As vias de energia  
   

As vias de energia

Autor Marco Moura - marcomoura@dao.com.br


O homem é um ser complexo. Complexo, porém integrado: seu corpo e sua mente relacionam-se o tempo todo. A energia da mente tem uma qualidade muito sutil, enquanto a do corpo é muito mais densa. A energia é como a água: ela depende de uma via para ser expressa. Na medicina chinesa, essas vias são os meridianos de energia que se espalham pelo nosso corpo. Através da passagem nesses meridianos, a energia de nossos pensamentos e emoções (energias psíquicas), as energias nutritivas e de defesa do organismo são distribuídas da cabeça aos pés.

Dessa forma, é plausível imaginar que essas rotas de condução devam ser estruturas que comportem a energia que transita por elas, além de oferecer um espaço livre para esse trânsito. Assim, o fluxo psíquico e de nutrição física segue em equilíbrio, possibilitando-nos expressar nossos impulsos internos com harmonia. Também é de se supor que não seja o tempo todo assim. Da mesma forma que uma via de trânsito de carros, os nossos meridianos também sofrem bloqueios. Pode haver um fluxo maior do que a via comporta, pode haver um bloqueio na pista, ela pode estar em obras recuperando-se de um dano etc.

Como ficam os motoristas durante esse trânsito? Todos têm seus afazeres e estão sendo impedidos de executá-lo. Sua energia fica retesada. Em alguns predomina a raiva da situação, em outros medo do que possa acontecer caso se atrase, em outros preocupação pelo que isso acarretará, em outros tristeza por ser tão azarado e em outros uma euforia descontrolada. Estas são as cinco classes de emoções básicas preconizadas pela medicina chinesa: raiva, euforia, preocupação, tristeza e medo. Quando tudo flui em harmonia, elas podem aparecer vez ou outra de forma natural, mas quando há um bloqueio, elas se aglutinam e aparecem com intensidade.

Por que há emoções que aparecem com maior frequência do que outras? Bem, cada emoção tem suas próprias vias de condução. Algumas vias são mais estreitas, outras mais amplas, algumas tendem a ter mais bloqueios etc. Quem controla a qualidade dessas vias e seu fluxo são nossas constituições individuais e nossas mentes. Se o impulso mental que mandamos com maior frequência vai para uma determinada via, ela fica sobrecarregada com excesso de energia. Enquanto isso, as outras vias ficam esquecidas e sem cuidado, com pouca energia.

A estrutura da via é um aspecto denso, de característica YIN. A energia que transita é um aspecto móvel, de característica YANG. Cada sistema de meridianos está ligado a um aspecto YIN estrutural, relacionado aos nossos órgãos, e a um aspecto YANG energético, correspondendo a funções específicas. Por exemplo, o meridiano "Jue Yin dos Pés" relaciona-se à estrutura do fígado, dos tendões e dos tecidos dos membros inferiores por onde ele passa. Esse é o seu aspecto YIN. Também relaciona-se ao aspecto mental da criatividade e à emoção da raiva. Esse é o seu aspecto YANG.

Se o indivíduo alimenta constantemente a emoção da raiva, ele utiliza o combustível estrutural do fígado para gerá-la, debilitando-o. A emoção da raiva, sendo frequente, torna o meridiano do fígado a principal via de fluxo, de modo que será usada intensamente em qualquer situação, mesmo sem necessidade. Por isso, pode haver ataques de fúria repentinos. O fígado armazena o sangue menstrual e afeta o humor durante essa fase, então também é a causa da famosa TPM. O meridiano tem comunicação com a cabeça e os olhos, portanto, o fluxo abundante de energia também ocasiona dor de cabeça. E assim vai...

Comparando novamente o fluxo de energia ao fluxo da água, observemos o comportamento da água quando a sua rota é prejudicada. Se há uma obstrução, ela contorna; se o fluxo não anda, ela permanece parada até que seja o momento propício. Por isso, a água é o símbolo da paciência e da inteligência. Cada aspecto energético pode expressar nossa inteligência em seus vários campos: intelectual, emocional e comportamental. Inteligência não é nada mais do que administrar a nossa expressão no momento apropriado, de modo adaptável, prático e sem prejuízo. Pode parecer difícil, mas não tem segredo. A natureza ensina. A dificuldade é apenas a sensação de termos um caminho com o qual estamos acostumados e outro que ainda estamos por explorar. O caminho habitual é fácil, automático; os caminhos inexplorados dependem de boa vontade. No final das contas, descobriremos caminhos muito mais simples e menos tortuosos para percorrermos sem ficarmos desgastados.

Marco Moura

Texto revisado


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Autor: Marco Moura   
Marco Moura desenvolve no Centro Cultural do Templo Tzong Kwan (Vila Mariana, São Paulo) atividades para o desenvolvimento integral de corpo e mente através de terapias orientais, meditação e artes marciais. Fisioterapeuta, faz atendimentos de Acupuntura; ministra aulas de Tai Chi Chuan, Kung Fu e Meditação.
E-mail: marcomoura@dao.com.br
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Publicado em 25/06/2013
 

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