Artigo de Paulo Salvio Antolini: Quando você diz “até que”! - | Artigos do Clube
 

Quando você diz “até que”!

Autor Paulo Salvio Antolini - pauloantolini@terra.com.br


Há muitas divergências, das mais simples até os conflitos mais sérios que se iniciam com o simples dizer “até que”. O que se diz e as palavras usadas no que se quer expressar podem trazer uma mensagem exatamente oposta ao que se quer passar. Imaginem que pessoas de projeção na literatura defendem que as palavras ditas ou escritas não precisam estar atreladas a regras gramaticais. Defendem que a espontaneidade do discurso ao fluir da boca de uma pessoa deve ser aceita tal qual é dita. É uma forma de se ver, mas como fica o sentido e significado que as mesmas palavras trazem consigo? Mais do que isso, como ficam as emoções que despertam ao serem ditas? Somos pura emoção. Palavras despertam emoções. Quem as emite tem a responsabilidade sobre o que diz. Depois que desencadeou uma série de reações aversivas ao que disse, dizer que “não foi essa minha intenção” não tira a responsabilidade de ter feito “bobagem”. Você continua responsável pelo que desencadeou. O outro pode entender e perdoar, relevar, mas fica registrada a manifestação. Há uns dois anos uma colega de profissão que admiro e respeito muito, ao não concordar com a publicação de um texto que eu havia escrito, pois ele daria para outros profissionais o caminho do que ela queria preservar, ao final da sua defesa da ideia me disse: “mas você até que escreve bem!”. Ficou muito constrangida quando disse a ela que não subestimasse as pessoas, pois além dos quase quinhentos artigos publicados ininterruptamente na época, ainda lhe dei meu livro que já com dedicatória havia levado para presenteá-la. Convidado para um almoço onde a anfitriã estava reunindo várias pessoas para o congraçamento entre todas, presenciei um dos convidados ao experimentar um prato servido dizer a ela: “Você até que cozinha bem.”. No mesmo instante a expressão facial da anfitriã perdeu seu brilho, fato notado por todos os convidados. O constrangimento provocado pelo comentário perdurou um bom tempo, tendo assim tirado a leveza do encontro. O “até que cozinha bem” implica em dizer que não se acreditava na capacidade de fazer o que foi feito, revela subestimar a pessoa a quem isso é dito. As palavras possuem sentido e significado, portanto, elas têm peso. E como é dito, após “a seta ser lançada não se pode mais segurá-la.”. A palavra fere, a palavra corta, assim como ela bem usada tira a arma das mãos de quem iria por fim a sua vida, faz sair de um leito de hospital, trás a alegria ao rosto de quem estava triste. As palavras proferidas são de total responsabilidade de quem as diz. O até que também é usado por muitos para não darem “o braço a torcer”. Ocorre quando de uma discordância um consegue demonstrar ao outro o que afirmava e o outro dizendo então “até que... não é tão ruim; ... é boazinha,”, etc. Para alguns é manter o estrelismo, para outros é o orgulho falando mais forte e para muitos é apenas leviandade, a superficialidade das manifestações não pensadas. Certa vez uma pessoa disse à outra “até que você esta melhorando”. Referia-se a uma atividade que a ela estava se esforçando para atingir a perfeição. O resultado foi intensa decepção por parte de quem recebeu o “até que”. Ela recebeu o comentário como sendo a demonstração do não reconhecimento do outro por todo o esforço que estava fazendo. O efeito foi exatamente o contrário do que se pretendia. Como dizer então? No primeiro caso poderia ser: Gostei do seu texto, porém não deve ser publicado agora pelas razões....”. No segundo caso poderia ter sido; “Não conhecia esta sua habilidade, está muito bom”. No terceiro caso deveria ter dito: “estou notando seu esforço e os resultados já estão aparecendo.”. O que dizer e como dizer é fundamental. Basta olharem as confusões que uma colocação causa!


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Autor: Paulo Salvio Antolini   
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Publicado em 18/06/2017
 

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