Artigo de Sonia Maria Milano: Buscando nossa própria identidade - | Artigos do Clube
 
 
   

Buscando nossa própria identidade

Autor Sonia Maria Milano - sonia@soniamilano.com.br


Durante grande parte da nossa vida, nossos pais, ou quem quer que tenha desempenhado esse papel, eram os únicos modelos que tínhamos. Eles nos passaram o conceito de quem somos e, também, os papéis que deveríamos desempenhar. Cada um deles, à sua maneira, nos transmitiu as suas verdades e sua maneira de ver a vida.

Até certo ponto da nossa vida tudo isso tem seu valor. Nossos pais não foram pessoas perfeitas, mas foram os pais perfeitos para nós. Chega, porém, um momento na nossa vida que temos que buscar nossa própria verdade, nossos próprios valores, nossa própria individualidade. Agradecemos, neste momento, os ensinamentos que nos foram transmitidos e começamos nossas batalhas para nos tornarmos autênticos e buscarmos nossa verdadeira identidade. Quando começamos a amadurecer e nos sentimos impulsionados a buscar nosso verdadeiro “eu”, saímos em busca dos nossos arquétipos, nossa verdade pessoal, que nos faz seres únicos neste universo.

Cada um de nós tem um presente a dar à humanidade e esse presente é único. Uma das nossas funções aqui é descobrir qual presente temos para dar ou que viemos dar, e lançar mão desse presente único e original trazendo-o para fora. Esta é a nossa verdade que se manifesta através da nossa individualidade.

A busca desta individualidade começa em deixar para trás as dependências (sejam elas físicas, emocionais ou mentais) de nossos pais. Isto nada mais é do que a constatação do nosso lado sombra. É uma luta que poderá durar a vida toda, pois tudo que não foi resolvido com nossos pais, a educação e os valores que eles nos legaram, é transferido para outros relacionamentos. Quando, durante nosso caminho de transformação e evolução, percebemos que está na hora de resgatar nossa verdadeira identidade que ficou perdida no emaranhado de nossos relacionamentos, não só com pai e mãe mas também com outros seres que a existência colocou na nossa vida, começamos um retorno ao lar, um retorno ao nosso próprio eu que foi se perdendo pelas encruzilhadas e curvas da vida.

A mulher que passivamente se submete aos valores arcaicos da sociedade patriarcal começa a definhar. Tentamos então dar a impressão de que estamos cuidando de tudo, de que tudo está bem e em perfeita ordem. Doce ilusão! Quer seja pela falta de nossa verdadeira identidade, quer seja pela cultura ou criação, ficamos aleijadas quando fingimos que nada disso ocorre. Então, com certeza, a vida encolhe e o preço que pagamos é muito alto. No momento em que nós, mulheres, começamos a ressecar torna-se difícil funcionar através da nossa criatividade, idéias e entusiasmo, potencialidades femininas que só crescem em condições de umidade. Devemos, então, estar alertas para este processo de ressecamento, resultado, às vezes, da demora em buscarmos o nosso verdadeiro eu.

Quando já estamos atrasadas para nossa volta ao lar existe o perigo de perdermos nossas idéias, pois nosso relacionamento com a alma se fragiliza, nosso sangue flui aguado e lento. Os nossos olhos não têm nada que os faça brilhar; os nossos ossos se cansam e nos tornamos cada vez menos capazes de avançar na vida. Enchemo-nos de idéias, deveres e exigências que não funcionam, que não têm vida e que não geram vida. Uma mulher assim torna-se pálida, apesar de briguenta; fica inflexível, embora dispersa. Seu pavio vai ficando cada vez mais curto.

A volta ao lar é de especial importância se a mulher se dedicou profundamente a questões práticas e passou da sua hora. Lógico que o tempo é diferente para cada mulher, mas com certeza todas as mulheres sentem intuitivamente quando demoram demais para retornar ao seu verdadeiro eu.

No entanto, a maioria das mulheres continua sua rotina diária, com ar submisso, agindo como se sentisse culpada ou superior aos outros. “’E, é, eu sei”, dizem elas, “Eu devia... mas, mas, mas...” São esses “mas” nas suas falas que denunciam inegavelmente que se atrasaram. Uma mulher, de iniciação incompleta nesse estado de privação, acredita erroneamente que vai obter mais vantagem espiritual ficando nesta vida do que indo embora. Existem, porém, outros motivos para que a mulher fique dividida. Ela não está acostumada a deixar que os outros remem o barco. Ela é adepta da ladainha que diz: “Meus filhos precisam disso, precisam daquilo e assim por diante”. Ela não percebe que, ao sacrificar sua necessidade de voar, está ensinando seus filhos a fazer os mesmos sacrifícios quando crescerem.
Muitas temem que os que a cercam não compreendam sua necessidade de se reencontrar consigo mesma, uma vez que sua identidade ficou perdida no tempo. E pode ser que nem todos entendam.

No entanto, a mulher precisa aceitar essa necessidade por si mesma. Quando a mulher decide se encontrar, voltando ao seu lar interno onde mora a sua verdadeira identidade, aqueles que a cercam recebem a tarefa da própria definição de individualidade, tendo que lidar com suas próprias questões vitais e isso permite crescimento e desenvolvimento.

O excesso de identificação da mulher com o arquétipo da curadora pode se tornar uma armadilha e uma compulsão para nós mulheres no sentido de “tudo curar, tudo consertar”. É bom ser generosa, delicada e solícita, mas só até um certo ponto. Devemos aprender a colocar limites e dar também oportunidade às pessoas que nos rodeiam, mostrando a elas que também podem aprender a se curar e a serem responsáveis pela sua própria vida e felicidade, sem jogarem isso nas costas da Grande Curadora de Tudo. Além desse ponto, esse arquétipo torna-se prejudicial. Isso é inserido na nossa psique quando somos muito jovens e incapazes de ter uma opinião própria ou de oferecer resistência a essas tarefas que nos querem impor. A não ser que sejamos capazes de desafiar essas imposições, elas acabam se tornando leis.

Prestem atenção, mulheres que dizem estar cheias do mundo, que se sentem cansadas, que têm medo de tirar uma folga, que deixaram de sonhar ou perderam a força para correr atrás dos sonhos. Acordem imediatamente! Embora não se possa voltar para dentro do útero, pode-se retornar ao lar da alma. E não é apenas possível; é indispensável.

É correto e conveniente que as mulheres procurem, liberem, conquistem, criem, conspirem para obter e afirmem o direito à sua verdadeira identidade. Sozinha ou com a ajuda de um terapeuta de sua confiança, entre de cabeça na pesquisa de como você vê seus pais, suas crenças, seus estereótipos e resgate coisas importantes do relacionamento com eles e vá, pouco a pouco, integrando seu lado sombra à Luz. Então verá surgir o verdadeiro ser que você é. Encontrará sua verdade interior que a faz única e diferenciada de todo e qualquer ser ao seu redor.

Muitas descobertas e consciência de si mesma!
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Texto revisado por Cris


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Autor: Sonia Maria Milano   
Sou empresária, escritora, terapeuta e intuicionista. Lidero Movimentos de Conscientização do Feminino. Meu livro “Mistérios do Feminino” ajuda as mulheres trazerem à tona a energia da face feminina de Deus– a energia do amor.
E-mail: sonia@soniamilano.com.br
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Publicado em 02/12/2005
 

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