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O inimigo interior  
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O inimigo interior

por Patricia Marques Barros


Nos últimos tempos eu andava pensando sobre o meu “inimigo interior”… Algum tempo passou… Sabe estes dias em que “algo” está querendo te dizer “alguma coisa”? Pois é… Sincronicidades... Na ocasião eu li um texto de Sri Prem Baba. O mestre ensina o seguinte: “Por mais que haja uma parte consciente dizendo: “eu quero encontrar os meus dons e talentos, eu quero me sentir pertencendo”, eu lhe afirmo que tem uma parte em você, que você ainda não conhece, e que não quer dar nada para ninguém. E se você não enxergar isso, você vai se distanciar cada vez mais do seu coração. É assim é com todo aquele que carrega dentro de si uma ferida aberta. Essa é uma das maneiras que você encontra para manifestar a sua revolta por ter sido machucado um dia: não permitindo que o amor flua através de você, por meio de seus dons e talentos. A corrente de força por trás disso diz algo como: “Você não deu o que eu queria; você não fez o que eu esperava que fizesse e então agora eu também não te dou o meu melhor”. (https://www.sriprembaba.org/pt-pt/blog/como-reconhecer-seus-talentos-e-realizar-seu-proposito-de-vida/)

Isto é estúpido, não é verdade? Podemos dizer que este tipo de atitude é um sinal de ignorância - de falta de autoconhecimento, de desconhecimento de como o Universo funciona. Naquela mesma noite, li alguns textos de Rubia A. Dantés sobre a técnica “peça e receba”. Esta técnica tem a mesma premissa, ou seja, que existe algo em nós que se opõe ao que desejamos. A seguir transcrevo trechos do texto “Peça e Receba”:

“Percebi, claramente, como muitas das vezes em que entregava o controle a Deus era porque eu não acreditava que poderia ter algumas coisas… Percebi que em algum ponto eu me sentia culpada até por querer as coisas... Não ache que isso está errado… O que está errado é quando essa entrega é feita por medo, culpa, crenças de que não merecemos… Existe uma grande diferença entre entregar porque realmente você tem certeza de que o Universo providencia tudo o que é preciso e  entregar a Deus porque no fundo tem uma crença de que não merece, sente-se culpado por querer isso ou aquilo, tem traumas e crenças relacionados a ter sucesso, relacionamentos felizes, uma saúde perfeita, abundância… Quantas coisas nos ensinaram que era pecado?” (http://www.somostodosum.com.br/artigos/espiritualidade/peca-e-receba-11174.html)

Se por acaso você tiver curiosidade para saber mais sobre a técnica Peça e Receba, leia o texto “Peça e Receba Amor e Gratidão”, da mesma autora. (http://somostodosum.ig.com.br/artigos/espiritualidade/peca-e-receba-amor-e-gratidao-11248.html)

Ainda refletindo sobre a questão do “inimigo interior”, cheguei à conclusão de que conceitos como “pulsão de morte”, “masoquismo” e “sombra” na verdade tratam do(s) mesmo(s) aspecto(s) da psiquê. A seguir vou expor resumidamente estes conceitos. Também vou arriscar algumas reflexões.

A seguir transcrevo um trecho de um trabalho de Bruno Henrique Prates Almeida sobre a "pulsão de morte", conceito de Freud (ALMEIDA, Bruno Henrique Prates. Pulsão de Morte: Convergências e Divergências entre Sigmund Freud e Wilhelm Reich. Centro Reichiano, Ctba., 2007. link Acesso em: 19/01/2017):

“A pulsão de morte propriamente dita visa à redução completa das tensões, a um (re)conduzir o ser vivo para um estado inorgânico, que seria a forma mais primitiva do ser: o estado inanimado. Neste ponto, Freud aceita o termo proposto pela psicanalista inglesa Bárbara Low, denominado “Princípio de Nirvana” que designa a tendência do aparelho psíquico a levar a zero a quantidade de excitação nele presente. “Nirvana” é um conceito budista difundido por Schopenhauer no Ocidente e significa “a extinção do desejo humano... um estado de quietude e de felicidade perfeita”(Laplanche e Pontalis, 1999, p. 363-364)”. (http://www.centroreichiano.com.br/artigos/Artigos/ALMEIRA,%20Bruno%20Henrique%20-%20Puls%C3%A3o%20de%20morte.pdf)

Como espiritualista que sou, permito-me discordar de Bárbara Low. Acredito que há em nós, seres humanos, uma ânsia inata pela paz que não é deste mundo, pelo transcendente, pelo amor incondicional, divino… Então acho que não faz sentido equiparar a pulsão de morte ao desejo de chegar ao Nirvana. Acho que o amor e paz são Vida, de uma maneira que nós, pessoas comuns, não podemos concebê-la. A paz é felicidade, de uma maneira muito diferente do que a definimos hoje em dia. O homem moderno é materialista, individualista e equipara felicidade a riqueza, poder, fama, conquistas afetivas... Paz significa aceitar a vida do jeito que é, contentar-se com o que se tem. Esta postura é muito diferente do que constatamos na sociedade moderna e... pode trazer a tão almejada felicidade. Não me entendam mal, acredito que a abundância do Universo é infinita e que não há nada de errado em querer o melhor que a vida tem a oferecer. Mas contentar-se com o que se tem, ser grato(a) abre as portas para a abundância. E é claro que não considero correta a atitude de ter uma ambição desmedida, sem escrúpulos, sem o norteamento da ética. Nos dias de hoje a questão da ética tem sido constantemente abordada, o que é fundamental.

Apesar de ter discordado de Bárbara Low, considero válido o conceito freudiano de "pulsão de morte". Quem sou eu para discordar de Freud? Parece-me que faz sentido considerar a "pulsão de morte" como um impulso do ser humano para fugir do sofrimento. Quando uma pessoa está diante de uma situação muito difícil em vários casos a psiquê busca uma "fuga".Esta fuga pode ser o impulso suicida, o que é muito triste. Claro que existem outros mecanismos de fuga da psiquê... É importante procurarmos aceitar a vida, com os seus aspectos luminosos e obscuros. Acredito que na verdade não existe o mal. O que rotulamos como "negativo" tem uma função, que muitas vezes escapa ao nosso limitado entendimento. "Não existiria luz se não fosse a escuridão", já dizia Lulu Santos. A luz e a escuridão são os dois lados de uma mesma realidade. Acredito que o que vemos como o "mal" é um desiquilíbrio entre o "lado luminoso" e o "lado obscuro" da  Força. (Referência a Star Wars)

Reich discordou de Freud, na medida em que a existência da “pulsão de morte” ou de um masoquismo primário implicaria na inutilidade das intervenções terapêuticas, tendo em vista que o paciente iría resistir à terapia (como de fato acontece em muitos casos) e os esforços do terapeuta seriam em vão. “Se há um instinto biológico profundamente enraizado de permanecer doente e sofrer, então a terapia nada pode fazer!” (Reich, W. ,A Função do Orgasmo, Editora Brasiliense,1927/1995, p. 135)

A seguir transcrevo mais alguns trechos do trabalho já mencionado:

"A famosa “reação terapêutica negativa” foi questionada, pois “permanecia a dúvida de como se devia conceber essa ‘vontade de sofrer’: como uma tendência biológica primária ou como uma formação secundária do organismo psíquico” (Reich, W. Análise do Caráter. São Paulo, Martins Fontes, 1933/2001, p.221). Dentro desse mesmo aspecto, ele mostrou-se indignado e denunciou em sua obra “A Função do Orgasmo” (1927) o fato de que muitos psicanalistas fizeram uso da hipótese para justificar o fracasso terapêutico. Afirmavam alguns, que em certos pacientes, a pulsão de morte era mais forte que a pulsão de vida, o que inviabilizava o progresso na análise. (Reich, W.,A Função do Orgasmo, Editora Brasiliense,1927/1995).

Um dos questionamentos feitos foi sobre o fato de que não havia nenhuma prova convincente de uma pulsão biologicamente determinada que poderia tendenciar o organismo para a autodestruição, ou seja, não havia “uma imutável vontade biológica de sofrer”. (Reich, W. Análise do Caráter. São Paulo, Martins Fontes, 1933/2001, p.216). Em se considerando a visão reichiana, a pulsão de morte é algo secundário, adquirido, e não primário e intrínseco ao ser humano. Reich procurava denunciar a sociologia do sofrimento humano, ou seja, o fato de que havia muitas condições sociais que causavam as neuroses e que estas não tinham sua origem numa vontade biológica de sofrer.

Na questão do masoquismo, ele continuou considerando que este é o sadismo, voltado contra o ego. Seria o impulso agressivo que, inibido pela frustração e pelo medo, se volta contra o sujeito. A agressividade, sim, é intrínseca ao ser humano e, a princípio, não corresponde necessariamente à destruição ou sadismo. “Agressão é a expressão de vida da musculatura e do sistema de movimento (...) é sempre uma tentativa de prover os meios para a satisfação de uma necessidade vital. Assim, a agressão não é um instinto, no sentido estrito da palavra. Consiste mais no meio indispensável de satisfação de todo impulso instintivo”. (Reich, W. ,A Função do Orgasmo, Editora Brasiliense,1927/1995, p. 139).

Estes representantes da frustração, a princípio, são externos (família, por exemplo), porém são posteriormente internalizados (superego) e se tornam o “agente da punição em relação ao ego (consciência). O sentimento de culpa resulta do conflito entre o empenho amoroso e o impulso destrutivo”, destinados ao mesmo objeto. (Reich, W. Análise do Caráter. São Paulo, Martins Fontes, 1933/2001,pp.218-219)

Portanto, não há, para Reich, um masoquismo primário, uma satisfação prazerosa buscada na dor por conseqüência de impulsos inatos e biológicos. Existe uma consideração reichiana demonstrando de maneira clara como esse impulso agressivo inato pode vir a se converter em sadismo: “Se a sexualidade agressiva consiste em uma satisfação negada, a necessidade de satisfazê-la a despeito da negação continua a se fazer sentir. De fato, surge o impulso de experimentar o prazer desejado a qualquer preço. A necessidade de agressão começa a suprimir a necessidade de amar. Se o objetivo do prazer é completamente eliminado, isto é, tornado inconscientemente, impregnado de angústia, então a agressão, que originalmente era apenas um meio, se torna –em si mesma –uma ação relaxadora da tensão. Torna-se agradável como uma expressão de vida, dando assim origem ao sadismo” (Reich, W. ,A Função do Orgasmo, Editora Brasiliense,1927/1995, p. 139). Acredito que tanto o sadismo quanto o masoquismo estão relacionados a traumas de infância, ao sentimento de não ser amado(a)."

É importante tecer algumas considerações sobre o transtorno de personalidade masoquista.

“As pessoas que sofrem de uma perturbação masoquista de personalidade vivem o sofrimento de forma repetitiva nas suas vidas e nas suas relações. Para quem está de fora elas aparentam sujeitar-se sistematicamente a perigos e a maus tratos.

Clinicamente o masoquismo significa que para determinada pessoa certas experiências fundamentais, como a autoestima e a proximidade relacional, tornaram-se intrinsecamente associadas com um sofrimento necessário. Alguns autores e técnicos de saúde mental preferem o termo "autoderrotismo", que retira a conotação sexual do termo (nem todas as pessoas com personalidade masoquista adotam uma sexualidade masoquista) e associa-se menos com a "culpabilização" das vítimas de abuso pelos maus tratos que sofreram.” (http://www.psicronos.pt/artigos/personalidade-masoquista_40.html#sthash.6S34ZP4l.dpuf)

“Porque uma pessoa desenvolve esses padrões de comportamento? As causas deste transtorno de personalidade quase sempre podem ser rastreadas até a primeira infância. Se uma criança teve que lidar com uma rígida disciplina ou uma figura de autoridade ao crescer e esta pessoa sempre deu a entender que ela não merece amor ou que merece sentir dor e ser explorada, então é exatamente nisso que ela vai acreditar ao crescer. Por isso, esta pessoa vai tentar evitar e rejeitar tudo o que traz prazer. Mesmo quando há prazer ele(a) não é capaz de apreciá-lo e é atormentado pela culpa e vergonha”. (http://sulla-salute.com/saude/saude-mental/transtorno-da-personalidade-masoquista.php)

Já Eckhart Tolle, no seu livro “Uma nova consciência”, apresenta o conceito de “corpo de dor”.

“Medo, ansiedade, raiva, ressentimento, tristeza, rancor ou desgosto intenso, ciúme, inveja- tudo isso perturba o fluxo da energia pelo corpo, afeta o coração, o sistema imunológico, a digestão, a produção de hormônios, e assim por diante. Até mesmo a medicina tradicional, que ainda sabe muito pouco sobre como o ego funciona, está começando a reconhecer a ligação entre os estados emocionais negativos e as doenças físicas. Uma emoção que prejudica nosso corpo também contamina as pessoas com quem temos contato e, indiretamente, por um processo de reação em cadeia, um incontável número de indivíduos com quem nunca nos encontramos. Existe um termo genérico para todas as emoções negativas: INFELICIDADE.

Por causa da tendência humana de perpetuar emoções antigas, quase todo mundo carrega no seu campo energético um acúmulo de antigas dores emocionais, que chamamos de “corpo de dor”.” (http://www.curaeascensao.com.br/curaquantica_arquivos/curaquantica277.html)

Segundo o autor, o “corpo de dor” tem relação com o ego, sendo que o sofrimento pode fazer parte da noção de identidade que muitos de nós temos. Eckhart Tolle recomenda a prática da meditação para que as pessoas deixem de se identificar com o “corpo de dor” e para que busquem o seu “eu” verdadeiro, sua essência.

É fundamental o conceito de “sombra”, presente no trabalho de Jung.

“Encontramos na sombra os aspectos mais repugnantes de nosso ser, que por não serem aceitos são relegados ao inconsciente. Quanto mais unilaterais formos em olhar apenas paras as qualidades que julgamos ter, tanto mais autônomos ficam os conteúdos sombrios que possuímos, surgindo do inconsciente de onde foram relegados. Para Jung, sombra “é a parte negativa da personalidade, isto é, a soma das propriedades ocultas e desfavoráveis, das funções mal desenvolvidas e dos conteúdos do inconsciente pessoal” (http://psicologiajunguiana.com.br/?page_id=88)

Podemos encontrar nos trabalhos de terapeutas junguianos a recomendação de que devemos abraçar a “sombra”, acolher os aspectos indesejados do nosso “self” e escutar o que têm a dizer. A parte rejeitada de nós mesmos tem uma dádiva a nos oferecer. A raiva contém a energia para reagir à injustiça e tomar iniciativas de maneira positiva. A energia sexual é a própria energia da vida e nos conecta ao outro, é um caminho para o amor e a espiritualidade. E assim por diante… Todo sentimento que rotulamos como “negativo” tem uma função. O desequilíbrio é que na verdade é negativo.

No seu trabalho, Jung também tratou dos arquétipos, que são "conjuntos de “imagens primordiais”, originadas de uma repetição progressiva de uma mesma experiência durante muitas gerações, armazenadas no inconsciente coletivo." (https://oarquetipo.wordpress.com/o-arquetipo/) Um arquétipo importante é o da "bruxa", o feminino negativo. Em seu livro, "A mulher emergente", Mary Elizabeth Marlow apresentou vários aspectos da "bruxa", tais como "a donzela glacial", a "fêmea castradora", a "deusa gritante da guerra" e assim por diante. É importante lembrar que a "bruxa", por exemplo, existe na psiquê e se manifesta em nossas vidas para nos proteger. É claro que nem sempre as nossas defesas psíquicas levam a resultados positivos. Isso nos leva a refletir sobre nossas defesas, o que já é um outro tema.

Não importa se chamarmos o inimigo interior de “sombra”, “corpo de dor”, “masoquismo” ou “pulsão de morte”. Investir no autoconhecimento, na própria autoestima e praticar meditação são caminhos para que seja possível fazer as pazes consigo.

Texto revisado

 

Publicado em 22/01/2017



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