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Para que servem as discussões?  
   

Para que servem as discussões?

Autor Bernardino Nilton Nascimento - bn.nascimento@uol.com.br


É costume afirmar que a discussão nasce da luz. Mas será, realmente, assim?

De fato, a discussão oferece a luz, mas também pode trazer gravíssimos perigos, sobretudo, entre as pessoas de temperamento excitável ou de reduzida educação cívica. Só pessoas inteligentes e equilibradas é que estão em condições de discutir com elevado grau de busca para chegar ao bom senso onde surgem soluções que agradam a todos em busca de uma constante evolução, seja de origem familiar, profissional, entre amigos, na política, no esporte e na religião.

Para evoluir se faz necessário ter o domínio absoluto da vontade, para discutir com inalterável serenidade. Na maioria dos casos, a discussão logo resvala para um plano e uma disputa pessoal, transformando-se no lamentável "dize tu, direi eu", que precede sempre a lavagem de roupa suja.

Logo vem o descontrole, o aborrecimento e as intrigas, descobrem-se as verdades. Em geral, é isto mesmo o que acontece. Não são as verdades puras o que ocorrem nas discussões, são as verdades inferiores e as misérias da vida que vêm à supuração, numa situação vergonhosa. “Nem toda verdade deve ser dita, e quando dita, devemos saber hora certa”, por que não devem ser ditas? Porque muitas delas são segredos, e como tal, devem ser guardadas como tesouros, “atrás de um segredo existe uma promessa de fidelidade”.

Nenhum dos participantes quer se dar por vencido, as alusões pessoais cheias de rancor e, às vezes, até as particularidades íntimas de cada um podem vir à tona, quando os argumentos começam a faltar; surgem as calúnias imorais, os equívocos venenosos. Se, de começo, houveram ideias razoáveis, essas ideias passam e passam a ser um elemento secundário. Das condições doutrinárias, passam para um momento miserável do insulto. Nestes casos, a discussão em vez de trazer luz, evolução, aprimoramento e ensinamentos, leva-nos para o terreno das trevas, confundindo ainda mais o espírito.

Quando a discussão é serena, pode dela resultar, evidentemente, grande aprendizado para as partes envolvidas.

Aquele que provoca disputa, pondo sistematicamente em dúvida ideias ou opiniões de outras pessoas, nem sempre é o mais culto ou instruído. Em geral, quem assim procede, na verdade, quer atrair para si as atenções dos que estão a seu redor.

As pessoas mais pacíficas não discutem além de oferecer ou receber conhecimentos e julgam que, numa discussão muito calorosa, nenhuma das partes sai ganhando; sabe também que quando a outra pessoa, ou pessoas, insistem em trazer a discussão para um lado agressivo, o melhor caminho será sempre manter a calma; satisfazer todas as partes é o objetivo, para isso só um caminho deve seguir: a serenidade e o equilíbrio constante.

A maior parte das discussões não é alimentada pela inteligência; não é o pensamento puro que lhes dá força e vida, é o amor próprio. As razões, os argumentos e as demonstrações são instrumentos ao serviço do terrível amor próprio, que torce o raciocínio, desvirtua a verdade e cega a razão.

O ser humano que tem seu coração aberto é hospitaleiro e sabe ouvir e não levanta seu tom de voz. Tudo quanto ele ignora o interessa; o que lhe ensina desperta sua atenção. Sabe ser forte na sua especialidade e confessa ser fraco no resto; consulta cada um, acerca das suas artes, não contradiz aqueles que falam das suas próprias especialidades.

Mas não se deve combater o que achamos errado? É claro que sim. Guardar silêncio em face de se ver contrário à sua clareza de conhecimento seria um crime ou uma covardia. No entanto, para expor seu conhecimento e a verdade dos fatos, não é, necessariamente, preciso manter longas e irritantes polêmicas que terminam na sua maioria em conflitos pessoais, cortes de relações e até agressões.

A discussão inerva, irrita e aborrece, prejudica a inteligência e impede o trabalho útil, a discussão, quando haja necessidade de realizar-se, deve consistir numa serena troca de impressões da verdade. Mas, para que essa discussão nunca sirva vaidades e caprichos, deve ser combinada que seja particularmente. Na verdade em que mora o amor, é preferível o silêncio ao escândalo inútil. Aquele que pretender servir à inteligência terá de ser honesto e sincero e com o próximo. Só assim conseguirá elevar-se e não perdendo tempo em discussões inúteis e histéricas.
A firmeza dos conhecimentos e ideias é obstinação, não teimosia.

Manda o bom senso que se reservem as energias para a elevação do espírito e para o que seja realmente necessário, em vez de as desperdiçar, estupidamente, em disputas mesquinhas e irrisórias, que a ninguém beneficia, por que não são as palavras que mudam os valores das coisas ou do ser humano, “afinal de contas, o amor será sempre o amor e a educação será sempre o prazer de viver com as diferenças sem agredi-las.

BNN



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Autor: Bernardino Nilton Nascimento   
-Não seja um investigador de defeitos e, sim, um descobridor de virtudes.
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Publicado em 24/10/2015
 

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