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O Desenvolvimento da Mediunidade

por Guilhermina Batista Cruz


Médium – do latim, médium, meio, intermediário – pessoa que pode servir de intermediária entre os dois planos de vida, entre os ESPÍRITOS e os HOMENS.

A mediunidade é inerente a todos nós, ou seja, todo mundo tem uma certa propensão natural para sentir, sob diferentes formas, o mundo espiritual. A mediunidade, como um mecanismo da vida, surge em toda a parte e em todos os lugares damos e recebemos vibrações e adequamos tais vibrações de acordo com os recursos de que dispomos para sua manifestação. Em todos os setores de nossa vida constituímo-nos em instrumentos das forças a que nos imantamos, de acordo com os sentimentos e vibrações que emitimos, atraindo assim os elementos do invisível com os quais nos afinamos.

No entanto, segundo o que nos diz Allan Kardec, a palavra médium diz respeito somente àquelas pessoas dotadas do poder de efeito físico para a transmissão do pensamento dos espíritos, seja por meio da escrita ou da palavra. São aquelas pessoas que apresentam uma mediunidade ostensiva e que podem produzir algum fenômeno de intercâmbio com o mundo espiritual, seja por meio da psicofonia, da psicografia, da vidência e de várias outras formas com que a mediunidade pode apresentar-se. E esta é a acepção utilizada para designar o termo Médium – aquele que apresenta uma aptidão para servir de intermediário entre os Espíritos e os homens, entre o mundo visível e o invisível.

Segundo o que nos fala Allan Kardec, no Livro dos Médiuns: “Toda pessoa que sente, em um grau qualquer, a influência dos espíritos, por isso mesmo, é médium. Esta faculdade é inerente ao homem e, por conseqüência, não é privilégio exclusivo; também são poucos nos quais não se encontrem os rudimentos dela. Todavia, usualmente, esta qualificação não se aplica senão àqueles nos quais a faculdade medianímica está nitidamente caracterizada, e se traduz por efeitos patentes de uma certa intensidade, o que depende, pois, de um organismo mais ou menos sensível.”

Seu estudo sistemático nos remete à compreensão exata de sua natureza e finalidade, possibilitando-nos resultados confiáveis e seguros que advêm de sua prática, auxiliando no esclarecimento e amparo aos irmãos sofredores, desencarnados e encarnados, como também faz-se instrumento de aperfeiçoamento do médium, tanto a nível intelectual quanto moral. Um ponto importante para a compreensão da mediunidade é entendermos qual a causa de seu aparecimento, porque nem todos a possuem de forma ostensiva e se é possível o seu desenvolvimento e o seu desabrochar naqueles que não a possuem tão ostensivamente.

No Livro dos Médiuns, os espíritos respondem a seguinte pergunta feita por Kardec: “O desenvolvimento da mediunidade está em razão do desenvolvimento moral do médium?” E os espíritos respondem: “Não, a faculdade propriamente dita relaciona-se com o organismo; é independente do moral; não ocorre o mesmo com seu uso, que pode ser mais ou menos bom, segundo as qualidades do médium.” (capítulo XX – item 226). Como depreende-se da resposta dos espíritos, a capacidade de servir de “intermediário” entre o mundo espiritual e o material liga-se a fatores de ordem orgânica. Isso é fundamental para o entendimento da mediunidade como faculdade de desenvolvimento. No livro Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas, ele nos fala: “...essa faculdade depende de uma disposição orgânica especial, suscetível de desenvolvimento.”

No Item 209, Kardec diz: “Viram-se pessoas perfeitamente incrédulas ficarem muito admiradas por escreverem, a seu malgrado, enquanto que crentes sinceros não o podem faze-lo.” Aqui, evidencia-se o fato de que a mediunidade independe do moral, do desenvolvimento intelectual e das crenças do médium, e de que ela é preparada antes de reencarnarmos, ou seja, ela é adaptada ao organismo do reencarnante, para que, mais tarde, possa surgir naturalmente, ou mesmo ser desenvolvida. Em síntese, o que Kardec quis nos dizer é que todos nós possuímos o gérmen da mediunidade, na medida em que temos a capacidade de interagir com o mundo espiritual, mas somente algumas pessoas apresentam o potencial de exterioriza-la a contento, com toda a sua força e plenitude. E que ela depende de fatores orgânicos para que possa brotar, independendo da condição moral do médium e de seu intelecto.

Fica patente que a mediunidade pode ser desenvolvida, quando Kardec nos diz, no ítem 200 do Livro dos Médiuns: “não há senão um meio para lhe constatar a existência, que é o de experimentar.” Mas para que ela possa se desenvolver necessita existir o fator orgânico e isso fica claro para nós, quando Kardec nos diz: “O desenvolvimento da faculdade mediúnica depende da natureza mais ou menos expansível do perispírito do médium e da maior ou menor facilidade de sua assimilação pelo dos espíritos; depende, portanto, do organismo e pode ser desenvolvida quando exista o princípio; não pode, porém, ser adquirida quando o princípio não exista.”

Geralmente, as pessoas são encaminhadas ao desenvolvimento mediúnico quando apresentam ou sentem de forma ostensiva os efeitos que a mediunidade lhes causa, quando ela apresenta-se espontaneamente ou quando é indicado o seu desenvolvimento pelos amigos espirituais. Não basta apenas querer ser médium, ser dedicado aos estudos mediúnicos ou apresentar desequilíbrios físicos, para que seja encaminhado ao desenvolvimento mediúnico; é necessário que apresente sinais evidentes de que a mediunidade está interferindo de forma ostensiva em sua vida, necessitando para tal de ser “educada” e dar bons frutos, beneficiando muita gente.

A mediunidade é uma faculdade neutra e não é causadora de problemas físicos e mentais mas, às vezes, quando a pessoa não consiga conviver adequadamente com sua exteriorização, precisa educá-la para que possa fluir sem problema. O desenvolvimento da mediunidade diz respeito à sua educação, à sua disciplina, ao ajuste de vibrações para adequá-la ao atendimento de irmãos desencarnados e para que só possa exteriorizar-se em ambientes adequados, como também ensina como lidar com irmãos sofredores, sem se deixar impregnar por suas vibrações doentias.

O que devemos deixar bem explícito é que o desenvolvimento da mediunidade não pode ser indicado a quem apresente distúrbios nervosos de qualquer ordem e nem problemas de saúde sérios. Antes de se iniciar o desenvolvimento da mediunidade é preciso o tratamento dos distúrbios porventura existentes, para que não interfiram no aprendizado mediúnico pois o médium, acima de tudo, deve ter boas condições físicas e mentais para o pleno exercício de sua faculdade.

Na verdade, o desenvolvimento mediúnico é uma poderosa ferramenta para a educação da mediunidade, ou seja, permite que o médium tenha o domínio sobre sua faculdade, à medida em que suas dúvidas, seus receios e sua curiosidade são satisfeitos por meio de esclarecimentos dos espíritos e pelo estudo, fundamental para quem deseja fazer de sua mediunidade uma ponte verdadeira de ajuda e de intercâmbio com o mundo espiritual. O desenvolvimento mediúnico permite que os médiuns não caiam no fanatismo, envaideçam-se ou deixem-se enganar por espíritos perturbadores, além de lhes proporcionar uma visão mais lúcida e serena sobre o mundo espiritual.

Paz e luz a todos.
ok



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Autor: Guilhermina Batista Cruz   
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Publicado em 10/2/2005

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