Muito prazer, eu sou a vida! - Flávio Bastos
 
Muito prazer, eu sou a vida!
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Muito prazer, eu sou a vida!

por Flávio Bastos - flaviolgb@terra.com.br

O olhar humano sobre o prazer nos remete a Adão e Eva e o pecado original. A partir dessa "verdade" bíblica, toda forma de prazer, principalmente o sexo, fica mais próximo de Satanás e distante de Deus.

Pelo viés religioso, distorcemos uma característica genuínamente humana: sentir prazer! Pela ótica religiosa, condenamos o desejo a arder nas labaredas do Inferno.

O poder religioso da Idade Média decretara: "A partir desta data, o indivíduo que sentir prazer... gozo ou manifestar desejo, estará sujeito às severas penas da Inquisição".

A partir de então, o desejo vestiu uma carapuça negra e perdeu-se no labirinto de uma época de trevas. O medo... a paranóia, tomou conta de corações e mentes. A proibição... a tentação. A obediência cega... o salvo-conduto e a garantia de vida. O inferno nunca teve tantos hereges...

Os respingos desta época de desejos reprimidos pela severa censura a serviço da verdade incontestável, encontra-se ainda em nossos inconscientes... porém, agindo de uma forma mais branda, orientado pela herança cultural e amenizado pela brisas da mentalidade do Terceiro Milênio.

A partir da segunda metade do século XX, o prazer passa a ser novamente sentido. O desejo, antes uma heresia, recupera a sua expectativa de gozo e satisfação. A Luz, aos poucos, desafia as sombras e ocupa espaços em corações e mentes.. A alma sai da masmorra medieval para expressar sentimentos, sensações e plenitude...

A vida se renova a cada ciclo evolutivo da humanidade. O homem aprende com o próprio erro, e cada aprendizado é um novo degrau que surge na escalada do espírito.

Somos pura emoção e sentimentos que estão conectados à alma. Separá-los é violentar o que o homem tem de mais autêntico: a expressão de sua liberdade!

No entanto, o homem não vive só de prazer. O sofrimento, a dor são companheiras de jornada que resistem ao avanço do tempo. E entre as experiências de prazer e dor, buscamos o ponto de equilíbrio. Equilíbrio que permita a percepção dos significados do amor. Mas não o "amor" fechado, enclausurado, manipulado e distante da compreensão humana. Mas o al-mor, representado por sentimentos, emoções e sensibilidade que emanam da alma...

A verdade que procuramos não é absoluta, suprema, incontestável, inquestionável ou inatingível. A verdade que buscamos é, simplesmente, a verdade de cada ser inserido na realidade de seu contexto existencial e universal. Por isso, a vida é um labirinto a ser percorrido com luz própria... a consciência e guia do caminho.

Prazer e dor, sofrimento e desejo, são inerentes à natureza humana... não temos como evitá-los nem com decreto-lei. Devemos, isto sim, desfrutar dos prazeres que a vida oferece. Intensidade que nos impulsiona naturalmente para o belo e o saudável de nossas vidas.

Buscamos o prazer na intensidade das relações afetivo-sexuais, mas buscamos também o prazer na transcendência, porque somos corpo e espírito direcionados para a completude...

Buscamos no prazer e na dor o sentido da vida, e encontramos as respostas ao elaborarmos experiências à nível consciente. Consciência que nos proporciona paz de espírito e percepção de equilíbrio vital.

Portanto, viva com prazer, com intensidade e equilíbrio. Viva com paixão... mas não esqueça da razão. Amargar os dissabores da vida é a porta de entrada  de doenças pelo processo inconsciente da somatização. Para uma perda existe sempre um ganho, uma conquista, um aprendizado ou um recomeço. Para uma desilusão existe sempre a possibilidade de um sonho tornar-se realidade...

Tudo na vida tem o seu momento... o seu tempo. E a experiência amorosa, quando alimentada pelas energias do prazer. desejo, paixão, razão, empatia e equilíbrio, cedo ou tarde, encontrará - ou reencontrará - a sua sintonia. Basta para isso, acreditar, porque somos seres naturalmente orientados para a busca da felicidade em nossas vidas.

Psicoterapeuta Interdimensional.

www.flaviobastos.com


por Flávio Bastos - flaviolgb@terra.com.br   
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