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Pontos Cegos e Padrões de Comportamento  
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Pontos Cegos e Padrões de Comportamento

por João Carvalho Neto


Nossos mecanismos psíquicos são tão complexos que, muitas vezes, nos ludibriam sem que percebamos o que fazemos e nem para onde estamos indo. São os chamados pontos cegos que criam padrões de comportamento repetitivos trazendo angústia e prejuízos para o ser humano. Os pontos cegos se fundamentam em nossa falta de autopercepção e autoconhecimento, isto porque passamos a maior parte de nossas vidas mais motivados pelos estímulos exteriores do que nos observando a fim de gerenciarmos melhor nossas emoções e comportamentos.
A frase do frontispício do Templo de Delfos, na Grécia Antiga, e atribuída a Sócrates, já sugeria a importância de uma postura mais meditativa voltada para si mesmo como forma de se atingir a sabedoria que clarifica nossa capacidade de discernir o certo do errado, o que nos convém do que nos é prejudicial: “Homem, conhece-te a ti mesmo”. Mas esses nossos padrões de comportamento que ignoramos podem assumir características patológicas nos mais diversos níveis, desde os catalogados pelas classificações oficiais até os desajustes emocionais que passam como características normais, mas que causam sofrimento e, portanto, também são doentios.

A causa está nas fixações de complexos neuróticos nas estruturas psíquicas, geralmente a partir de traumas da infância ou de vidas passadas. Quando nos vemos frustrados em nossos desejos imaturos, quaisquer que eles possam ser, mas principalmente ligados aos relacionamentos com alta carga afetiva, e não conseguimos elaborar a perda da satisfação desejada, fica fixado um ponto em nossa mente com a demanda desse desejo não realizado, fazendo com que haja uma constante mobilização inconsciente no sentido de resolver aquela situação.

Com isso, passamos a buscar situações com aspectos afetivamente similares aos do acontecimento anterior, desejosos de lhe dar uma nova e mais satisfatória solução. Chamamos a isso, em Psicanálise, de compulsão à repetição.
É assim, só como exemplo, que um filho carente da falta de amor materno ou paterno fica buscando, nos seus relacionamentos, um pai ou uma mãe que queria ter tido, sem perceber que é dominado por esta busca. Ou uma criança que tenha sido reprimida de forma exagerada se torna um adulto agressivo mas não assertivo, já que no fundo é reprimido, mas tenta se sobrepor à autoridade que não conseguiu confrontar no passado naqueles que hoje se submetem a ele. Ou ainda, um guerreiro de uma vida passada que tenha morrido com sentimentos de culpa pelos atos que cometeu e hoje se deixa “vencer” como forma de autopunição e alívio da culpa.

Enfim, são tantas as possibilidades quanto a diversidade da subjetividade humana. As soluções possíveis, quase sempre, dependem de tornar consciente o padrão de comportamento para que ele deixe de atuar à nossa revelia, buscando-se as causas no histórico de vida daquela pessoa onde se originou a frustração motivadora.
Paralelo a isso, pelo fato de a frustração não ter sido elaborada no passado devido à imaturidade do indivíduo, é preciso trazê-lo a um nível mais maduro de consciência, saindo de um egocentrismo que tudo exige como satisfação para uma resiliência que aceita a impermanência da vida e a variabilidade das situações passíveis de frustrar nossos desejos.

Nesse sentido, principalmente, é que vejo a verdadeira humildade como forma de profilaxia dos transtornos mentais, já que nela reside a capacidade de aceitar o que não pode ser mudado, opondo-se ao orgulho que toda forma de satisfação exige para si. E, quando falo em humildade, não me refiro a uma subserviência, já que se faz necessária a pujança de um ego não orgulhoso para transformar aquilo que possa ser modificado. É o que chamamos de elasticidade e força do ego respectivamente.

Na maioria das situações, um alcance dessa magnitude, quando em casos patológicos, só costuma acontecer em processos terapêuticos bem orientados. Contudo, a vida se transforma e age na sua sabedoria. Pode levar muito mais tempo e dor, mas as circunstâncias sofridas dos padrões repetitivos de comportamento acabam nos levando a um despertar, mais cedo ou mais tarde, para o alcance de mais equilíbrio, saúde e felicidade. Mas, se a angústia está se tornando insuportável, é momento de procurar ajuda, já que o psiquismo tem seus próprios limites de resistência.

Texto Revisado




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Autor: João Carvalho Neto   
Psicanalista, Psicopedagogo, Terapeuta Floral, Terapeuta Regressivo, Mestre em Psicanálise, autor da tese "Fatores que influenciam a aprendizagem antes da concepção", autor da tese "Estruturação palingenésica das neuroses", autor do Modelo Teórico para Psicanálise Transpessoal, autor dos livros "Psicanálise da alma" e "Casos de um divã transpessoal 
E-mail: joaoneto@joaocarvalho.com.br
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Publicado em 25/04/2017

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