Mulheres e Dinheiro - Vera Ghimmel
 
Bookmark and Share

Mulheres e Dinheiro

por Vera Ghimmel - veraghimel@oi.com.br e veraghimmel@yahoo.com.br

Trabalhando no consultório os três pilares (amor, saúde e dinheiro) percebi que a mulher tem, desde a infância, a idéia de que prosperidade, riqueza, investimento é do universo masculino. No máximo é educada a ter dinheiro para se sustentar numa eventualidade de precisar viver sozinha. As escolhas profissionais gravitam em torno de profissões assistenciais. Mesmo que faça uma faculdade e se especialize em algo que fuja desse caminho, a mulher pensa no salário ou lucro como reforço para as despesas da casa. Isso quando a família não a empurra para um “bom partido” que definitivamente resolve as suas responsabilidades de sustento. A cultura que a mulher enfrentava no passado não é muito diferente das gerações atuais, mas encontra maior resistência com as jovens de hoje pensando primeiro em sua independência financeira.

Outro fator importante que faz com que a mulher recue é quando poupa o companheiro do constrangimento de ganhar mais dinheiro ou mesmo evita ter mais sucesso do que ele. Eu mesma passei por esse problema, quando meu companheiro, da época, me revelou que se sentiu melhor quando perdi a minha comissão de assessora de imprensa por ocasião do fechamento da antiga CACEX (Carteira de Comércio Exterior) diretoria do Banco do Brasil S.A, no governo Collor. Chegou a ser cruel dizendo que agora sim acreditava em Deus, pois a justiça estava feita(?).

Mas existem outros fatores além desses, que dirigem a vida financeira de uma mulher. Há um impulso de sempre estar solucionando problemas familiares com os seus recursos, pois a mulher tem a conexão emocional com o dinheiro. O homem investe, a mulher poupa para a família, o homem gasta com que precisa, a mulher com que deseja. O homem com problemas emocionais, no máximo vai espairecer num bar ou praticando algum esporte, a mulher vai gastar nos shoppings, considerando-se ter ou não dinheiro disponível.
Mas as desvantagens sobre universo masculino não param por aí. A mulher acaba num impasse entre cuidar da família e isso exige um malabarismo tremendo e investir em sua qualificação profissional. Ou se casa ou estuda, se aperfeiçoa, se recicla. É impossível trabalhar para compor orçamento familiar e fazer cursos noturnos ou de finais de semana. O homem tem o compromisso de melhorar, quase que uma exigência social e o faz em qualquer horário, pois tem uma retaguarda constante e a aprovação de todos. A mulher nessas horas precisa contar com a boa vontade de algum parente ou mesmo com os serviços de uma empregada de confiança, para poder se ausentar.

Além disso, a mulher cresce vendo a forma com que seus pais lidam com dinheiro. Recebe consignas do tipo “dinheiro não traz felicidade”, “sorte no amor…azar no jogo”, “ ricos não entram no céu”, “você é burra e seu irmão é inteligente”, “você precisa aprender a ser dona de casa pra arrumar um bom casamento”, “o mundo é dos homens”, “você não vai saber lidar com os negócios da família, portanto deixa o seu irmão cuidar disso”, ”algumas funções profissionais tornam as mulheres pouco femininas”, “dinheiro é sujo” e tantas outras frases desestimulantes acompanhadas de pais perdulários ou que sempre demonstraram inabilidade administrativa.

Tem uma citação de uma autora desconhecida que diz que do nascimento aos 18 anos, uma mulher precisa de bons pais, dos 18 aos 35, de boa aparência, dos 35 aos 55 de muita personalidade, e dos 55 anos em diante, de dinheiro. A mulher recebe esse tipo de preconceito até mesmo de outra.

São poucas as mulheres que conseguem vencer todos esses obstáculos e se saírem bem no universo totalmente preenchido pelos homens. Mas pagam, muitas vezes, um preço alto que poderá ser a própria solidão. Pouquíssimos homens acompanham o sucesso de suas companheiras sem se sentirem diminuídos. Não é fácil trabalhar e ao mesmo tempo não deixar espaço para reclamações quanto às responsabilidades domésticas.
Mas para quem ainda não conseguiu, é preciso primeiro olhar para dentro de si mesma e ver como aprendeu sobre o dinheiro desde criança e fazer um paralelo com os acontecimentos atuais e ver que só repetimos padrões e erros do passado, implantados em nossa mente pela educação familiar e a cultura regente daquele momento. Há um longo caminho a percorrer. No dia nacional e internacional da mulher é preciso mais que flores e eventos comemorativos.

Se quisermos outra realidade, é necessário que se façam mudanças na legislação, na cultura e, principalmente, no comportamento.

Texto revisado por: Cris

por Vera Ghimmel - veraghimel@oi.com.br e veraghimmel@yahoo.com.br   
Atendimento personal coach, visando acompanhar o cliente e sugerir mecanismos para que ele atinja as suas metas, sonhos e objetivos, terapias dos arquétipos, mapas numerológicos, curso Despertar do Ser Integrado (em CD ), palestras para empresas e grupos. Meu blog é http://vera.ghimmel.zip.net
Lido 3190 vezes, 99 votos positivos e 4 votos negativos.   
E-mail: veraghimel@oi.com.br e veraghimmel@yahoo.com.br
Visite o Site do autor
Vote se você gostou deste Artigo!
Sim Não  

 
O conteúdo desta página é de exclusiva responsabilidade do Participante do Clube.
O Site não se responsabiliza pelas opiniões expressadas ou eventuais violações de direitos autorais.