga, juntando a pele que sobrava no centro, para que eles lembrassem do que haviam sido um dia.

E foi aí que as criaturas começaram a morrer. Morriam de fome e de desespero. Abraçavam-se e deixavam-se ficar assim. E quando uma das partes morria, a outra ficava à deriva, procurando, procurando...

Zeus ficou com pena das criaturas. E teve outra id√©ia. Virou as partes reprodutoras dos seres para a sua nova frente. Antes, eles copulavam com a terra. De agora em diante, se reproduziriam um homem numa mulher. Num abra√ßo. Assim a ra√ßa n√£o morreria e eles descansariam. Poderiam at√© mesmo continuar tocando o neg√≥cio da vida. Com o tempo eles esqueceriam o ocorrido e apenas perceberiam seu desejo. Um desejo jamais inteiramente saciado no ato de amar, porque mesmo derretendo-se no outro pelo espa√ßo de um instante, a alma saberia, ainda que n√£o conseguisse explicar, que seu anseio jamais seria completamente satisfeito. E a saudade da uni√£o perfeita renasceria, nem bem os √ļltimos gemidos do amor se extinguissem.

E esta √© a nossa hist√≥ria. De como um dia fomos um todo, inteiros e plenos. T√£o poderosos que rivaliz√°vamos com os deuses. √Č a hist√≥ria tamb√©m de como um dia, partidos ao meio, viramos dois e aprendemos a sentir saudades. E √© a raz√£o dessa busca sem fim do abra√ßo que nos far√° sentir de novo e uma vez mais, ainda que s√≥ por alguns momentos (quem se importa?), a emo√ß√£o da plenitude que um dia, h√° muito tempo, perdemos.

Não é à toa que aqui e ali, entre os chineses e os hindus, por exemplo, tenham florescido rituais, técnicas e filosofias, cujo objetivo era transformar a energia que nascia deste abraço em energia espiritual e fazer do sexo o caminho para o divino. Algo que, de fato, pudesse preencher o vazio de que somos feitos. Alguma coisa forte o bastante, para nos alçar de novo até o alto da montanha dos deuses. Mas esta história eu conto numa outra vez...




 
 
Adília Belotti é jornalista e mãe de quatro filhos e também é colunista do Somos Todos UM.
Sou apaixonada por livros, pelas idéias, pelas pessoas, não necessariamente nesta ordem...
Em 2006 lançou seu primeiro livro: Toques da Alma, clique e confira.
Email: adiliabelotti@gmail.com
 
 

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