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Desapego

por Alexandre Rodrigues Vieira - alexrvieira@yahoo.com.br

 

"...E o futuro é uma astronave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo, nem piedade
Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença
Muda a nossa vida
E depois convida
A rir ou chorar...

Nessa estrada não nos cabe
Conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe
Bem ao certo onde vai dar
Vamos todos
Numa linda passarela
De uma aquarela
Que um dia enfim
Descolorirá..."

                                          (trecho da música "Aquarela")

    Você já deve ter ouvido essa música, um dos mais belos clássicos da nossa MPB. Mas, Você já parou para refletir sobre o que diz a sua letra? Toquinho e Vinícius, com o toque próprio dos gênios, falam de forma singela e adequada para o mundo infantil, mas que também encanta os adultos, sobre questões tão difíceis e profundas, como a morte e o desapego.

    Tentamos controlar o futuro, pois é extremamente difícil para nós aceitar que tudo na vida é impermanente, e quase tudo imprevisível. Queremos saber o que virá pela frente. Queremos saber o que fazer com o que virá pela frente. Mas, o futuro é uma astronave que apenas tentamos pilotar. E sem pedir licença muda a nossa vida e só depois nos convida a rir ou chorar... Por isso a ansiedade é a mola mestra de tantas doenças reinantes nos nossos dias. Cedo ou tarde descobrimos que não há como controlar o rumo que a vida, na maior parte das vezes, "escolhe" para nós. E essa descoberta gera o medo do desconhecido, do vazio, das perdas, da extinção ou da morte.

    Temos medo da realidade, do que é. Tudo é desconhecido. Sabemos tão pouco sobre nós mesmos ou sobre os outros. O vazio é a nossa condição necessária. É do vazio que tudo é gerado. A morte é uma questão de tempo, a única certeza. Vivemos com medo da vida como ela é e  continuará sendo. Como não aceitamos essa realidade, tentamos a todo custo mudá-la, controlá-la. É essa tentaviva inútil que nos leva ao desespero, agarrando-nos a certezas fugazes e inúteis, bens perecíveis, aparências superficiais e destrutíveis, além de adotarmos comportamnetos inadequados a uma convivência saudável com desconhecidos ou mesmo com quem costumamos dizer que amamos.

    A vida é uma "linda passarela de uma aquarela que um dia enfim descolorirá". Para algumas pessoas o sentido desses lindos versos, a morte inevitável de tudo que vive, pode parecer triste ou até mesmo, mórbido. Melhor não falar sobre isso, esquecer esse assunto. Talvez seja melhor encontrar uma maneira dessa aquarela não descolorir ou, quem sabe, se não houver outro jeito, que isso só aconteça Deus sabe quando... Mas não tem outro jeito.     Tudo que é vivo nasce, cresce e morre. Qualquer tentativa de driblar essa condição da vida só leva a não aceitação e ao desespero (ansiedade, depressão, fobias, Transtorno obsessivo-compulsivo, Síndrome do Pânico, compulsões e vícios, suicídio).

    Controlar, ou melhor, tentar controlar as pessoas e as coisas da vida não é uma solução para o inevitável. O melhor é praticar o desapego, deixar as coisas serem como elas são, sem tentar reter o que não é seu, sem querer que tudo seja do seu jeito, ou que as pessoas sejam como você acha que deveriam ser. Isso não significa ser passivo diante da vida ou das pessoas. Confundir as duas coisas, desapego e passividade, pode gerar muitos problemas. Por isso esse assunto será melhor discutido no próximo artigo.

 




por Alexandre Rodrigues Vieira   
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