COMO NASCE, COMO VIVE...por Vera Ghimel - veraghimel@oi.com.br e veraghimmel@yahoo.com.br
Recebi da amiga virtual Rose alguns textos contidos em livros e um, em especial, despertou a minha atenção. Chama-se "Como seu nascimento afeta seus relacionamentos", de Sondra Ray e Bob Mandel, Editora Gente, pois é matéria que desenvolvo em meu consultório de terapia. Durante o processo, ajudo a reprogramar esse nascimento para que esse manual de funcionamento seja mais interessante e benéfico para o paciente. Eu canalizo esse registro e a pessoa o redefine através de uma nova leitura. Em resumo, eu mostro como foi e a pessoa o modifica com frases e sentimentos mais acolhedores, enfim tudo o que queria ter vivido na ocasião.
Esse texto resume, de uma forma bem sucinta, os tipos de nascimento e suas conseqüências na vida pessoal. Vou resumir essas observações do casal, contidas no texto do livro, a seguir.
Segundo o livro, e eu concordo por experiência em atendimento, que a nossa vida é padronizada (eu incluo nesse momento o que eu chamo de nosso manual de funcionamento) pela forma com que entramos na vida ao nascer. Nossos corpos emocional, mental, espiritual e físico ficam com esses registros desde a estadia intra-uterina até, inclusive, na hora de sair, em nosso banco de memórias de nossas células. Essas informações irão influenciar a forma com que você vai lidar com a vida, como se fosse uma matriz. Em meu consultório procuro sempre rematriciar esse momento, pois é importante que se modifiquem essas informações. Eu sempre falo que todos nós chegamos aqui enguiçados.
Um parto mesmo normal, no tempo certo, com as condições médias de nascimento, deixam marcas. Poucos podem desfrutar de um perfeito nascer. O ideal é na água, em ambiente calmo, sem pressa e de pensamentos positivos e receptivos. Quem dera que todos nascessem assim. As mulheres são induzidas a ficarem urrando para o bebê sair e eles, coitados, parecem que estão num corredor polonês ou numa arena onde ainda os espera uma boa palmada para que chorem. Imediatamente, o médico corta o cordão de uma forma brusca, desconectando aquela criança de sua mãe e a levando para um local frio para ser aspirada. Se sobreviverem a tudo isso, mais tarde é que vão retornar aos braços de sua mãe que fica um tempo dormindo para se recuperar daquele verdadeiro Indiana Jones Materno. Coitados dos índios se dependessem disso para nascerem... Nem precisa dizer que essa criança entrou na vida com um manual de funcionamento que é "tenho que me esforçar pra sobreviver" e isso a perseguirá por toda a existência e ela nem desconfia de onde veio.
Imaginem então uma criança que não foi desejada! Aquela gerada por falha de pílula, relacionamentos paralelos ou até mesmo estupro. Vai nascer sob a égide de não te quero aqui. Possivelmente viverá com a sensação de inadequação ao longo de sua vida ou mesmo de que não é boa o suficiente para ser amada pelas pessoas, afinal não queriam que ela nascesse. Se relacionará com a vida e com as pessoas sempre de forma "acidental".
O que dizer de uma criança que nasceu num sexo que não era o esperado pelos pais. Ficará com uma confusão de como se comportar para ser aceita pela família, buscando aprovação em tudo que fizer. Terá dificuldade de se relacionar com pessoas do mesmo sexo e/ou ter medo de assumir seu sexo. Terá medo de não se sentir aceita, sentir-se-á triste, zangada ou magoada nos relacionamentos. Não saberá o que é esperado dela nem o que receber dos relacionamentos. Freqüentemente verá o mundo como um local hostil e sentirá o mesmo nos relacionamentos devidos aos problemas de identidade sexual. Algumas vezes se sentirá mais feliz sozinha.
Gestantes que tiveram problemas no parto trazem para a criança o sentimento de não mereço ser amada, pois fiz minha mãe sofrer ou quase morrer. Dirá "sempre magôo aqueles que amo". O que invariavelmente acaba acontecendo, pois se repetirá o que o bebê tiver registrado naquele momento. Ou mesmo passará a vida toda escondendo o seu lado "mal ou ruim" para não ser descoberto como alguém que verdadeiramente fez algo de mal no nascimento.
Quem nasce rapidamente, embora não represente um problema para si mesmo, acarreta problemas para outras pessoas. Ela pode adotar por ter nascido rápido: "Tenho que diminuir meu ritmo para sobreviver", "as pessoas se ressentem comigo por eu conseguir tão facilmente". Essa criança crescerá sendo impaciente. Pode sofrer de claustrofobia, devido a ter ficado presa no colo do útero. Na maioria das vezes essa pessoa com parto rápido: se sente impelida e nervosa, está sempre correndo; sente que seu parceiro a apressa e não tem escolha; algumas vezes se sente culpada por "atropelar" as pessoas; sempre quer urgência em tudo; sempre tem muita energia; algumas dizem que sentem facilidade em ser bem-sucedida; freqüentemente desejam e buscam velocidade e seus parceiros não conseguem acompanhá-las.
As pessoas com partos demorados: freqüentemente esperam até que as coisas fiquem assustadoras; sentem necessidade de "quebrar paredes de resistências" e não conseguem; sentem-se impotentes e desamparadas; freqüentemente seus parceiros as refreiam nos relacionamentos; sentem-se inseguras no corpo; algumas reclamam de problemas na coluna; outras de não conseguir o que querem, quando querem; algumas pensam que "para evitar que as pessoas me atrapalhem, tenho que partir."
Partos prematuros indicam pessoas madrugadoras, dorminhocas e até postergadoras. Todas as suas atividades no que se refere ao tempo podem estar relacionadas à hora do seu nascimento. Você é uma pessoa de atividades noturnas? Sente-se melhor à tarde? A hora do seu nascimento pode ser a parte do dia mais traumática para você. Se nasceu de manhã, não se surpreenda se as horas de pique matinal forem particularmente difíceis para seu espírito. Se nasceu muito cedo ou muito tarde, isso pode ter contribuído muito para sua característica de estar sempre adiantado ou atrasado.
Uma afirmação importante é: "Estou sempre no lugar certo, na hora certo, plenamente bem-sucedido na atividade certa para mim. Outra é: "O tempo está a meu favor. Ser dono do seu relacionamento com o tempo significa administrar a vida como um todo - sair do ciclo nascimento/morte e seguir o curso natural às coisas, segundo o livro de Sondra Ray e Bob Mandel. No caso de um nascimento prematuro em que a criança fica na incubadora, tentamos descobrir a razão específica de a pessoa não ter completado seu tempo. Talvez a mãe estivesse doente, ou suas vibrações não fossem tão boas e a pessoa se sentiu insegura de continuar ali. Tais bebês então desenvolvem conceitos do tipo: "Sou fraco", "sou pequeno", "não vou conseguir". O fato de terem, muitas vezes, ficado amarrados à cama, gera também esses conceitos.
Essas pessoas devem ser encorajadas a perceber que podem ser independentes e sobreviver. Tendem a atrair pessoas dependentes delas, o que reforça a neurose da incubadora. Essas pessoas: se sentem inseguras; sente-se à frente de todos os demais; são imaturos em seus relacionamentos; são extremamente vulneráveis; freqüentemente são pequenos e se sentem insignificantes.
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