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O significado espiritual do relacionamento  

O significado espiritual do relacionamento


:: Maria Guida ::

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Capítulo 7

Confira a seguir os comentários originais de Maria Guida e Sandra Torres, a magia Floral de Thais Accioly, a Meditação com mandala de Rúbia A. Dantés, e o precioso exercício de Imagens Mentais de Izabel Telles.

O que faz a gente se aproximar de alguém? E o que faz a gente dar continuidade ao contato, se aproximar mais e mais, até ter a sensação de queda em câmara lenta, para dentro e cada vez mais profundamente no interior desse outro, a quem escolhemos, e que quanto mais conhecemos, mais temos vontade de desvendar e compreender?

O que nos dá coragem para aceitar limitações, esclarecer equívocos, reconsiderar opiniões, perdoar e pedir perdão, suavizar a rigidez das atitudes e permanecer abertos, apesar de todas as dificuldades que encontramos pelo caminho.

O que há de tão especial nos olhos de quem amamos? O brilho de nossa própria procura? A luz de nossa esperança. A luz é que vemos de especial naqueles a quem amamos?

Vida é relacionamento, diz o Guia. E diz também que diferentemente do que se acredita, o relacionamento entre homem e mulher é o que mais rico em possibilidades de desenvolvimento espiritual.

Esse relacionamento representa para o ser humano o maior dos desafios, porque o contato com o outro nos coloca em contato com nossos maiores problemas, que, uma vez ativados, podem ser aceitos, compreendidos e, resolvidos.

O guia diz ainda que o responsável pelo relacionamento é sempre a pessoa mais desenvolvida espiritualmente, uma vez que pode ver mais claramente os aspectos que causam a desarmonia entre as partes.

Mas como saber se somos ou não a parte mais evoluídas do relacionamento? Como descobrir qual dos dois é o responsável, ou se estamos no mesmo nível?

Como não temos como saber, o melhor é que aceitemos a responsabilidade, e estejamos cada vez mais dispostos a assumir a responsabilidade pelos encontros e desencontros do coração.

O conto que abaixo se segue foi escrito em 1997. Numa época em que a questão do relacionamento amoroso se tornou especialmente delicada para mim. Eu não conhecia ainda as lições do guia, mas algo me dizia, bem no fundo do meu coração, que o amor humano e a conexão com o eu divino deveriam ter alguma coisa em comum, e que o relacionamento com o ser amado, poderia ser uma ponte ou uma espécie de escada que nos conduz a Deus.

Espero que gostem.

Pequeno eu

Ele falou a palavra mágica e obrigou meus olhos a se recolherem à tigela de arroz. Embora não pudesse vê-lo, eu sentia seu olhar selvagem sobre meus cabelos escuros, descendo pela linha clara da face, até chegar ao colo semidescoberto pelo sári laranja e dourado.

Eu havia terminado a dança dervixe com as meninas, no pátio interno. Ainda havia suor por todo o meu corpo.

A tristeza acumulada em mim nos últimos meses se dissipava agora, diariamente, em umidade e sais, trazida para fora pela dança com as crianças. Essa nova proposta de trabalho, bem diversa daquela que eu vivera até então, estava me transformando em outra pessoa.

O silêncio sussurrado do laboratório, a contenção de movimentos imposta pela posição de pajem, dentro e fora da alcova de um grande sacerdote, era rapidamente substituída pela forma de ser livre, extrovertida, quase irreverente daqueles que expressam tudo o que sentem através dos movimentos do corpo.

Era uma mudança rápida e irreversível, e para deixá-la bem clara para quem duvidasse, até mesmo minha voz se tornara diferente. Agora eu fazia acompanhar os passos sagrados da dança por sons que saíam de mim sem que eu percebesse. Eram gemidos, gritos, sonoras gargalhadas. Uma euforia que subia por meus olhos, em brilhantes labaredas de um fogo róseo e macio.

Muriel não tinha nenhum aprendiz agora. E apesar da falta que eu sentia de suas mãos quentes sobre meu corpo, não via no horizonte novo de meu desenvolvimento, nenhuma maneira de voltar aos dias antigos.

Como os mestres nos dizem sempre, o caminho do discípulo não tem volta, e é aconselhável não olhar para trás.

Proferindo a palavra mágica, Muriel desmentiu os mestres e olhou para trás, demonstrando sua reprovação à nova postura que eu adotava agora.

O silêncio desceu sobre o refeitório como uma lufada de ar gelado.

Dentro das muralhas do tempo havia quem houvesse previsto um retrocesso, um acontecimento trágico entre nós.

De olhos baixos, rosto escondido pelo cabelo em desalinho, senti acordar em mim a memória dos braços dele ao redor da minha cintura, o hálito de mel e folhas, o sândalo dos cabelos.

Perdi o apetite, meu sorriso feliz de dançarina deu lugar ao semblante grave do aprendiz que eu havia sido e não era mais.

Como todo encantador de serpentes, Muriel tinha prazer em exercer seu poder em público.

Levei um momento consultando meu coração. Não o coração que bate e vibra ao sabor das paixões, mas aquele que está além de todas as coisas, o coração que vive no céu, eternamente na presença dos deuses.

Esse coração me aconselhou a deixar sobre a mesa a tigela de arroz inacabada e atravessar o refeitório na direção de Muriel.

Quando cheguei bem junto dele, pousei minha mão direita sobre sua cabeça e comecei a recitar o mantra do perdão.

Ele ergueu para mim uns olhos negros torturados, que pousaram sobre os meus como um gemido. Depois, escondeu o rosto nas dobras do meu sári.

Nenhum dos presentes nos impediu ou condenou. Como prova irrefutável de aprovação e confiança, fomos deixados a sós, no refeitório vazio. Conversamos. Choramos.

Horas depois, a ama me trazia os guizos para a dança cerimonial ao por do sol. Era um claro sinal de que deveríamos nos separar.

Tomei o rosto dele entre as mãos e pousei um beijo leve sobre seus lábios serenos.

Pela primeira vez durante os longos anos de aprendizado, soube que a compaixão é irmã gêmea do verdadeiro amor. E que ela só mostra sua face quando o desejo nos faz capazes de compreensão e coragem.

Muriel também sabia disso, mas essas verdades, mesmo quando gravadas a fogo em nossos corações, podem nos escapar de repente, em momentos de fragilidade e aflição.

Muriel era forte e poderoso, mas era humano. De sua humanidade, todos os companheiros do templo, naquele dia, aprenderam uma lição quase perfeita: a de que uma postura rígida e irrepreensível pode sempre se curvar aos anseios do coração, sem que se quebre nenhum voto.

O pequeno eu, pode, muitas vezes, ser um grande professor.

Maria Guida

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Veja também a interpretação do capítulo 7 por Sandra Torres:

Para falar de relacionamentos não haveria linguagem melhor que a do Pequeno Príncipe...

- Que quer dizer “cativar”?
- É uma coisa muito esquecida.....Significa “criar laços”...
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a sem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim... Mas se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
............
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o princepezinho, a fim de se lembrar.
(Saint Exupéry)

O relacionamento é a aventura mais arriscada que o ser humano empreende.
Relacionar-se é tentar recriar os laços afetivos que foram rompidos pelos medos e frustrações experimentados ao longo da vida e pelos conflitos internos que repousam que nem vulcão, prontos para explodir a qualquer momento.
O relacionamento move o interior, dilata as veias, inquieta, por trazer à lembrança aquilo que ficou inacabado. Porque o objetivo da interação entre as pessoas é justamente religar-se, estabelecer um contato íntimo com o nosso interior e concluir a lapidação interna a fim de que possa emergir o novo Ser.

A convivência é o verdadeiro campo de batalha para vencermos a nós mesmos e desafiar os outros a vencerem a si próprios.
Quando se trata do relacionamento homem X mulher, então, o desafio chega a ser assustador, porque o caminho passa a ser feito numa corda bamba, onde temos que ser verdadeiros acrobatas.

Relacionar-se com intimidade é expor-se totalmente, é deixar à mostra nossas pequenas peculiaridades, às vezes que nem conhecíamos. É revelar toda a nossa ambigüidade humana: ora felizes, ora tristes, ora passivos, ora ativos, ora gentis, ora agressivos; tudo visto com a ótica do outro que em geral é muito crítica. O outro nos olha, inconscientemente, como se fôssemos o protótipo de si próprio e, por isso, se torna impiedoso porque no fundo não se permite errar. Mas é justamente esse embate que nos possibilita, se tomarmos consciência e formos verdadeiramente honestos e ousados, tomar o impulso para a autotransformação e assumir de vez a responsabilidade sobre nós mesmos.

Essa tomada de decisão desencadeia todo um processo harmônico de realização porque, havendo compreensão do real significado do relacionamento, mesmo que um parceiro seja mais desenvolvido espiritualmente que o outro, a interação se faz e a liberdade se estabelece.

Agora, se ambos se afinam no mesmo de nível de crescimento, então o processo de purificação se dá de maneira mais rápida e emocionante. A sintonia é maravilhosa, trazendo-nos profunda satisfação e felicidade!

Mas isso não quer dizer que existam almas gêmeas. Não podem haver metades de um mesmo ser porque assim haveria divisão, dualidade. Haveria também transferência de responsabilidade. Ficaríamos parte de nossa existência aguardando que a nossa outra metade viesse ao nosso encontro nos salvar! E na realidade cósmica não é isso que acontece. Não podemos ficar parados e esperar, porque tudo é movimento, tudo é dinâmico. Os seres se encontram porque há tarefas para realizar juntos, porque já empreenderam em outros momentos jornadas fantásticas em direção à Luz e, neste instante, voltam a se encontrar, porque fortalecidos, estarão aptos a ajudar outros seres a se encaminharem aos mesmos desafios.

Encontramo-nos no outro quando vemos em seus olhos a janela de nossa alma e percebemos que o Todo está ali. Decifrando, então, a chave do Amor, passamos a ver em tudo a imagem de Deus, porque tudo lembra Ele e, em conseqüência, todos os seres: O Sol nos irradia calor e lá está Ele, os céus ficam infinitamente azuis e lá está Ele, vemos uma criança sorrir e lá está Ele, as estrelas brilham no espaço sideral e ele continua lá, porque Ele está em todos os lugares. Quando nos emocionamos por algo belo, é Ele que pulsa em nós, porque é energia pura. Quando perdoamos a nós e aos outros por nossas imperfeições é Ele que realiza essa união. Quando compreendemos o Seu ideal, finalmente, transbordamos de tanta paz.

Por causa desse Amor, entre outras coisas, Deus nos dá a capacidade do recomeço. Não precisamos sair de onde estamos, muito embora o distanciamento físico, para quem está alerto, somente enriqueça a experiência. Ele nos deu a imagem perfeita das coisas para que pudéssemos tentar inúmeras vezes, incansavelmente, fazê-las e refazê-las, até chegarmos ao ponto ideal que é a descoberta de que podemos ser sempre melhores do que somos pois o Amor não tem medida. Ele pode ser sempre engrandecido.

O Amor não é uma coisa limitada que fica fixa na parede, para ser vista e lembrada como útil. O Amor é algo que nos move, nos impulsiona para frente, nos faz arriscar, nos encoraja, nos eleva e, enfim, nos liberta. Então, passamos a ser o próprio Amor, aquilo que já éramos antes, desde o início, como Deus nos fez, mas não tínhamos consciência.

Então, sabendo disso, é urgente que reformulemos a nossa maneira de olhar as coisas, de nos relacionarmos com os nossos semelhantes. É claro que não é uma tarefa fácil, uma vez que o desequilíbrio é enorme nos corações dos homens. Mas não há nada que a força do Amor não possa resgatar, transformar, sublimar. É necessário somente que nos coloquemos à disposição dessa corrente vibratória que é alimentada pela fé verdadeira, essa que toca nosso interior e nos convida a sermos de fato felizes, essa que nos leva, indubitavelmente, a sentir a paz de espírito.

Essa descoberta sobre Deus nos imprime uma responsabilidade: Temos a obrigação única e exclusiva de sermos felizes. É só isso que ele quer de nós!
Então, vamos nos alegrar, vamos festejar, mas não podemos esquecer que tudo tem um preço. Não é que tenhamos que pagar pela nossa alegria, mas para valorizarmos o que Ele nos deu que é a Vida e tudo o que nos rodeia, é preciso que sejamos sempre agradecidos e alertas para as decisões que se fazem necessárias enquanto jogamos esse jogo da vida (que pode e deve ser divertido).

É preciso, para isso, despertar nos corações dos homens as suas necessidades vitais de liberdade e auto-realização e fazê-los entender que é possível chegar à felicidade tão esperada.

É preciso compreender que se não identificarmos as mudanças que devem ser realizadas em nós, viveremos sempre em conflitos pessoais, maquiando a realidade ou culpando os outros pelas nossas insatisfações.

A troca de parceiros, nesse caso, é mera ilusão, pois não há parceiro certo. O companheiro ideal é aquele que está ao nosso lado, que foi-nos dado como dádiva para o nosso despertar!

Às vezes, é uma questão de cativar-se e nos tornarmos responsáveis pelas pessoas que escolhemos para desvendar os mistérios da vida...
Se seguirmos a voz do coração e nunca desistirmos de ouvi-lo, então teremos grandes chances de conhecer a estrada que nos leva à concretização de nossos sonhos e nos perceberemos inteiros em nossas conquistas, independente de estarmos sozinhos ou acompanhados.

Sandra Torres


- Formula de Florais do Cap. 7
Veja clicando aqui o artigo e a Formula Floral sugerida por Thais Accioly


- A meditação sugerida por Rúbia Americano Dantés para o Cap. 7:
"Abro-me para a possibilidade de relacionamentos felizes e harmoniosos".
Para Meditar sobre essa frase, clique aqui


- Exercício de Imagens Mentais do Cap. 7:

Sente num ambiente calmo e tranqüilo. Os pés devem estar firmes no chão, as mãos colocadas sobre as pernas e os olhos fechados do começo ao fim.

Imagine-se olhando de frente para o seu companheiro(a), esposo(a), amante ou a pessoa com a qual V. se relaciona e veja que este relacionamento se passa em vários níveis de troca.

Veja em sua parte sexual uma luz vermelha entrando na parte sexual da outra pessoa, que também emana uma luz vermelha. Confira a luminosidade, a intensidade e as sensações. Se houver algo que incomoda, corrija usando as ferramentas de sua mente.

Faça a mesma coisa com uma luz laranja que invada o umbigo da outra pessoa e confira a luminosidade, a intensidade e as sensações. Se houver algo que incomoda, corrija.
Agora visualize uma luz verde saindo do peito desta pessoa e vice-versa. Confira a luminosidade, a intensidade e as sensações. Se houver algo que incomoda, corrija.
Em seguida uma luz cor azul índigo saindo da garganta e proceda da mesma forma.
Depois uma luz lilás saindo da testa
E por fim uma luz dourada saindo do topo da cabeça... sempre conferindo e corrigindo.

Harmonize todas estas energias para harmonizar o todo.

Respire e abra os olhos.

Izabel Telles



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Maria Guida é
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desde 2002.

Email: mariaguida@gmail.com
 
 

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