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Seu dom era de me fazer o bem!  
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Seu dom era de me fazer o bem!

por Flávio Bastos


Considero inesgotável o assunto que se refere a contatos entre indivíduos de distintas dimensões, pois são muitos casos que chegam ao nosso conhecimento, seja pela internet ou por intermédio de pessoas conhecidas. Situação que chama a atenção pela quantidade e intensidade de experiências que estão ocorrendo numa proporção inimaginável para a maioria das pessoas.

Nesta semana mesmo, atendi um caso de uma jovem de quinze anos que está vendo o seu tio que faleceu repentinamente. O mesmo residia ao lado da casa da sobrinha e era uma pessoa bem quista pelos familiares. É um típico caso em que se associam a percepção supra-sensorial da pessoa com a situação de desorientação e apego do espírito. São situações nas quais os espíritos permanecem, por tempo indeterminado, ainda ligados às emanações e sensações da dimensão física. Desta forma, inevitavelmente, entram no campo de percepção de pessoas dotadas de mediunidade.

São casos que exigem muito cuidado por parte de quem atende as pessoas portadoras de sensibilidade especial, à medida que seus relatos não devem ser subestimados ou superestimados. Mas analisados e avaliados conforme a especificidade de cada experiência, que pode trazer implícito em seu conteúdo, o que é imaginação, fantasia da própria pessoa (anímico), e o que representa um autêntico contato interdimensional.

Neste sentido, as pessoas portadoras de percepção supra-sensorial que procuram psicoterapias de abordagem interdimensional, na sua maioria, experimentam um angustiante dilema, ou seja, aquilo que captam pelo sexto sentido é verdadeiro ou é uma alucinação. Por este motivo, aumentam a responsabilidade e a necessidade de conhecimento e de preparo dos profissionais que recebem tais casos em seus consultórios.

Poderíamos exemplificar muitas situações em que ocorrem dúvidas, preocupações e temores no médium e em seus familiares. Porém, exemplificaremos uma situação que é recorrente, pois trata-se das intenções do espírito ao permanecer no ambiente familiar. Presença invisível que não altera a forma de como ele convivia com os familiares antes de seu desaparecimento físico, uma vez que a índole do indivíduo não se altera com a sua morte.

Os médiuns, acima de tudo, estão entre nós para serem aceitos como agentes da paz e agregadores de antigos e novos conhecimentos. Canais abertos para contatos interdimensionais que contribuem com valiosas informações para um mundo em constante transformação. Indivíduos que devem ser estimulados a exercerem os seus dons em benefício do próprio homem.

A seguir, descrevo na íntegra um texto de uma amiga virtual que é portadora de uma sensibilidade especial que poderia estar a serviço da ciência.

AMIGA OCULTA

Hoje reencontrei uma amiga de infância. Fazia tempo que não ouvia a sua voz, nem recebia seu terno afago. Mas foi tão bom reencontrá-la. Senti-me tão querida quanto antes. Ela enxugou minhas lágrimas, mandou-me trocar as vestes e seguir adiante. Lembro que, quando criança, nossas conversas eram outras, aliás, conversávamos pouco. Nossa missão maior era brincar, rir de quase tudo. E, embora ela soubesse dos meus íntimos segredos, jamais ousaríamos tocar nestes assuntos chatos de adulto.

Minerva, este era o seu nome, sempre dizia para não me preocupar tanto com que os adultos faziam de errado, nem para ficar triste com o que as outras crianças achavam de mim. Eu sempre fui a "estranha", a "menina-molenga".

Ninguém entendia porque eu ia para a biblioteca na hora do recreio, nem tampouco entendia porque eu preferia aquelas roupas largas e longas. Além disso, ninguém via Minerva além de mim. Eu até apelidei uma boneca com o seu nome para que ninguém ficasse me fazendo perguntas quando eu conversasse sozinha.

Minerva me fazia tão bem. Ela me dizia coisas tão belas que nunca ouvi de mais ninguém, mas não eram coisas simples, eram coisas grandiosas de um mundo que ainda não pisei, de pessoas que ainda não convivi. Ela sempre me falava de superação e me advertia a ser menos vaidosa: "Você é muito sábia, mas use isso para o bem..."

Foi ela que me disse da África e dos meninos lá de perto de casa, aqueles bem pobrezinhos. Ela disse: "Se não lhe serve mais, dê. Se lhe serve e sobra, porque não dividir com eles?"

Minha amiga foi sempre tão inteligente, bem mais que eu. E ela tinha razão quanto ao valor da vida, se não compartilharmos o que somos, o que temos. E quão pobres somos se mergulharmos num egoísmo e mediocridade de espírito.

Quantas vezes dormimos juntas, principalmente quando eu tinha medo da noite. Era durante a noite que meus medos me assombravam. Minerva ria de mim e dizia: "Não há nada mais poderoso que a Luz!"

Seu dom era o de me fazer o bem, mesmo quando eu me sentia a única pessoa do mundo, num abismo profundamente solitário. Mesmo quando   eu me via a pior pessoa do mundo, quando sentia ou lia os pensamentos dos outros, pensamentos repugnantes, sujos, que pareciam sujar os meus. "Volte menina, vamos brincar", ela dizia e eu esquecia do escuro, do turbilhão e da dor.

Quando nos afastamos? Sinceramente eu não lembro. E olha que eu tenho uma excelente memória. Mas hoje, como presente de Deus, lá estava ela! Minerva, agora eu a vejo novamente, tão linda, alegre e confiante. Minha querida amiga Minerva, agora sim eu a sinto dentro de mim.

OBSERVAÇÃO: a publicação do texto foi autorizado pela autora.



Texto revisado

Publicado em 27/03/2013



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Autor: Flávio Bastos   
Flavio Bastos é criador intuitivo da Psicoterapia Interdimensional (PI) e psicanalista clínico. Outros cursos: Terapia Regressiva Evolutiva, Psicoterapia Reencarnacionista, Terapia Floral, Psicoterapia Holística, Parapsicologia, Capacitação em Dependência Química, Hipnose e Auto-hipnose e Dimensão Espiritual na Psicologia e Psicoterapia. 
E-mail: flaviolgb@terra.com.br
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