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Nossas perguntas sem respostas


por Andrea Pavlovitsch

Quando eu era criança, adorava Indiana Jones. Os filmes dele me fascinavam. Não era só o jeito sexy que ele se livrava das mais sinistras situações, mas a maneira como ele pensava, pesquisava e chegava à verdade. Depois de assistir "Caçadores da Arca Perdida" uma centena de vezes eu decidi: quero ser arqueóloga.

A ideia de investigar o passado me dava até cócegas nos pés. Eu amava história na escola (tirava as médias mais altas do colégio) e nem precisava estudar. Eu só escutava as histórias contadas pela professora e lia tudo com muita, muita atenção. Nesta época, descobri que a única maneira de ir muito bem na escola era assim, interessando-se demais pelo assunto em questão. Hoje, eu traduzo isso para um sonoro "só trabalhe com o que você gosta" ou diga adeus ao sucesso. É mais ou menos isso!

Mas o que eu não gosto, aliás, o que me tira o sono é saber que certas histórias nunca foram contadas. Que nunca saberemos certas coisas que aconteceram na história do mundo, do Brasil. Sempre que a professora chegava a um "isso ninguém sabe" eu pensava: como assim? Então, uma parte da história se perde e fica por isso mesmo? Mas é importante saber isso porque o passado explica quem nós somos hoje. E é nisso que eu acredito, até hoje.

Eu não me tornei arqueóloga ou palenotóloga ou coisa parecida. Mas me tornei um tipo de desbravadora da alma humana. Quando um cliente senta na minha frente, o que preciso pesquisar é onde está o ponto, aquele ponto que mudará tudo. O ponto em que ele foi abandonado. O ponto em que ele entendeu qualquer coisa errada. O ponto da dor, do trauma do passado, da falta de amor que, muitas vezes, uma criança não sabe administrar. E, claro, quando ela não sabe, leva isso como uma verdade para o resto da vida.

Algumas histórias nas nossas vidas são assim. Não adianta investigar porque, muitas vezes, elas nem ao menos estão prontas para serem mostradas. São aquelas palavras que não adiantam ser repetidas. As perguntas que não terão uma resposta. Ou porque a pessoa morreu, ou porque a situação foi há muitos anos, ou porque você sabe que, simplesmente, não adianta mais perguntar.

Algumas respostas simplesmente não existem. Elas são como os tesouros encontrados por Indiana Jones, o cálice sagrado e perdido. E o Santo Graal, como muitas vezes foi colocada por Jung, dentro do estudo da Alquimia, é onde encontramos os pedaços perdidos de nossas almas.

Mas, de um jeito ou de outro, não adianta procurar isso em outras pessoas. Talvez, só precisemos admitir que não, que não nos competia ou compete saber a resposta. Que talvez só o que vemos no presente nos baste para entendermos o que morreu, o que passou, o que não faz mais parte das nossas vidas. A vida é um ciclo eterno de renovação. O tempo todo ela se recicla, deixa o velho e manda entrar o novo. Mas nós, humanos, não somos assim tão capazes e tão atentos a estas mudanças. Apegamo-nos a comportamentos antigos, crenças já ultrapassadas. Deixamos nossa velha mente (sempre ela, a velha que mente) nos dizer o que é certo ou errado. Um processo terapêutico é justamente uma maneira de responder as perguntas por você mesmo, sem precisar de mais ninguém.

Será que ele me amou de verdade? Por que ele não disse a verdade? Por que ela finge que nada aconteceu? Como as coisas realmente aconteceram? Muitos e muitos outros porquês. E algumas vezes precisamos nos desapegar das respostas, para que elas apareçam para nós.

Algumas coisas são compreensíveis. Outras não. Não cabe a nós decidir. Precisamos só que nossa alma faça o seu trabalho e nos leve para frente, sempre no caminho de uma evolução que é impossível de parar. A evolução não pode parar pelas suas respostas mal respondidas. Ou por suas perguntas sem respostas. Simplesmente aceite e siga em frente. Sempre.

Texto revisado

 

por Andrea Pavlovitsch   
Andrea Pavlovitsch é psicoterapeuta, numeróloga e escritora. Para informações sobre atendimentos e para receber artigos pelo e-mail contate andreapavlovitsch@gmail.com
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E-mail:andreapavlovitsch@gmail.com
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