Artigo de Flávio Bastos: O beijo de Francisco Bernadone - | Artigos do Clube
 
O beijo de Francisco Bernadone  
   

O beijo de Francisco Bernadone

Autor Flávio Bastos - flavio01bastos@gmail.com


"O amor é como um fluído. Preenche fendas. Preenche espaços vazios por sua própria conta.Somos nós, são as pessoas que o impedem, eregindo falsas barreiras. E quando o amor não pode encher nossos corações e mentes, quando estamos desligados de nossa alma, cuja essência é amor, todos enlouquecemos" (Brian Weiss)

Há oitocentos e trinta anos atrás, nascia em Assis, Itália, um ser humano diferente, anticonvencional, que notabilizou-se pela sua passional dedicação aos pobres e à natureza. Era uma época convulsionada por disputas territoriais e guerras religiosas.

Francisco Bernadone era filho de um rico comerciante de tecidos. Teve uma juventude frívola e descuidada em companhia de outros jovens boêmios. Porém, em 1198 acontece um conflito em Assis, entre a nobreza e os comerciantes. Os nobres se retiram em Perusa, uma pequena cidade próxima de Assis, onde Francisco fica preso até o ano de 1204.

Ao retornar para Assis, Francisco doente, começa sua conversão gradual, se dedica a dar esmolas e oferece até suas roupas aos pobres. Tem visões e começa a desprezar o dinheiro e as coisas mundanas. Até que ele encontra um leproso, lhe dá esmola e um beijo, e este acontecimento marca tanto a sua vida, que dos muitos fatos ocorridos em sua vida, este foi o primeiro que entrou em seu testamento "pois o que antes era amargo se converteu em doçura de alma e corpo".

Um dia, na Igreja de São Damião, pareceu-lhe ouvir uma imagem de Cristo dizer-lhe: "Francisco, restaura minha casa decadente". Tomou no sentido literal as palavras que ouvira e vendeu mercadorias da loja de seu pai para reformar essa igreja. Como resultado, seu pai, envergonhado do novo gênero de vida adotado por Francisco, queixou-se ao bispo de Assis da prodigalidade do filho e, diante do prelado, pediu ao filho que lhe devolvesse o dinheiro gasto com os pobres. A resposta foi a renùncia a vultuosa herança: despindo as suas vestes, Francisco exclamou "...doravante não direi mais pai Bernadone, mas pai nosso que estais no céu...".

Como resultado, seu pai repudiou-o e deserdou-o. O jovem rico saiu de casa, sem dinheiro algum, para unir-se à "irmã pobreza".

Trés anos mais tarde, autorizado pelo papa Inocêncio III, Francisco e seus onze companheiros tornam-se pregadores itinerantes, levando Cristo ao povo com simplicidade e humildade.. Começou assim, a Ordem dos Frades Menores, e por toda a Itália os irmãos conclamavam o povo, de classe baixa ou alta, à fé e à penitência. Recusavam posses, conhecimentos humanos ou mesmo promoção eclesiástica...

COMENTÁRIO

Sempre chamou-me especial atenção, a biografia de Francisco de Assis. Uma vida em que ainda jovem, fora uma pessoa comum, "frívola e descuidada", mas que a partir de um gesto simbólico que marcou a sua vida, o beijo no leproso, tornara-se, uma trajetória marcada pela renúncia à sua condição de nobre, à posses e, posteriormente, à promoção eclesiástica.

Na verdade, analiso a "transformação" de Francisco Bernadone como um permanente desafio à ciência, porque a sua biografia, repleta de acontecimentos anticonvencionais, deveria ser um "prato cheio" da análise de seu comportamento no sentido clássico, convencional. Um verdadeiro paradoxo que reúne simbolismo e renúncia como forma de libertação de um "estado de coisas" que, provávelmente, estivesse levando-o a um estado de depressão.

No entanto, a coerência de sua trajetória vital, a partir do "beijo simbólico e da renùncia" parece-nos transcender aos clássicos conceitos científicos, como por exemplo, um possível diagnóstico de esquizofrenia. Lembrando que o jovem Francisco, nessa época, além de seu comportamento anormal, incomum, tinha visões e recebia mensagens do além...

Reporto-me ao exemplo de Francisco de Assis, como poderia destacar a biografia de outros tantos seres humanos canonizados pela Igreja. Mas a trajetória de Bernadone é especial porque reúne uma série de detalhes que contraria a ciência oficial, criando dessa forma, um interessantíssimo paradoxo tanto para as ciências do comportamento humano como para a estrutura hierárquica da própria Igreja.

Acredito que Francisco de Assis tenha nos deixado uma grande lição de amor, mas, ao mesmo tempo, um desafio em relação a esse amor ao qual ele vivenciou apaixonadamente: o desafio de aprendermos a praticá-lo na mesma intensidade e grandeza...

Talvez,  o exemplo de Francisco Bernadone tenha a ver com uma genial frase de Moliére: "O amor é um mestre admirável que nos ensina a ser o que nunca fomos; e muitas vezes, com as suas lições, muda completamente, e num instante, os nossos costumes...".

Psicoterapeuta Interdimensional

www.flaviobastos.com


Obrigado por votar
Gostou deste Artigo?   Sim   Não   

Autor: Flávio Bastos   
Flavio Bastos é criador intuitivo da Psicoterapia Interdimensional (PI) e psicanalista clínico. Outros cursos: Terapia Regressiva Evolutiva, Psicoterapia Reencarnacionista, Terapia Floral, Psicoterapia Holística, Parapsicologia, Capacitação em Dependência Química, Hipnose e Auto-hipnose e Dimensão Espiritual na Psicologia e Psicoterapia.
E-mail: flavio01bastos@gmail.com
Visite o Site do autor e leia mais artigos.

Publicado em 20/03/2010
 

Deixe sua opinião sobre este artigo



Acessar seu Clube STUM
Faça
seu login


© Copyright 2000-2017 SOMOS TODOS UM - O conteúdo desta página é de exclusiva responsabilidade do Participante do Clube. O Stum não se responsabiliza por quaisquer prestações de serviços oferecidos pelos associados do Clube, conforme termo de uso STUM.