Artigo de Nelson Sganzerla: Nem sempre o amor que queremos é o que achamos ter - | Artigos do Clube
 
 
   

Nem sempre o amor que queremos é o que achamos ter

Autor Nelson Sganzerla - nelsonsganzerla@terra.com.br


Logo que deixamos a adolescência, dos sentimentos rebeldes e de conflitos maniqueístas, deparamo-nos com uma nova fase em nossas vidas.

A fase adulta, das responsabilidades, do controle das nossas vidas; da busca pelo primeiro emprego e da realização profissional; daquele sonho de sairmos de casa para morarmos sozinhos, de sermos independentes de pai e mãe, pagarmos nossas próprias contas, sem ter que ouvir palavras como: economize, apague as luzes, recolha suas roupas, guarde seus sapatos, coloque a tampa no tubo de pasta de dentes (e muitas outras que tenho certeza todos já ouvimos).

Ter a liberdade de poder fazer tudo que vier à cabeça (nada que seja errado) e fazer coisas simples, como: não termos horários para voltar para casa, poder viajar sem ter que pedir o consentimento de ninguém; não nos preocuparmos com horários, para ir e vir; ninguém ligando no celular querendo saber onde se está.

Muitos de nós, em busca dessa liberdade, procuramos por uma pessoa que preencha todas nossas necessidades, pois não conseguimos ser totalmente livres. Precisamos sempre de companhia para dividir conosco, anseios, sonhos, alegrias, tristezas, horários, tarefas, carinho e amor.

Então, conhecemos alguém que vem de encontro a tudo que almejamos e nos apaixonamos perdidamente. Pensamos ter encontrado a nossa cara metade.
Já somos donos do nosso nariz o suficiente e o convívio com nossos pais não é mais o mesmo. Eles nos tratam como se fôssemos crianças e não suportamos mais o excesso de zelo e as cobranças diárias.

E nisso tudo, o incrível é que rejeitamos todo esse amor que nossos pais nos dão e procuramos esse mesmo amor fora da nossa casa (não falo aqui só para os jovens de vinte anos, mas para todos nós que já passamos por isso) e, sem dúvida, alguns de nós carregamos essas seqüelas.

Lembra, quando você, mulher, casou-se só para sair de casa? Para não ter horários para voltar e ninguém controlar o seu namoro. E você, homem, só para poder receber seus amigos a hora que quisesse e ouvir o seu “Rock” no último volume? Pois é disso que eu falo.

Você, que pensou ter encontrado o seu amor...

Eu sei, você até acreditou nisso, mesmo sabendo que lá no fundo não era a pessoa certa. Mas à vontade de liberdade, de poder ser dono de sua vida, o fato de não agüentar mais nenhuma cobrança o levou para outra prisão, que o fez sentir saudades do seu antigo quarto, de sua antiga cama e daquele almoço quentinho sempre na hora certa.

Pois é, em troca dessa falsa liberdade, quanta noite em claro você não amargou, sozinho em uma cama de casal? Quantas noites você não teve que dormir no sofá da sala, tendo que trabalhar no dia seguinte, com aquela tremenda dor nas costas?

Quanto desrespeito você não tem ou teve que ouvir e engolir em nome de uma família? E agora ficou difícil de lutar contra...

Pois é, quando passamos a morar debaixo de um mesmo teto as coisas mudam, as nossas diferenças aparecem, afloram as incompatibilidades. Passamos a não mais suportar as roupas fora de lugar - da mesma maneira que nossas mães não suportavam - a toalha molhada em cima da cama ou nossas coisas espalhadas pelo chão da sala.

Começamos a detestar os amigos do nosso marido ou não suportamos as futilidades e chatices das amigas da nossa mulher. Enfim, começamos a nos entrincheirar para a nossa batalha dentro da nossa própria casa. Cada um demarcando seu território. Nós, com o controle remoto da televisão e, elas, com o mouse do computador (ou vice-versa) e as diferenças, as incompatibilidades vão aumentando a cada dia, a cada ano.

Levamos anos para conhecer um pouco uma pessoa e dias para sabermos o que nos desagrada nela. Por isso, cuidado para não se iludir, para não construir um castelo de areia.

Aquele carinho e amor que lhe prometeram não duraram o tanto que você achou que duraria. O seu companheiro tornou-se um parente próximo daqueles que costumamos conviver no dia-a-dia e já nos habituamos tanto com ele, que não notamos o tamanho da nossa trincheira e o quanto nos tornamos distantes. Acaba-se o encanto e o sonho...

Vejam, não estou aqui querendo de maneira alguma ser pessimista; em se tratando de amor existe sempre controvérsias. Claro que há pessoas felizes com o seu amor e desejam ficar velhinhas de mãos dadas com seu companheiro.

Mas o amor não é se atirar de cabeça, nem escada para uma liberdade que às vezes pensamos não ter. O amor não é trampolim para pularmos de lá pra cá com o risco de estatelar-se no vazio da nossa alma. Lamento profundamente desapontá-los...
Isso é paixão, é maravilhoso! É um tesão, mas acaba...

O amor é construído sem pressa, faz eco dentro da nossa alma; o amor nos faz crescer, pois não existe coadjuvante; os dois são protagonistas.
O amor não compete, não desrespeita, não desconfia.
O amor preocupa-se, investe, promete e cumpre. O amor não bate, não ofende, não quer ganhar; o amor dá e recebe.

Tome muito cuidado para não confundir e não usar ninguém como trampolim aos seus sonhos de liberdade. Você poderá acabar em uma prisão de segurança máxima sem direito a visitas. A vida é curta e, provavelmente, não lhe restará tempo para amar de verdade.

Pense nisso.
Muita Paz.


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Autor: Nelson Sganzerla   
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Publicado em 06/04/2006
 

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