Neuro-psicanálise
Observações desse tipo, que demosntram que o cérebro e a personalidade são inextrincáveis, deixam claro que o objeto de estudo da psicanálise está, de alguma forma, intrinsecamente conectado com o objeto de estudo da neurociência. (pág. 14)
A neurologia tornou-se uma especialidade separada da clínica geral, à medida que foi ficando evidente não apenas que o cérebro - como qualquer outro órgão - estava sujeito às suas próprias patologias especiais, peculiares a seus tecidos, mas também que as lesões em diferentes partes do cérebro produziam uma ampla variedade de diferentes manifestações clínicas. (pág. 18)
É de crucial importância para nós notar que Freud fez essas observações pela primeira vez não em referência à histeria ou a sobre uma síndrome que só tem a possibilidade de ocorrer no contexto de uma lesão cerebral claramente definida. Em outras palavras, essas foram conclusões a que Freud chegou enquanto ainda era tão somente um neurologista. (pág. 22)
Até que isso fosse compreendido, insistia Freud, a psicanálise deveria continuar a investigar e compreender a organização funcional do aparato mental em seus próprios termos, usando [para isso] um método puramente clínico e desprezando sua representação anatômica.
Isso coloca a psicanálise numa relação muito particular com as ciências neurológicas, inserindo seus pressupostos fundamentais e método básico numa tradição sólida dentro da neurologia comportamental, (...) (pág. 26)
(...) Freud trouxe, da neurologia para a psicanálise, um método básico - a saber, o método clínico-descritivo ou método de análise da síndrome, como veio a ser conhecido mais tarde - e uma conceptualização básica de relações cérebro/comportamento - (...) (pág. 27)
(interesse apetitivo é o termo que os neurobiólogos modernos usam para o que chamaríamos de interesse libidinal). (pág. 36)
Do livro: O que é a Neuro-Psicanálise - Karen Kaplan-Solms e Mark Solms -Ed. Terceira Margem - São Paulo, 2004.
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