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A Caminhada Espiritual - Uma Alegoria Zen - Procurando o Touro - Bruno Weyting Calabria
 
A Caminhada Espiritual - Uma Alegoria Zen - Procurando o Touro
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A Caminhada Espiritual - Uma Alegoria Zen - Procurando o Touro

por Bruno Weyting Calabria - brunocalabria@hotmail.com

Impossível não ter a alma transportada para outras dimensões, após a leitura deste texto, uma antiga e maravilhosa alegoria Zen para as dez etapas do processo de Iniciação espiritual intitulada "Apascentando o Touro", na versão contida na obra O Zen e a Oaska do Mestre Joaquim José de Andrade Neto. Devido a limitações técnicas, reproduzo os primeiros tres quadros, sem as ilustrações, e assim por diante, até o décimo quadro.



O HOMEM E O TOURO NA CAMINHADA ZEN 



PROCURANDO O TOURO

Como viajeiro caminhante em andrajos, sedento e faminto, subo montanhas distantes, fugindo de labirintos. Por trilhas e sendas errantes, constantes privações enfrento buscando um touro que pressinto ser a causa de meu tormento.

O homem que até então vivia engolfado no mundo material manifesta os primeiros lampejos de consciência, os primeiros sinais de estar transcendendo a ilusão. Ele procura agora a resposta para o sentido de sua existência. Busca, incessantemente, conhecer a causa de todos os problemas. Sente-se exilado de sua casa, de seu próprio ser, e pressente que esse exílio provenha de um estado de dormência espiritual. O anseio de encontrar o touro - conhecendo a origem do mal - é o primeiro sinal de que um homem se encontra preparado para seguir no caminho da espiritualidade.

 

RASTREANDO O TOURO

Examinando o chão, consultando os astros, sob grande tensão busco encontrá-lo nos rastros. Serão essas suas pegadas? Ou será mais uma decepção, nova pista errada nessa incansável jornada?

O rastreamento do touro representa o estágio que precede a Iniciação. Trata-se de uma etapa marcada pelas frustrações diante das falsas pegadas que acabaram por levar o buscador a falsos mestres ou a falsos meios de iluminação, como a ciência profana, a astrologia, as crenças, os dogmas, os ritos e as magias. Este é o momento em que tem início o processo de desilusão, que permitirá discernir entre o falso e o verdadeiro, entre a mentira e a verdade. Trata-se de uma etapa necessária e imprescindível, porque o homem só desfruta realmente dos benefícios da verdade quando já conheceu o sofrimento causado pela mentira.





ENCONTRANDO O TOURO

Um dia, porém, quando a alvorada as trevas com sua luz rompia,
eis que um encontro tive com o touro na pradaria. De repente, indômito e feroz bufando, o olhar selvagem a mim voltando, permitiu-me, perplexo, reconhecer nele meu rebelde e descontrolado ser.


No momento em que encontra o touro, o homem descobre seu próprio descontrole mental. Pela primeira vez compreende que a causa de todos os seus problemas é uma grande subversão que imperava em seu mundo interior: a mente, que deveria estar na condição de escrava, fazia, no entanto, papel de senhor e amo. E o espírito, cujo posto deve ser a vanguarda, angustiava-se, fora de lugar, na retaguarda. Nesse momento da mais alta importância, o discípulo consegue começar a dirigir sua atenção a si mesmo, ao seu eu verdadeiro, e deixa então de identificar-se com sua imagem, com aquilo que parece ser aos outros.




... SEGUE











por Bruno Weyting Calabria - brunocalabria@hotmail.com   
“..nos mesmos rios, entramos e não entramos, somos e não somos” Heráclito de Éfeso"
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