Ser Chanel - Andrea Pavlovitsch
 
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Ser Chanel

por Andrea Pavlovitsch - andreapavlovitsch@uol.com.br

"Quantos cuidados uma pessoa precisa tomar quando decide não ser algo, mas sim alguém". [ Coco Chanel ]

Coco Chanel


Acabo de assistir o filme que passou na GNT sobre a vida de Coco Chanel. Confesso que não conhecia muito sobre ela e assistir o filme abriu um novo horizonte na minha vida. Eu sempre adorei biografias e ler como as pessoas conseguiram superar os seus dramas. Isso é usar o exemplo para si e não precisar passar por absolutamente tudo na vida, escolhendo o que é bom e o que não é. Então, tudo sempre me ensina muito, e não poderia deixar de ser com Coco Chanel.

Ela, de fato, era uma mulher que não se encaixava nos padrões. Não gostava do óbvio, não entendia porque as mulheres ainda usavam o que usavam, ainda se sentiam menos. Ela nunca se sentiu menos, mesmo depois de uma história de abandono na infância, com a morte da mãe e o abandono do pai. Para a maioria de nós, isso já seria motivo para não conseguir nada na vida, apoiados na nossa própria desgraça e vitimismo. Mas ela é um dos milhões de exemplos de fazer de um limão, uma limonada.

Desculpem minha ignorância assumida e partilhada, mas eu não tinha idéia que metade do meu guarda-roupa foi inventado por ela. As calças, o pretinho básico, os colares de pérolas, a famosa camélia (tenho uma pequena coleção de flores para o cabelo e para as roupas). Isso tudo saiu da cabeça de uma mulher que, influenciada pela depressão e a guerra que assolaram a Europa, queria só que as mulheres se sentissem confortáveis, sem perder a elegância. E não é isso que buscamos até hoje? Coisas que nos facilitem, que nos deixem confortáveis, mas sem perder a beleza jamais. Isso é tão feminino que contrasta completamente com o jeito "masculino" de ser de Chanel.

Ela conseguiu unir as duas coisas e usar o que era necessário em cada momento. Em alguns momentos, ela era um homem necessário, cheio de determinação e ousadia. Em outros era, uma mulher frágil, abandonada por seus amantes que tinham, naquela época, muita dificuldade em lidar com seu espírito forte. Era uma alma que gritava, alguém que deixou esta alma sair. Aprendeu a lidar com seu ego, mesmo que tenha lhe custado o amor da sua vida.

Como eu disse, é tão bom aprender com os exemplos. Admiro esta mulher porque ela teve coragem de ser ela mesma. Até ser rude e de personalidade difícil, como ela mesma admitia. Até seus defeitos ficavam tão claros e assumidos, que perdiam o ar de dificuldade. Foi alguém que veio mostrar às mulheres que é possível sim, ter um trabalho que se ama, que se dedica quase que 100% do seu tempo, e ainda sim ser mulher. Com suas pérolas, com sua vaidade, com seus amores e amantes, com amigos e família.

Acho que um novo termo pode ser cunhado: ser Chanel. Não só usar a sua bolsa ou seus ternos, mas usar a sua vontade, a sua coragem. Vestir um Chanel é vestir a mulher guerreira com uma camélia. É usar as suas armas femininas, ao invés de fingir ser um homem. Calças são superconfortáveis e as pérolas são sempre lindíssimas. Mas o melhor é se vestir de você mesma. Colocar um "seu nome" original (nada de imitação chinesa) e sair por aí com a cabeça erguida, sabendo que você pode tudo, por pior que tenha sido tudo até aqui. É a sua vida e você pode fazer o que quiser com ela. Isso Coco Chanel me ensinou e passará a ser mais uma das minhas inspirações. Ser forte, sem deixar de ser frágil. Misturar o masculino e o feminino em nós. Ser controversa, sim, e aceitar que somos meros mortais.

Texto revisado





por Andrea Pavlovitsch - andreapavlovitsch@uol.com.br   
Andrea Pavlovitsch é psicoterapeuta e escritora. Para informações sobre atendimentos e para receber artigos pelo e-mail contate andreapavlovitsch@uol.com.br.
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