Artigo de Flávio Bastos: Há lugar para o amor nos dias atuais? - | Artigos do Clube
 
Há lugar para o amor nos dias atuais?  
   

Há lugar para o amor nos dias atuais?

Autor Flávio Bastos - flavio01bastos@gmail.com


"Quem ama nunca sabe o que ama, nem sabe porque ama, nem o que é amar". (Fernando Pessoa)

Freud afirmava: "Nunca nos achamos tão indefesos contra o sofrimento como quando amamos, nunca tão desamparadamente infelizes como quando perdemos o nosso objeto amado ou o seu amor".
Temos uma demanda de amor que vem desde o início de nossas vidas, precisamos que nossa referência materna nos transmita seus cuidados e afetos e isso se manterá durante nossas vidas, quando, inconscientemente, repetimos aquela relação primeira em nossos futuros relacionamentos, na busca por felicidade. Também podemos amar baseados em um amor narcisista, quando procuramos alguém que é como somos, como fomos ou mesmo gostaríamos de ser. Ao nos apaixonarmos, idealizamos o nosso parceiro, buscando nossas características nele e quando não encontramos surge então a frustração, pois o que buscamos é humanamente impossível. Afinal, não existem duas pessoas idênticas. Muitos acreditam no amor romântico, a promessa de felicidade que nos é transmitida nos contos de fada, nos faz ir em busca de nosso verdadeiro amor, uma tentativa de evitar o confronto com a "dura realidade", o mal estar próprio da condição humana.

A verdade é que são confusos os dias atuais. O medo existe em todos. Cada um de nós carrega em si o peso árduo das dores e fracassos. As vitórias são minorias, o amor de verdade, hoje, é uma vitória daquelas difíceis de se ver, onde o pódio existe, a champanhe está lá, mas não existem vencedores.

As relações amorosas nos dias atuais são inexpressíveis. Muitas pessoas unem-se às outras apenas por carência ou por interesses financeiros. Quando refere-se à palavra "amor", devemos ter precaução. Ainda que exista algum tipo de consideração em um relacionamento, em vários casos não há amor. Em diversas situações, a união acontece porque muitos indivíduos sentem-se solitários e buscam companhias, de forma que confundem os próprios sentimentos.

Hoje é cada vez maior o número de amores fugazes, daqueles que se envolvem e, na manhã seguinte, somem. Vive-se a era do "momento", esquece-se ou deixa-se pra lá o cultivo do amor. Pintam-se frases perfeitas, ditas quase sempre da boca pra fora. Ilude-se, e muito, respeita-se pouco e o egoísmo é cultivado o tempo inteiro. Afinal, pra que se preocupar com o outro e suas dores?

Chegamos à era da análise prévia, rostos e corpos deslizam da direita para a esquerda em telas de smartphones, notas são dadas por uma única foto, hastags criadas para informar o que o ser observado tem de melhor e nesse meio tempo, tudo vira virtual, descartável, insosso, sem voz e sem toque.

Vivenciamos uma realidade relacional, onde a busca pelo sexo começa a superar a busca pelo amor, visualizado como uma possibilidade de existir cumplicidade e completude entre dois seres que se encontram numa fusão de energias onde desejos, sentimentos e emoções se expressam. mas onde o amor fugaz prevalece através da liberação e satisfação da libido.

Entretanto, a experiência regressiva a vidas passadas, seja no consultório terapêutico ou nas atividades mediúnicas das casas espíritas, demonstra que a busca do amor, esse sentimento enigmático que não sabemos definir ou decifrar é multimilenar entre os homens e exige um processo de aprendizado que pode paralisar conforme as experiências que temos em uma única encarnação, para novamente acionarmos o processo quando tiramos lições proveitosas à nossa evolução consciencial.

Amor e sexo, portanto, são inseparáveis sob o ponto de vista da transcendência humana. É uma fusão de energias que visa a completude entre aprendizes da arte -e desafio- de viver. É isso, em resumo, que as experiências regressivas informam sobre o sentido da vida, ou seja, da necessidade de aprofundarmos o conceito de amor na própria trajetória vital, mas sempre em relação a si e ao outro, seja através do autoamor, da amizade, do parentesco, do sentimento de irmandade ou através da escolha de um parceiro para uma relação mais íntima.

Aquilo que aprendemos ou deixamos de aprender, no âmbito do amor, carregamos para a próxima vivência no mundo físico, e essa "síntese", associada às experiências com as figuras referenciais da infância (vida atual), torna-se o conteúdo afetivo que temos a oferecer ou a exigir, conforme o nível de nossas carências.

Portanto, haveria lugar para o amor nos agitados e conturbados dias atuais?
Se compreendermos que a vida não cessa e que a experiência vital é uma oportunidade de apurarmos a percepção sobre o sentido da vida através da ferramenta chamada amor, estaremos focados nas lições que, inevitavelmente, ocorrerão durante os envolvimentos de nível afetivo ou amoroso-íntimo.
Caso contrário, estaremos, provavelmente, reproduzindo vidas passadas onde o individualismo, a posse, o orgulho e o interesse travaram o processo de amadurecimento, à medida que não conseguimos decodificar em benefício próprio, as lições vivenciadas no amor.
Para nós, humanos, o amor permanece indecifrável e o nosso maior desafio é decifrar vida após vida o seu mistério, que envolve você, o outro e o universo.

Texto revisado


Obrigado por votar
Gostou deste Artigo?   Sim   Não   

Autor: Flávio Bastos   
Flavio Bastos é criador intuitivo da Psicoterapia Interdimensional (PI) e psicanalista clínico. Outros cursos: Terapia Regressiva Evolutiva, Psicoterapia Reencarnacionista, Terapia Floral, Psicoterapia Holística, Parapsicologia, Capacitação em Dependência Química, Hipnose e Auto-hipnose e Dimensão Espiritual na Psicologia e Psicoterapia.
E-mail: flavio01bastos@gmail.com
Visite o Site do autor e leia mais artigos.

Publicado em 11/11/2016
 

Deixe sua opinião sobre este artigo



Acessar seu Clube STUM


© Copyright 2000-2017 SOMOS TODOS UM - O conteúdo desta página é de exclusiva responsabilidade do Participante do Clube. O Stum não se responsabiliza por quaisquer prestações de serviços oferecidos pelos associados do Clube, conforme termo de uso STUM.