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A REENCARNAÇÃO NO OCIDENTE - UM POUCO DE HISTÓRIA
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A REENCARNAÇÃO NO OCIDENTE - UM POUCO DE HISTÓRIA

por Maísa Intelisano - maisa@maisaintelisano.com.br

Até meados do século VI, todo o Cristianismo aceitava a doutrina da reencarnação que a cultura religiosa oriental já proclamava, milênios antes da era cristã, como fato inquestionável, prova inconstestável da justiça divina, que sempre dá oportunidade ao homem de rever seus atos e retomar aquilo que achar necessário em nova existência.

Acontece, porém, que o II Concílio de Constantinopla, atual Istambul, na Turquia, em decisão política, para atender exigências do Império Bizantino, resolveu abolir tal convicção, justificada pela lógica, substituindo-a pela doutrina da ressurreição, que contraria todos os princípios da ciência, pois admite a volta do ser, por ocasião de um suposto juízo final, no mesmo corpo já desintegrado em todos os seus elementos constitutivos.

A Igreja teve alguns concílios tumultuados, mas parece que o II Concílio de Constantinopla, ocorrido em 553, bateu o recorde em matéria de desordem e mesmo de desrespeito aos bispos e ao próprio Papa da época, Virgílio.

A imperatriz Teodora, esposa do imperador Justiniano, também teólogo, havia sido uma cortesã e se imiscuía nos assuntos de governo e teologia do marido. Segundo alguns autores, ela era motivo de orgulho entre suas ex-colegas prostitutas por ter conseguido chegar ao “posto” de imperatriz. Ela, no entanto, sentia vergonha de seu passado e revoltava-se com o fato de suas ex-colegas vangloriarem-se dessa honra. Para acabar com os comentários, mandou eliminar ou sumir, não se sabe ao certo, com todas as prostitutas da região – cerca de quinhentas.

Como o povo naquela época era reencarnacionista, apesar de ser, em sua maioria, cristão, passou a chamá-la de assassina e a dizer que deveria ser castigada quinhentas vezes em suas vidas futuras, como carma por ter traído suas ex-colegas prostitutas. O certo é que Teodora passou a odiar a doutrina da reencarnação e, como tinha muita influência no meio político e religioso da época, partiu para uma perseguição sem tréguas contra essa doutrina e contra o seu maior e mais antigo defensor entre os cristãos, Orígenes, filósofo grego que viveu em Alexandria, cuja fama de sábio era motivo de orgulho dos seguidores do cristianismo, apesar de ele ter vivido quase três séculos antes, entre 185 e 254.

Como a doutrina da reencarnação pressupõe a preexistência do espírito, Justiniano e Teodora decidiram, primeiro, abalar a doutrina da preexistência, com o que estariam, automaticamente, desestruturando a da reencarnação.

Assim, em 543, Justiniano publicou um edital, em que expunha e condenava as principais idéias de Orígenes, sendo uma delas a da preexistência do espírito. Em seguida à publicação do edital, Justiniano determinou ao patriarca Menas de Constantinopla que convocasse um sínodo (reunião de bispos de todo o mundo), para que os bispos votassem em seu edital, aprovando dez anátemas (condenações) dele constantes contra Orígenes.

O principal anátema que nos interessa é o que trata da preexistência do espírito e que, em sua íntegra, diz o seguinte: “Se alguém diz ou sustenta que as almas humanas preexistiram na condição de inteligências e de santos poderes; que, tendo-se enojado da contemplação divina, tendo-se corrompido e, através disso, tendo-se arrefecido no amor a Deus, elas foram, por essa razão, chamadas de almas e, para seu castigo, mergulhadas em corpos, que ele seja anatematizado!” [O Mistério do Eterno Retorno, pág. 127-127, Jean Prieur, Editora Best Seller, São Paulo, 1996].

Condenando a doutrina da preexistência do espírito, estava automaticamente condenada também a doutrina da reencarnação, sem que com isso fosse, sequer, necessário lançar um edital especial contra ela ou mesmo citá-la a qualquer momento. Como o maior desenvolvimento em poder e crescimento do cristianismo foi no Ocidente, a condenação da preexistência do espírito e da reencarnação se espalharam com ele e é por isso que entre nós hoje parece estranho acreditar nessas duas doutrinas.

No entanto, em suas origens, o próprio cristianismo era reencarnacionista pois, além de Jesus mesmo, ao que parece, ter feito alusão à reencarnação em suas pregações, a reencarnação já era uma crença estabelecida, muito mais antiga que ele e já era plenamente aceita, pois nem fazia sentido para os homens que fosse de outra maneira, já que não fazia sentido que Deus pudesse agir de outra forma, pois seria injusto.

Texto revisado por Cris




por Maísa Intelisano   
Psicoterapeuta complementar com formação em Terapia Regressiva, Abordagem Transpessoal, Florais de Bach, Reiki II e Bioeletrografia, com consultório no Espaço Psicanalítico 267 na Vila Mariana em São Paulo. Mantém também cursos práticos de bioenergias, estados ampliados de consciência e mediunidade. Saiba mais em www.maisaintelisano.com.br
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E-mail: maisa@maisaintelisano.com.br
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