Artigo de Flávio Bastos: Sinto-me excluída! - | Artigos do Clube
 
Sinto-me excluída!  
   

Sinto-me excluída!

Autor Flávio Bastos - flavio01bastos@gmail.com


Com a sensação manifestada em um desabafo durante a primeira sessão de psicoterapia interdimensional, Cristina revela a angústia que a atormenta desde os primeiros anos de sua infância.

Sintomático, sob o ponto de vista psicanalítico e, significativo, sob o prisma da regressão de memória a vidas passadas, a sua sensação sintetiza uma infância reprimida por ter sido uma criança diferente, esperta, questionadora. O inverso de seus pais e irmãos que se acomodaram numa linha comportamental de características conservadoras e conformistas.

Pelo fato de ter sido, sistematicamente, podada em família e na escola, Cristina tornou-se uma adolescente retraída, traumatizada e com medo de se expor em público. Porém, sem perder a sua sede de conhecimento, o que a mantinha focada em seus objetivos de vida.

No entanto, com o passar dos anos a sua angústia de sentir-se excluída socialmente, começou a afetar a sua relação com as pessoas e consigo própria. Em consequência, apareceram os primeiros sinais depressivos, acompanhados da sensação de isolamento e abandono.

Conforme as informações que emergiram de seu inconsciente durante as sessões de psicoterapia de orientação psicanalítica, poderíamos atribuir o seu sofrimento psíquico ao resultado do bullying sofrido na infância, e direcionarmos o tratamento neste sentido e nesta lógica. Porém, um detalhe sobressaiu-se aos demais na associação livre: o fato de Cristina sentir-se excluída desde os primeiros anos de sua vida. Indicativo de que havia, nos recônditos de seu inconsciente, a sintonia do remoto passado.

Portanto, na sequência do processo terapêutico, foi encaminhada a regressão de memória com o objetivo de buscar informações que estabelecessem a conexão presente-passado. Na experiência, Cristina acessa uma vivência na qual experimentara a mesma angústia atual, ou seja, a sensação de exclusão social.

Confinada em uma gruta, por ser considerada (era um homem) ameaça para os habitantes do pequeno povoado, Cristina sente-se extremamente solitária e percebe que se encontra naquele lugar porque praticara atos de agressão física contra pessoas. Condenada a viver reclusa, tem a permissão de sair da gruta somente para saciar a sua sede em uma fonte d´água, fazer as suas necessidades fisiológicas e de higiene pessoal. Fugir nem pensar, porque além de ser vigiada, o povoado era rodeado por uma floresta densa e impenetrável.

Reclusa da vida social e alimentando um sentimento de rejeição, os anos foram passando e debilitando o seu corpo e a sua mente, até desencarnar na caverna onde passara a maior parte de sua vida.

Na sequência da experiência regressiva, Cristina percebe-se como um homem que vive uma vida de viajante, ou seja, é representante de uma empresa e viaja para fazer contatos com outras pessoas. Sente-se feliz na vida que leva, embora não tenha constituído família. Termina a sua trajetória física como aposentado vivendo entre pescadores de um distante povoado litorâneo.

Na terceira vivência, Cristina percebe-se vivendo em meio à natureza. Era bióloga, integrante de uma equipe responsável por pesquisas em uma grande extensão de terras ainda selvagens. Apesar de gostar do que fazia, sentia-se muito solitária e com este sentimento passou o resto de sua vida. Não casou e não teve filhos.

COMENTÁRIO

O principal objetivo da regressão de memória dentro do processo terapêutico é buscar em vivências pregressas, informações como traços de personalidade ou caráter que sintonizem com o momento atual da pessoa, e trabalhar no sentido psicoterapêutico para que a mesma elabore as interpretações da experiência regressiva.

Outro objetivo de igual importância, é o acréscimo de qualidade no nível do autoconhecimento. Principalmente quando o conteúdo da experiência regressiva passa pelo processo de elaboração e compreensão do momento vital.

As sensações ou sentimentos mais intensos, geralmente, tem a sua origem em outras vidas. Por este motivo, é fundamental a regressão além da memória cerebral, porque é na memória extracerebral que se encontram os registros mais antigos do indivíduo dotado de inteligência e livre-arbítrio. Quando a investigação psicoterapêutica é limitada, o resultado torna-se parcial e incompleto.

No caso apresentado, a partir das informações coletadas das sessões de psicoterapia, fomos em busca de mais informações através da regressão de memória extracerebral. E o passado de Cristina nos forneceu respostas que se encaixaram como peças em um jogo de quebra-cabeças de ingredientes psíquico-espirituais. Na primeira vivência, Cristina acessa a origem da sintonia que a acompanha desde a infância, ou seja, a sensação de exclusão social. Aquela vivência "calou fundo" em seu inconsciente a ponto de repercutir na vida presente em forma de sentimento de rejeição. As duas últimas vivências revelam uma Cristina mais saudável, centrada, que interage melhor com o mundo à sua volta, embora a última vivência na qual era uma bióloga, mostre novamente o seu traço de tendência depressiva, solitária e anti-social.

Ao avaliarmos a experiência regressiva de Cristina, verificamos que foi enriquecedora tanto para o processo terapêutico quanto para o seu autoconhecimento. E quando estes fatores se unem, gera o que a psicoterapia interdimensional denomina "associação ideal", isto é, um processo elaborativo que, geralmente, leva a pessoa à autocura de seu desequilíbrio emocional.

OBS: o verdadeiro nome da pessoa foi preservado.



Texto revisado


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Autor: Flávio Bastos   
Flavio Bastos é criador intuitivo da Psicoterapia Interdimensional (PI) e psicanalista clínico. Outros cursos: Terapia Regressiva Evolutiva, Psicoterapia Reencarnacionista, Terapia Floral, Psicoterapia Holística, Parapsicologia, Capacitação em Dependência Química, Hipnose e Auto-hipnose e Dimensão Espiritual na Psicologia e Psicoterapia.
E-mail: flavio01bastos@gmail.com
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Publicado em 22/12/2011
 

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