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Cala a boca!  
   

Cala a boca!

Autor Flávio Bastos - flavio01bastos@gmail.com


Um recente movimento popular denominado "Cala a boca!" que teve início pela internet e seu ápice em plena copa do mundo da África,  e que visou um conhecido narrador esportivo, no meu entender, expressa a impaciência das novas gerações de brasileiros em relação a pessoas que falam muito ou que tentam enfatizar os seus argumentos ou afirmar as suas idéias, sem, no entanto, demonstrarem convicção ou modéstia. Acredito que esse fenômeno social gerado pela impaciência jovem e dirigido de uma forma transferencial à classe política, seja o resultado da indignação popular relacionada ao panorama político do país, repleto de rumorosos casos de corrupção envolvendo autoridades e governantes.

Em suma: o jovem começa a perder a referência positiva nos políticos e, como decorrência, nas autoridades e governantes, passando a hostilizar a personalidade pública que reúna características semelhantes ao perfil de um político falastrão.

Percebo nesse fenômeno social que invade a internet e que visa, principalmente, comunicadores da mídia - numa espécie de bulling virtual -, o retrato de um Brasil jovem que começa a perder as esperanças em seus políticos que falam muito, mas que deixam a desejar na hora de agir ou de afirmar as suas convicções na práxis administrativa.

A escassez de referência positiva no âmbito político, somado à crise de valores na educação, tem levado muitos jovens a assumirem posturas anárquicas na forma de expressarem a sua rebeldia via internet.

O movimento "Cala a boca!", portanto, é o resultado de uma mistura de ingredientes psíquicos latentes, e que vem à tona visando a "pessoa da vez" de uma forma inconsciente, incisiva e sempre associada à imagem do político tradicional...

A manifestação jovem do "Cala a boca!", por ser sintomática, silenciosa, incisiva e direcionada a um perfil específico, torna-se um fenômeno social que merece atenção dos estudiosos do comportamento humano, principalmente, pelo fato de envolver o técnico Dunga e a polêmica gerada no conflito com a maior rede de televisão do país durante a copa do mundo de futebol, quando muitos internautas partiram em defesa do técnico da seleção, que segundo eles, teve a ousadia de enfrentar uma potência mundial na área das comunicações.

Dunga, a partir da crise com essa emissora, passou a ser uma referência positiva para muitos internautas que viram na atitude do técnico, o exemplo não encontrado facilmente na sociedade atual, ou seja, uma pessoa que reúne traços de caráter distintos de um indivíduo que fala demais, mas que deixa a desejar no momento de cumprir o que fala, que é o caso analisado da imagem dos políticos transferida para certos comunicadores da mídia...

No fundo, o movimento virtual do "Cala a boca!", é um recado a todas as pessoas influentes dessa nação. Uma subliminar mensagem que nas entrelinhas quer dizer: "Falem menos e façam mais por este país".

O manifesto implícito é sintoma de que precisamos criar algo novo em termos de atitude política, pois o atual modelo comportamental parece ter saturado ao ponto de provocar pequenas "explosões" de nível inconsciente em uma parcela da população responsável pelo futuro do país.

Com o nível de informações obtido pelo uso da internet, os jovens brasileiros estão cada vez mais bem informados e esclarecidos a respeito de praticamente tudo o que acontece pelo mundo. Subestimá-los é ignorar que o conhecimento é incorporado através de muitas vivências do espírito imortal. Não nascemos ignorantes ou alienados, e os jovens de hoje por mais ou menos mecanismos de alienação que possam influenciá-los através da mídia, já conseguem discernir quando estão sendo manipulados.

Tudo indica que o "Cala a boca!" não se atribui somente a uma emissora ou a um determinado comunicador, mas a uma tendência generalizada da mídia brasileira em invadir os lares com programas imbecilizantes que não satisfazem uma boa parcela da população. Justamente a parcela que tem acesso a outras opções que a própria mídia oferece através da internet ou de canais exclusivos de televisão.

A confiança no lugar da desconfiança e a esperança no lugar da desesperança é o mínimo que se pode oferecer às novas gerações de brasileiros. E a mudança que precisamos começa com atitudes e exemplos de competência e honestidade no trato com a coisa pública. O resto, como desejam os jovens, é trabalho e silêncio.

Psicoterapeuta Imterdimensional.

www.flaviobastos.com

Texto revisado



  

 


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Autor: Flávio Bastos   
Flavio Bastos é criador intuitivo da Psicoterapia Interdimensional (PI) e psicanalista clínico. Outros cursos: Terapia Regressiva Evolutiva, Psicoterapia Reencarnacionista, Terapia Floral, Psicoterapia Holística, Parapsicologia, Capacitação em Dependência Química, Hipnose e Auto-hipnose e Dimensão Espiritual na Psicologia e Psicoterapia.
E-mail: flavio01bastos@gmail.com
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Publicado em 17/07/2010
 

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