SOBRE O LÍDER QUÂNTICO DA ERA CAÓRDICA - Alexandre Wahbe
 
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SOBRE O LÍDER QUÂNTICO DA ERA CAÓRDICA

por Alexandre Wahbe - alexandrewahbe@hotmail.com

Liderar é preciso. Na história da humanidade a liderança e seu papel sempre preponderante estiveram presentes na criação da realidade concreta. Na período matriarcal, por exemplo, há 10.000 anos, a liderança era implementada pelas mulheres, por sua soberania intelectual desencadeada pelo seu “tempo ocioso”. Depois, surgiu a liderança forte do patriarcado, com suas crenças autocráticas e centralizadoras que detêm forte impulso na leitura e compreensão deste fenômeno até hoje. Após o século XVII, o desenvolvimento científico gerou o “líder inteligente”, (ser) maquiavélico limitado, programado para atingir objetivos mensuráveis à custa do potencial e talentos de subalternos; este tipo de liderança também é comumente associado ao modelo da era industrial. Alguns autores, como Lenilson Naveira e Silva, denominam o modelo emergente de liderança como o do “líder sábio” que seria capaz de interligar conhecimento linear (inteligência) com o sentimento e alma necessários à liderança contemporânea.

A liderança contemporânea recebe o impulso “humanizante” da escola das relações humanas da administração, personificadas principalmente pela Teoria dos Fatores Motivacionais, de Herzberg, Teoria da Hierarquia das Necessidades de Maslow e Teoria de Sistemas, de Bertalanffly, e impele o surgimento de líderes dinâmicos, abertos e flexíveis. Estas teorias amplificam o conceito e as habilidades necessárias ao líder, que deve sempre ampliar seus conhecimentos psicológicos, sociológicos, políticos e educacionais. Nesse sentido, é importante salientar pensamentos como este, de Peter Drucker, um dos difusores do pensamento sistêmico em organizações e liderança no mundo.

Segundo Drucker (1995, pg. 14) “[os líderes de hoje] precisam aprender a gerenciarem em situações que não tem autoridade de comando, nas quais você não é nem controlado nem está controlando. Esta é a mudança fundamental.”. A mensagem de Drucker ratifica esta frase de Dee Hock, arauto internacional do pensamento caórdico, que desmistifica a interação consciente com as fatos da vida pessoal, social, organizacional, ligados à dinâmica fundamental do universo, através da exposição do modelo do caos e ordem ou “caord”: “O verdadeiro poder nunca é usado. Quem usa o poder, nunca o têm de verdade.” Hock, 2001, pg. 136). Seguindo as idéias de Hock para a liderança, o líder deveria desenvolver toda sua sensibilidade para poder compreender as interligações entre os fenômenos da organização com a dinâmica básica, “caórdica”, da vida; esta realidade exige uma “desprogramação” geral de crenças limitadoras, profundamente arraigadas ainda ao modo de pensar do líder ocidental.

Autores outros que preconizam a morte do industrialismo e o surgimento de uma nova civilização, como Alvin Toffler, expõem o embate entre a liderança linear, alienante, opressora e patriarcal da era industrial (2ª onda) e a flexível, dinâmica e aberta da era do conhecimento (3ª onda). Segundo Toffler vivemos hoje o advento de uma nova civilização. Vejamos a síntese de seu pensamento referente a esta realidade e implicações, as quais podemos remontar paralelamente à prática da liderança: "A alvorada desta nova civilização é o fato mais explosivo de nossas vidas. É o evento central, a chave para compreender os anos imediatamente à frente. É um evento tão profundo como a Primeira Onda de mudança, desencadeada há dez mil anos pela descoberta da agricultura, ou o terremoto da Segunda Onda de mudança, provocado pela revolução industrial. Somos os filhos da transformação seguinte, a Terceira Onda”. Toffler, 2001, pg. 23

A síntese do pensamento da mudança na forma de liderar mais contundente que podemos vislumbrar contemporaneamente é, no entanto, aquela regida pelo advento do pensamento sistêmico para liderança, o qual propõe uma “fusão” de dois tipos básicos de liderança: 1) O líder que estimula os demais com seu carisma e visões, tornando-os seguidores de seu pensamento e 2) O líder criador do desenvolvimento e interações coletivas. Segundo Fritjof Capra, estes dois tipos de liderança têm uma relação com a cratividade. “Ser líder é criar uma visão; é ir onde ninguém jamais esteve. É também habilitar a comunidade como um todo a criar alguma coisa nova.” CAPRA, 2002, pg. 132

Já não basta, então, ser profeta; é preciso despertar o potencial visionário em toda a equipe, o que sintetiza os dois modelos básicos de liderança, neste novo modelo sistêmico. O líder, então, dentro desta nova concepção, seria um gestor e facilitador de visões que devem materializar-se através de técnicas adequadas ao entendimento gerador de compromisso coletivo. Esta visão denota o advento de um modelo de liderança que exige um amplo leque de capacidades, pois o ser humano é visto e colocado no âmago das decisões, que só pode ser estimulado pelo modelo do líder sábio, humano e caórdico que o nosso tempo exige: o líder quântico da era caórdica!

Texto revisado por Cris

por Alexandre Wahbe - alexandrewahbe@hotmail.com   
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