Artigo de Flávio Bastos: Política, alienação e transcendência - | Artigos do Clube
 
Política, alienação e transcendência  
   

Política, alienação e transcendência

Autor Flávio Bastos - flavio01bastos@gmail.com


"Porei minhas leis em seus corações e as escreverei em seus entendimentos" (Paulo)

A política age sobre o psiquismo das pessoas, influenciando seus desígnios e escolhas, bem mais do que podemos imaginar. A política, inclusive, pode ser fator determinante de felicidade ou infelicidade de um indivíduo, ou do bem ou mal estar de milhões de pessoas. É o que veremos a seguir, sob um enfoque que transcende a "razão" científica.

Cientificamente - ou ironicamente - considera-se "alienação mental" o estado mental consequente a uma doença psíquica ou neurológica em que ocorre uma deterioração dos processos cognitivos, de caráter transitório ou permanente. Assim, um indivíduo alienado mental é incapaz de responder legalmente por seus atos na vida social, mostrando-se inteiramente dependente de terceiros no que tange às diversas responsabilidades exigidas pelo convívio em sociedade. O alienado mental pode representar riscos para si e para terceiros, sendo impedido, por isso, de qualquer atividade funcional, devendo ser obrigatóriamente, interditado judicialmente. O conceito de alienação mental é jurídico e não psiquiátrico, cabendo à junta médica fazer o devido enquadramento.

No entanto, para a professora universitária, advogada e filósofa Gisele Leite, o conceito de "alienação" é mais amplo: "O alienado, metafóricamente, é um vendido, um corrompido que perde a coerência". E segue o seu raciocínio: "A fronteira entre o ser e o não ser é extremamente complexa, perigosa e muito pouco explorada. Razão pela qual pouco se tem escrito sobre ela. Talvez por isto, pelo menos para alguns, a alienação permaneça como uma lenda indecifrável e imperceptível". E concluí: "Se a história distancia o homem do animal, a alienação perfaz o caminho inverso, e reanimaliza o homem".

Karl Marx afirmava que a alienação é o processo pelo qual os atos de uma pessoa são governados por outros e se transformam numa força estranha colocada em posição superior e contrária a quem produziu. Já Rahvok, o poeta, alertava: "Seja livre da alienação, tenha opinião própria ou siga o homenzinho invisível com sua desigualdade, regras e te proibindo de ser feliz".

O certo, porém, é que independentemente do modelo político, foi-se uma época em que era "moda" afirmar-se que a participação política tinha papel importante na luta contra a alienação, pois o que observamos hoje no panorama político mundial e, especialmente no nacional, é a corrupção - e a alienação - tomando conta das mentes daqueles que foram eleitos para nos representar, aos quais depositamos votos de confiança em um futuro melhor para todos.

Na verdade, esquecemos que esses "representantes" são tão ou mais alienados que o restante da população. Alienados no sentido da responsabilidade e da grandeza de suas representações políticas na esfera do bem comum.

Na maioria orgulhosos, vaidosos, ambiciosos e gananciosos, deixam-se envolver pelas mafias de colarinho branco que organizam-se conforme interesses escusos. "Querem ser doutores da lei, e não entendendo nem o que dizem, nem o que afirmam" (Paulo).

No livro "Vinha de Luz", por intermédio da psicografia de Chico Xavier, Emmanuel lança um olhar iluminado sobre as sombras da alienação humana: "Muitos espíritos nobres são cultivadores da árvore da verdade, do bem e da luz; entretanto, em toda parte movimentam-se também os semeadores da ignorância, da calúnia, dos espinhos da maledicência. Através deles opera-se a perturbação e o estacionamento. Abusam do verbo, mas pagam a leviandade a dobrado preço, porquanto, embora desejem ser doutores da lei e por mais intentem confundir-lhes os parágrafos e ainda que dilatem a própria insensatez por muito tempo, mais se aproximam do resultado de suas ações, no círculo das quais, essa mesma lei lhes impõe as realidades da vida eterna, através da desilusão, do sofrimento e da morte".

A política humana, que surgiu como uma fonte de inspiração e lucidez para a realização de obras edificantes, deixa-se contaminar pela alienada política de interesses mesquinhos. Contaminação que interfere diretamente na vida dos cidadãos, subtraindo-lhes qualidade de vida e privando crianças, adultos e idosos de uma existência mais saudável e feliz.

Novamente Emmanuel, através da psicografia de Chico, registra em uma frase a alienação do momento político que vivenciamos: "Se praticas a exploração individual, disfarçadamente, mobilizando o próximo a serviço de teus interesses passageiros, ser-te-ão atribuidos admiráveis dotes de inteligência e habilidade; todavia, se te dispões ao serviço geral para benefício de todos, por amor a Jesus, considerar-te-ão idiota e servil".

Estamos próximo do fim do atual paradígma político? Digamos, que pela influência decisiva do próprio homem, os modelos vigentes encontram-se esgotados, ultrapassados e carecem de profundas mudanças...

No blog anaudosinsensatos.blogspot.com/2009, espaço para reflexão sobre temas sociais e políticos, encontramos uma contribuição de Núcia Magalhães que vale à pena registrar: "Precisa-se de loucos, que em seus surtos de loucura tenham habilidades suficientes para agir como treinadores de um mundo melhor. Que olhem a ética, o respeito às pessoas e a responsabilidade social não apenas como princípios organizacionais, mas como verdadeiros compromissos com o universo. Precisa-se de loucos pelo desconhecido que caminhem na contra mão da história, ouvindo menos o que os gurus têm a dizer sobre a mobilidade de capitais, tecnologia ou eficiência gerencial e ouvindo mais seus próprios corações. Precisa-se, simplesmente, de loucos de amor, de amor que transcende toda a hierarquia, que quebra paradígmas; amor que cada ser humano dele despertar e desenvolver dentro de si e por a serviço da vida própria e alheia; amor cheio de energia, amor do diálogo e da compreensão, amor partilhado e divino, do jeito que Deus gosta. As organizações precisam urgentemente de loucos, capazes de implantar novos modelos de gestão, essencialmente focados no ser, sem receios de serem chamados de insanos, que saibam que a felicidade consiste em realizar as grandes verdades e não somente ouvi-las".

E conclui Emmanuel, com muita lucidez: "O mal, para ceder terreno, compreende apenas a linguagem do verdadeiro bem; o orgulho, a fim de renunciar aos seus propósitos infelizes, não entende senão a humildade. Sem espírito fraternal, é impossível quebrar o escuro estilete do egoísmo. É necessario dilatar sempre as reservas de sentimento superior, de modo a avançarmos, vitoriosamente, na senda da ascensão".

Psicoterapeuta Interdimensional.

www.flaviobastos.com 



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Autor: Flávio Bastos   
Flavio Bastos é criador intuitivo da Psicoterapia Interdimensional (PI) e psicanalista clínico. Outros cursos: Terapia Regressiva Evolutiva, Psicoterapia Reencarnacionista, Terapia Floral, Psicoterapia Holística, Parapsicologia, Capacitação em Dependência Química, Hipnose e Auto-hipnose e Dimensão Espiritual na Psicologia e Psicoterapia.
E-mail: flavio01bastos@gmail.com
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Publicado em 26/03/2010
 

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