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A fenomenologia do Alinhamento Energético e a autoinquirição  
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A fenomenologia do Alinhamento Energético e a autoinquirição

por Fernando Padrão


Os professores do Advaita Vedanta sempre recomendam a prática da autoinquirição, ou seja, a pergunta (a procura) pelo eu fundamental, o eu espiritual. A prática é simples e natural. Nem poderíamos dizer que é uma prática, nem que é uma procura, porque nós já somos consciência, existência e bem-aventurança. Nós já somos aquilo que nós procuramos. Não haveria nenhuma necessidade de práticas, de regras, de disciplina, mas levar a mente para a sua fonte, descobrindo o que ela é. 

Existiria uma ignorância fundamental (avidya) entre o eu mundano (corporal, psico-emocional) e aquilo que nós somos (o self, o si mesmo, o Ser). Nós não somos nada daquilo que vemos, percebemos ou pensamos. Tudo é fenômeno, aparição. Nem podemos dizer que é uma aparência, porque o mundo dos fenômenos não esconde um outro mundo, um mundo mais real (por exemplo, o mundo das ideias de Platão). O Advaita vedanta e a fenomenologia não dizem que esse mundo é falso (aparência) e, portanto, deveríamos nos esforçar para sermos dignos ou merecedores de um outro mundo, um mundo mais real e verdadeiro. 

Tudo o que podemos ver e pensar é fenômeno e pertence ao mundo fenomênico, de aparições. Aparecer, ou fenômeno, é tudo aquilo que surge e se desfaz, ou seja, tudo é vibração (spanda). E nada há nesse mundo de verdadeiro, ele não esconde nada de real. O mundo dos fenômenos basta a si mesmo. Até mesmo a nossa personalidade é fenomênica, e perceber isso já seria um grande feito. Até mesmo os nossos sentimentos e intenções mais puras são fenômenos, isto é, surgem e se dissolvem. Assim, não deveríamos nos apegar tão profundamente a eles, considerá-los nossos.

Tudo o que surge, dissolve-se depois. Não é por isso que devemos ser pessimistas ou tentar abandonar ou destruir os fenômenos, como se nós fôssemos aquele que realiza, aquele que é real. Se eu tento modificar algo, acredito que sou algo diferente do fenômeno que aparece. Se existe alguma prática, ela deve ser a indagação por aquilo que não aparece e nem se dissolve.

O que não aparece e não se dissolve têm vários nomes. Na fenomenologia, é o Ser dos fenômenos, o horizonte a partir do qual tudo o que aparece se dissolve. O Ser é o plano (o campo) de tudo que aparece, mas é o que não aparece. O Ser pode ser a testemunha imparcial, o que não se confunde com os objetos, com o pensamento ou com o corpo. Pode ser o Self, o Si mesmo, o que não depende de nada para existir ou para ser visto, mas o que é consciente de si mesmo. É absoluto e não relativo a algo ou alguém. É um plano que produz a si mesmo e não depende de nada mais. 

Não existe uma prática, uma disciplina para chegar aí, chegar ao Ser de tudo o que surge. Pois toda prática é fenomenológica, não tem fundamento em si mesmo. Ou seja, a prática não tem fundo, profundidade o suficiente para chegar ao Ser. O que nós podemos fazer é percebermos tudo aquilo que surge, nossos medos, angustias, traumas, dificuldades como fenômenos, percebendo que surge e, assim, se dissolve. Que tudo o que sentimos não tem profundidade o suficiente para nos afetar naquilo que nós somos. Não podemos dizer que é uma prática, mas um fazer que acontece por si mesmo, que independe de nossos pensamentos e do nosso corpo. Mesmo que não queiramos, estamos sempre conscientes de algo, sempre existimos. A auto inquirição nos possibilita olhar para aquilo que nos aparece a partir de uma perspectiva diferencial. E nos ajuda a entender a fenomenologia do Alinhamento Energético. 

O alinhamento energético é uma terapia que visa transmutar, limpar, ressignificar conteúdos psicoemocionais, isto é, memórias, sejam elas conscientes ou inconscientes. Podemos dizer que o terapeuta funciona como um canal ou um facilitador do paciente consigo mesmo e não um canal entre o terapeuta e um mundo espiritual. Pois tudo o que podemos fazer é nos tornarmos conscientes daquilo que existe em nós, e aquilo que existe em nós não tem a realidade que atribuímos a ela. Podemos ver e observar aquilo que consideramos problemático a partir de uma perspectiva impessoal e assim desapegar, deixar ir, nos tornar distante.

O alinhamento energético é uma ferramenta terapêutica que facilita o distanciamento conosco mesmo. Nos ajuda a desapegar, nos distanciar daquilo que consideramos um problema real e uma parte insubstituível de nós mesmos. 
Texto Revisado

Publicado em 16/05/2017



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Autor: Fernando Padrão   
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