Cuidado com o medo!  
   

Cuidado com o medo!

Autor Marco Moura - marcomoura@dao.com.br


Não há medo igual a outro: cada um nutre o seu. O meu medo não é igual ao seu, mas a característica geral do medo é muito parecida, mesmo entre um ser humano e um animal. Eu usei a palavra “nutrir” porque o medo não existe independente da energia que investimos nele. Sem essa nutrição, ele não pode sobreviver. Mas quem em sã consciência optaria por alimentar um sentimento que o prende e que o impede de ir ao encontro de oportunidades para o seu bem-estar? Todos nós, involuntariamente.

Os medos específicos são grafados acompanhados do sufixo “fobia”: claustrofobia, fotofobia, homofobia, etc. Quanto maior o medo, maior a área da nossa consciência reservada a esse “monstrinho” e mais dispendiosos são os nutrientes que ele demanda. O medo se apoia na nossa estrutura de conceitos e se alimenta dos nossos pensamentos. O tamanho do medo é proporcional ao contexto que ele está inserido e à rede de contrastes mentais - de um lado, a zona de segurança, do outro, a zona de risco.

Por exemplo, na época das eleições, observa-se o contraste político entre a direita e a esquerda. Cada eleitor reconhece em um dos lados a sua zona de segurança. Um defensor da direita pode ter uma visão muito crítica a respeito dos regimes comunistas e se atém aos males que eles criaram no mundo. Pode ter sido assaltado várias vezes e vê na ênfase dos direitos humanos pregada pela esquerda uma ameaça à sua integridade. Do lado da esquerda, uma pessoa que tenha nascido em um contexto de opressão policial e de exploração da classe menos favorecida pode estar sedenta por um regime igualitário. O seu medo se desenvolveu na direção das ameças que a direita representa. No contexto de cada um, o ponto de vista direciona suas convicções em sentidos opostos.

Seja de que lado for, o conceito discriminatório está instalado. O contraste que corrobora com ambos é praticamente o mesmo, embora cada lado se defenda de acordo com a sua contextualização. Alguns se sentem mais seguros de um lado, outros de outro. Para se precaverem contra o objeto de seu medo, as pessoas se munem de cuidados e de argumentos contra ele. Nessa seleção de argumentos com base em uma opinião pré formada, fomentam ainda mais o contraste, que é o verdadeiro gerador do medo. O medo consome os pensamentos onde está implícita a ideia de segurança em oposição ao medo. Enquanto você se abastece de armas, o potencial de guerra se torna mais forte aí dentro.

Muitos acham que ao decidirem por um caminho estão indo em direção àquilo que querem, embora na prática estejam indo na direção contrária àquilo que não querem - uma fuga. Aquilo que evitamos, condenamos ou temos pavor expressa os nossos julgamentos mais profundos. As pessoas que têm grande aversão por algo mantém a ideia de que uma condição satisfatória se sustenta a partir da fuga ou extermínio de outra oposta. Como somos reflexo daquilo que alimentamos, aquilo que temos pavor também está dentro de nós consumindo as ideias que nutrimos. O objeto de medo faz parte de quem o teme e, quanto mais se luta contra, mais ele se faz presente.

A luta contra o objeto de medo é tão ineficiente quanto nutri-lo voluntariamente. O medo nasce em um cenário de contraste! Para que esse monstro perca força, é preciso deixar de nutri-lo, o que significa abrir mão da tentativa de controle, abrir mão do excesso de cuidado, abrir mão do abastecimento de conhecimentos partidários. Veja por si mesmo a realidade, sem lentes e sem manuais. Somente sem abastecimento, o medo perde força. Pratique o desapego e seja livre!

Marco Moura

Texto revisado


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Autor: Marco Moura   
Marco Moura desenvolve no Centro Cultural do Templo Tzong Kwan (Vila Mariana, São Paulo) atividades para o desenvolvimento integral de corpo e mente através de terapias orientais, meditação e artes marciais. Fisioterapeuta, faz atendimentos de Acupuntura; ministra aulas de Tai Chi Chuan, Kung Fu e Meditação.
E-mail: marcomoura@dao.com.br
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Publicado em 10/10/2014
 

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