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O INCONSCIENTE - FONTE DE PROBLEMAS E SOLUÇÕES
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O INCONSCIENTE - FONTE DE PROBLEMAS E SOLUÇÕES

por Osmar Francisco dos Santos - osmar.santos@pop.com.br

   De uma forma bastante simples, a idéia freudiana define o inconsciente como sendo o "depósito" das questões não resolvidas, geradoras de traumas originados entre as lutas entre o "ID", os desejos e o "SUPEREGO",   a sensura; lutas essas que colocaria o "EGO",   o agente social. Desta forma cada material reprimido no inconsciente, corresponderia a uma parte da energia da libido,   subtraída do "EGO", nossa personalidade, ao ponto de com o aumento dessas "pequenas entidades", parte de nós mesmos, amarrarem nossa consciência da realidade. O inconsciente seria uma espécie de "porão de sucatas", cada vez ocupando maior espaço de nossa consciência. Comprometendo assim, grande parte do quantum energético de que dispomos para viver.

Essa idéia freudiana do inconsciente é algo consagrado por todas as correntes de pensamento. Jung, por seu lado, acrescenta ao inconsciente algo novo, que revoluciona o conceito freudiano, sem no entanto invalidá-lo: os arquétipos. Qualidades pré-existentes que após a incorporação do material reprimido, os complexos, levam a pessoa a uma unidade psíquica, organizada em torno de um arquétipo primordial que ele denominou de "SELF", ou "SI-MESMO", no sentido de ser "autogerado". No livro "O HOMEM E SEUS SÍMBOLOS", M.L. Von Franz, grande discípula e colaboradora de Jung, escreve e esclarece sobre a unidade psíquica, com o nome de "PROCESSO DE INDIVIDUAÇÃO", onde a "polaridade", a maior de todas a leis universais,  é amplamente explicada. Outros autores também de grande renome escreveram sobre o tema da individuação, como James Hilman, John Sanford, entre outros.  

O documentário científico, segunda versão "QUEM SOMOS NÓS - UMA NOVA EVOLUÇÃO" (hoje já há uma terceira edição detalhada com mais de treze horas de filme), entre vários assuntos esclarece que pelo nosso cérebro passam cerca de quatrocentos bilhões de bites por segundo (bites é uma medida de informação), e que nós só tomamos consciência de apenas dois mil. Ainda assim, esses dois mil se referem, em sua maioria, a informações básicas para nos orientar, portanto repetitivas. Se dividirmos dois mil por quatrocentos bilhões, teremos o tamanho de nossa consciência,  que é infinitamente menor que um por cento. Por outro lado, o que não tomamos conhecimento é muito maior que noventa e nove por cento de toda realidade que passa por nosso cérebro. 

Refletindo sobre essa realidade, caso ela seja mais ou menos precisa, podemos deduzir que pouco ou quase nada sabemos de nós mesmos e do universo. Na mesma reflexão, deduziremos que um pequeno ganho que obtivermos sobre o nosso inconsciente representa um enorme avanço sobre nossa consciência, o que poderia nos libertar de todo um universo institucional, conforme mostrado na série de filme Matrix. Mais que isso, nos tornaríamos agentes e não reagentes de nossas vidas.  

A dedução que considero ser a mais importante, que advém do conhecimento do que seja o inconsciente, é a de que só conseguimos crescer verdadeiramente a partir de nós mesmos, pois o inconsciente pertence a cada um de nós, uma vez que possuímos identidade distinta, que propicia a realização da unidade perfeita, desde que as riquezas das diversidades sejam respeitadas. Nesse caso, coisas como o amor ao próximo e fraternidade, a não ser que nasçam de nossa consciência mais profunda e livre, são meros discursos vazios. A busca de solução externa, que não é fundamentada em nosso próprio eu, propicia a ilusão de sermos livres dos medos e das angústias existenciais, enganos criados pelos ídolos e doutrinas. Não que vários textos importantes como, por exemplo, O NOVO TESTAMENTO, não sejam válidos e repletos de sabedoria, mas uma coisa é a informação, a escola; a outra é o teatro a vivenciação que possa trazer a transformação, a libertação da consciência interna, esta sim, feita a imagem e semelhança do Criador.  

O inconsciente se revela basicamente pelos sonhos, obras de arte, descobertas científicas e atos falhos, estes quando dizemos ou fazemos algo sem nossa escolha própria. Nesse caso, para o nosso crescimento,  cabe a nós, em primeiro lugar nos certificarmos da existência do inconsciente, podemos começar por um exercício muito simples que consiste em nos questionarmos se sabemos tudo que existe. Se deduzirmos que não sabemos muita coisa, a segunda questão deve ser que tipo de informação nos tornaria mais conscientes de nós mesmos. Em seguida precisamos saber o que são e como funcionam nossas emoções, porque elas podem facilitar ou atrapalhar o foco de nossa mente e,  em conseqüência, afetar nossas escolhas.  

As psicoterapias com fundamentos transpessoais, partindo da melhoria imediata dos fatores da qualidade de vida, buscam durante o desenrolar da relação terapêutica, o autoconhecimento do paciente, onde o envolvimento deste com o processo terapêutico, anotando seus sonhos e criando condições para mudanças, é fundamental, até o ponto que ele possa caminhar por si mesmo.    

 

Dr. Osmar Francisco dos Santos

 

 




por Osmar Francisco dos Santos   
•Participante do Núcleo de estudo Junguiano do Rio de Janeiro; •Palestrante e autor de trabalhos sobre Psicologia Junguiana publicados em revistas universitárias e outras; •Psicoterapeuta transpessoal da linha Junguiana; •Administrador de Empresas e Consultor de Qualidade Total na Área de Recursos Humanos. •Atuação em Consultório particular.
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E-mail: osmar.santos@pop.com.br
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