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Medo de perda, sensação de abandono e TVP

por Mauro Kwitko


O paciente J.P., 38 anos, sexo masculino, jornalista, vem à consulta:

“Sinto abandono, tristeza, melancolia. Tenho medo de namorar, medo de assumir emoções; sou homossexual, vivo só, sempre com um pé atrás, medo de arriscar. A questão do abandono, da perda, é muito forte para mim, tive três relacionamentos sérios, não deram certo, sofri demais, não me permito mais me apaixonar. Eu só trabalho, leio, tenho pouquíssimos amigos. Meu pai sempre foi muito ausente, ele mora em outra cidade, nunca nos vemos, minha mãe era uma ligação muito forte, morreu de câncer, foi horrível para mim a perda”.

Na sessão de regressão ele encontra uma vida passada em que era uma mulher: “Sou uma mulher de cabelos compridos, moça, perto de uma carruagem; é um tempo antigo, ela usa uma roupa comprida. Está sozinha, parada, muito assustada, chorando. Não tem ninguém mais ali, (chorando) é numa estrada, tem um mato perto. Está encontrando um homem, ele é alto, de uniforme. Ela o conhece, está assustada e brava, estão falando, ela fala, está cobrando alguma coisa dele; ele não diz nada. Ela chegou perto dele, deu um abraço, mas ele não se mexe. Ela voltou para a carruagem - ele dirige a carruagem - está levando ela. (Chorando angustiado).

É um vilarejo, ruas de pedras, Irlanda, 1680. A carruagem pára em frente a uma casa, ela entra, ele foi embora com a carruagem. Ela é Mariane, trabalha ali, serve mesas; é uma estalagem; tira o chapéu, está mexendo nas mesas, mas ainda está vazio, não tem ninguém. Ela está triste, parece que eles brigaram, acho que ele a está abandonando, ela gosta muito dele (chorando). O homem da carruagem voltou, ele é alto, bonito, cabelo preto. Acho que ela pergunta por que ele voltou, ele vai e volta e ela fica brava com isso. Estão conversando, ele a abraça, beija, estão chorando, serve uma caneca de vinho. Ela está mais feliz agora, estão conversando, sentados, de mãos dadas. Ele vai embora, ela fica ali, pensativa, resignada (suspira). É uma cidadela pequena de muros altos de pedra, tem florestas em volta, Dublínia. Ela é moça, romântica, melancólica, triste. Ela está na cozinha agora, é magra, tem mãos delicadas. Aquele homem passou dirigindo uma carruagem, com uma criança, uma menina, é filha dele.

Mariane viu, ficou triste, acho que eles estão terminando o romance, não sei por que, parece que não dá para ser. (triste) Ela se sente só, está cansada, tem 24 anos. O homem da carruagem vai e volta, ele lembra meu pai quando era moço, sei lá, parece ele sim. (chorando) As coisas vão fechando, ela com esse homem, que parece meu pai, que também vai e volta, uma ausência, eu vou entendendo. Acho incrível que se repetiu a história naquela vida, nesta vida... o homem ausente, o pai ausente, aquele pai dela é o meu pai hoje, sim. A minha relação com cozinha, com ervas, temperos, eu também adoro cozinhar, adoro cantinas. A maneira de ser, a tristeza, a solidão, o abandono, é tudo igual. Incrível!

Ela está brigando, mandando-o embora, gritando com ele! Ele foi embora, (suspira) ela está muito triste, está cozinhando e chorando. É o pai dela... mas, são amantes!? Ela está andando pelas ruas, fala com algumas pessoas, tem muita gente. Tem uns que olham com cara feia para ela, não sei por que, acham que ela é prostituta, mas ela não é. Ela vai para um campo ali perto, tem um rio, ela está tomando banho no rio, chega o homem de novo. Ela está assustada, sentindo tesão por ele, estão transando. Ele tem 42 anos, é pai dela sim, estão transando, eles estão transando ainda. Agora terminou, ele se levantou, ela ficou deitada lá.

Ela voltou para o rio, está nadando, é uma felicidade estranha essa. Saiu, foi embora. (suspira) Ela é jovem ainda, mas está doente, está enrolada num monte de cobertas. Aquela senhora traz uma comida para ela. Ele vai lá de novo, estão conversando, está preocupado com ela. Agora foi embora de novo, e ela ficou ali (triste). Agora está mais velha, está meio paralisada, sentada, na cozinha. Ela é uma senhora agora, a vida dela é horrível, só fica parada, olhando. Ela está meio paralítica, é horrível, parece que desligou. Ela pegou sífilis dele. (chorando) Agora ela morreu, ali sentada, foi desligando (chorando, muito triste).

Estou flutuando, é leve... Tudo muito azul, não tem paredes, tem pessoas ajudando, esses estão de branco, são muito gentis, eles conversam conosco, perguntam se está tudo bem, mostram para onde ir. Falamos sobre as experiências, de onde a gente veio, o que aconteceu, o que fizemos, os nossos erros. Tem uma senhora falando comigo, passa a mão no meu rosto, não sei quem é, parece alguém conhecido. É a minha mãe! (atual) Que saudade! Ela está super bem! (chorando, muito emocionado). Está bem moça, está fazendo carinho no meu rosto (emocionadíssimo!). Diz para eu ter paz, ficar tranqüilo, não me preocupar tanto, para me ouvir mais. Diz tantas coisas bonitas, me transmite muita paz, muita luz. Estou muito bem”.

Comentário:
Vemos nessa regressão como o seu modo atual de ser, de pensar, de sentir, de agir e de reagir é extremamente semelhante ao daquela vida no século 17! Ele já era triste, melancólico, rejeitado e desamparado, e nas encarnações de lá para cá ainda não mudou... Enquanto naquela vida esse paciente era uma mulher, apaixonada por seu pai, e sofria muito com isso, sendo de personalidade triste, melancólica e resignada, ao reencarnar traz consigo esse modo congênito de ser e, embora não tenha o mesmo tipo de relação com seu pai atual (que é o mesmo daquela encarnação), é homossexual e nunca transou com mulher.

E então, quem sabe ainda tem a Mariane dentro de si, em busca do pai? Então, quem sabe não é homossexual, ainda “é” a Mariane? Essa é uma das principais causas da homossexualidade, bem como de todas nossas tendências. Entre suas metas pré-reencarnatórias estão a melhoria ou a cura da melancolia, da tristeza, do abandono, desse modo congênito negativo de ser. Mas a dificuldade está em que nós reencarnamos para mudar nossas características negativas, mas diante dos fatos da vida, desde a infância, nós iremos reagir do mesmo modo como reagíamos nas encarnações passadas. Não é fácil mudarmos e melhorarmos em nossas características negativas congênitas e geralmente ficamos numa repetição, encarnação após encarnação, de uma maneira de ser, com pouquíssima evolução quanto aos objetivos evolutivos. A Psicoterapia Reencarnacionista veio para tentar ajudar as pessoas a evoluírem mais rapidamente.

Texto revisado por Cris

Publicado em 07/07/2006



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Autor: Mauro Kwitko   
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