Artigo de Alex Possato: Quando o pânico me leva à paz - | Artigos do Clube
 
Quando o pânico me leva à paz  
   

Quando o pânico me leva à paz

Autor Alex Possato - alexpossato@hotmail.com




Pra quem vê a foto, após eu subir 435 metros, diria: este cara está super bem! Não, não estava. Algumas pessoas mais íntimas sabem que tenho vertigens e pânico quando desafio altitudes, principalmente se tenho uma visão de precipícios profundos ao meu lado. Não sei de onde isso surgiu e não me importa muito. Fato é que pensei em voltar algumas vezes desta caminhada. Tanto faz se, ao chegar quase no topo, desce uma criança com seus 6 anos de idade, vestido de Batman, junto com seu pai, dizendo: a vista é maravilhosa!

Maravilhosa o cacete! Cheguei a talvez 3 metros do “cucuruco” do morro, uma pequena superfície arredondada de pedra, onde literalmente você poderia voar. E decidi não avançar estes últimos metrinhos. Já subi alguns morros. Já entrei em contato com o pânico de altura. E sempre com muita atenção, vou ouvindo minha mente ensandecida detonar com minha autoconfiança. Internamente, argumento com ela. Uso artifícios do yoga, da respiração, da meditação, da concentração, do foco. E isso me ajuda bastante. Mas não consigo ficar em platôs expostos – e por enquanto, isso é a realidade. Fato é que fiquei em paz com o não ir além. Sou covarde? Tenho que vencer a qualquer custo? Até uma criança consegue e eu não? Quantas vozes falam na minha cabeça, nos momentos do desafio...

Nesta sexta-feira da paixão, me perguntei: pra quê? Fará alguma diferença eu subir? Não subir? Quem, dentro de mim, está dizendo: você vai morrer? Quem, dentro de mim, está dizendo: você tem que ir além?

Estas vozes me tratam muito mal. Não me respeitam, e me fazem estar em constante conflito... Aprendi que não irei silenciá-las. A função da mente é isso: pensar, pensar, pensar... geralmente abobrinhas, crenças distorcidas... Mas eu posso ouvir as vozes, e tratar-me com amor. Alguém dentro de mim me ama. É a este Ser que sigo. Procuro ouvir somente a Ele. Nem sempre consigo. Mas já reconheço a Sua existência. Em geral, Ele não fala: só me acolhe.

Abençoado seja Você, dentro de mim, que me acolhe, me ama, me respeita... não liga para o que penso ou deixo de pensar. Para o que faço ou deixo de fazer. Você continua sempre comigo... e não me avalia de acordo com minha performance. Você somente está... Em Ti, estou em paz.


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Autor: Alex Possato   
Terapeuta sistêmico e trainer de cursos de formação em constelação familiar sistêmica
E-mail: alexpossato@hotmail.com
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Publicado em 19/04/2017
 

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