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Depressão: o momento crucial  
   

Depressão: o momento crucial

Autor Flávio Bastos - flavio01bastos@gmail.com


O desafio da existência humana nos remete a um corpo físico, cujos primeiros responsáveis são os pais biológicos ou substitutos. A partir do momento que atingimos a maioridade, nos tornamos, legalmente, responsavel pelos nossos atos.

No entanto, essa (auto)responsabilidade torna-se relativa à medida que não sentimos segurança psicológica para assumirmos a nossa independência. Imaturos, traduzimos um comportamento de adolescente em corpo de adulto.

O tempo passa e não visualizamos luz no fim do túnel. As crises de ansiedade tornam-se mais intensas. Pinta uma depressão que nos desanima e desequilibra emocionalmente.

Logo nos recuperamos da crise, mas não demora muito aparece outra e mais outra. Quando nos damos conta, a depressão nos envolveu de uma forma mais intensa e nociva. Já não saímos mais de casa com medo do que possa acontecer conosco lá fora. Nos recolhemos para a segurança do isolamento, como o caramujo quanto pressente o perigo externo e refugia-se em si mesmo.

O tempo corre, e quando percebemos estamos envolvidos em uma sintonia que nos puxa cada vez mais para baixo. As crises se intensificam, ganham força e a depressão torna-se severa.

Começamos a questionar o sentido da vida, se vale a pena viver. Nos tornamos uma confusão de sentimentos que nos perturbam e que interferem decisivamente sobre a nossa vontade. Ficamos à mercê dos acontecimentos, pra lá e pra cá, como se fossemos objetos movidos ao sabor das ondas, sem iniciativa ou motivação para viver.

Esse é o momento crucial, é o alerta de que devemos procurar ajuda psicoterapêutica o mais breve possível. Na verdade, já deveríamos ter procurado auxílio quando surgiram os primeiros sintomas depressivos. Relaxamos, achamos que iríamos superar a fase, mas ela mostrou-se forte e insuperável...

Quando nos afastamos de si mesmos, confrontamos com forças oriundas do inconsciente. Quando caminhamos em direção ao autodescobrimento, essa força enfraquece e cede seu lugar à energia pacificadora do autoconhecimento.

Quando saímos do "casulo" da depressão, ganhamos a liberdade da borboleta e fizemos as pazes com o passado. Deixamos de ser vítima para sermos agente de nossa própria vida. Caminhada que exige rítmo em busca de crescimento.

Portanto, seja antes, durante ou depois de uma crise depressiva, o momento crucial é indispensável para que ocorra uma reação de nossa parte. Caso contrário, estaremos à disposição de forças antagônicas em que a energia inconsciente leva vantagem sobre a energia consciente.

Nesse sentido, somos um "emaranhado" de energias intervidas que se perpetuam no nosso comportamento, e que, invariávelmente, manifestam-se nas mais diversas formas de expressão. E a alternativa que temos de quebrar esse padrão (paradígma) comportamental, é, sem sombra de dúvida, o autoconhecimento. Percepção de que apesar de sermos uma continuidade, esse "continuísmo" pode ser interrompido pela conscientização em relação à mudanças de atitudes em nossa vida.

Essa é a "janela", a abertura para o processo de cura interior anunciada pela psicanálise e por todas as escolas de psicoterapia - tradicionais ou alternativas - que investigam o inconsciente humano como forma de encontrar as origens dos desequilíbrios psíquico-espirituais.

É por intermédio de nossa história particular, gravada nas memórias cerebral e extracerebral que devemos pesquisar a fundo as origens de tais desequilíbrios, pois, na verdade, somos uma consequência e uma soma de muitas vidas em uma nova vida. Situação, que ao experienciarmos um trauma psíquico, essa experiência pode sintonizar um trauma ocorrido em vida passada e hipervalorizar as suas consequências na vida atual. São alguns casos que enquadram-se nos diagnósticos de fobia, depressão ou sindrome do pânico.

Portanto, para visualizarmos uma perspectiva de mudança em nossa vida, é imprescindível o momento crucial, pois é através de sua percepção que encaminhamos a possibilidade de adquirirmos um melhor nível de lucidez e de discernimento sobre o que somos e o que poderemos ser.

A seguir, reproduzo o texto "Tédio", escrito por um jovem ex-paciente em tratamento de depressão. Nota-se na leitura - sem prejuízo à sua característica poética - uma melhor percepção em relação a si mesmo inserido em sua realidade circundante. Observa-se também no texto, uma melhora consideravel no seu nível de lucidez e de discernimento à medida que o tratamento encaminha-se para o seu final.

Caminho pelas ruas, ruelas. Caminho com a humanidade. Meu estado de espírito é excitante, confesso que misturo doses de masoquismo. Encontro a humanidade perdida pelas ruas, alcovas, esquinas. O viciado que deslumbra e foge. A prostituta que sorri, mas chora. Felicidade: utopia? Não me preocupo, apenas observo, olho. A noite quente e abafada junta-se com a fumaça do cachimbo, e o tédio é momento, é estado de espírito. Por que fugir?

A vida é feita de momentos que sucedem-se imprevisívelmente. Esse é mais um, bastante solitário, mas incrívelmente excitante. Há padrão de vida ou metodologia do viver? Não há e nem deveria haver, e sim, o raciocínio natural e lógico das coisas - a consciência de vida.

O tédio é realidade em nossas vidas. Por que fugir? Por que sublimar? É reflexo, é acúmulo de vazios. Não é felicidade, nem insegurança... tampouco tranquilidade. É momento.

Psicoterapeuta Interdimensional.

www.flaviobastos.com





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Autor: Flávio Bastos   
Flavio Bastos é criador intuitivo da Psicoterapia Interdimensional (PI) e psicanalista clínico. Outros cursos: Terapia Regressiva Evolutiva, Psicoterapia Reencarnacionista, Terapia Floral, Psicoterapia Holística, Parapsicologia, Capacitação em Dependência Química, Hipnose e Auto-hipnose e Dimensão Espiritual na Psicologia e Psicoterapia.
E-mail: flavio01bastos@gmail.com
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Publicado em 28/09/2010
 

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