PORQUE JESUS NASCEU EM BELÉMpor Alberto Carlos Gomes Lomba - alhan@superig.com.br
Como jornalista e não como historiador religioso, venho pesquisando, há algum tempo, o relacionamento do espiritismo com o Antigo e o Novo Testamento e tenho obtido respostas surpreendentes. Uma delas se refere ao local de nascimento de Jesus, uma vez que sendo seus pais, José e Maria, residentes em Nazaré tiveram que se deslocar para Belém.
Os evangelistas, Mateus, Marcos, Lucas e João, em suas narrativas diferem, em muitos pontos.
Mateus - do grego Matháios que significa “dom de Deus” e cujo nome em hebreu era Levi -se preocupou mais com a “logia” de Jesus, ou seja, seus discursos e os traduziu do hebreu como podia e escreveu seu evangelho dirigido aos judeus. Marcos - ou João Marcos, sobrinho de Paulo - tinha o nome João que era hebraico e Marcos que era de origem romana; por este motivo seu evangelho foi escrito para os romanos e por isso retirou dos textos, as profecias. Lucas - abreviação do nome latino Luciano - foi o único que não conviveu com Jesus e sua narrativa lhe foi ditada por Maria, mãe do Mestre, embora tenha influências de Paulo, pois Maria e Paulo viajavam juntos. Coube a João - “o discípulo amado” - escrever um evangelho místico e psicografado que acabou sendo completado pelo Apocalipse. Estas apresentações servem como preâmbulo para se entender o porque de Jesus nascer em Belém.
Na verdade sabemos que César Otávio Augusto teria ordenado um censo em todo império romano. E os Evangelistas explicam que as pessoas teriam que ir “às cidades de origem”. Aqui começa a explicação mística de que, sendo prático, o governo romano não tinha como praxe fazer censos onde todos os habitantes do império se locomovessem para suas cidades de origem, o que seria impraticável naqueles tempos, onde os meios de transporte eram rudimentares: cavalos, carroças ou mesmo a pé. Leve-se em conta também, que Roma se preocupava mais com a parte financeira dos reinos conquistados. Sabiam que o agricultor não poderia abandonar o campo pois causaria queda de produção, mesmo com um possível revezamento de pessoas; que o comerciante não poderia largar sua loja e não vender nada. Sem contar o prejuízo monetário da locomoção.
Vamos dar um exemplo. O governo brasileiro resolve fazer um censo e orienta que cada cidadão vá para sua cidade de origem. Seria impraticável também, uma vez que muitos teriam que voltar para Europa, Ásia, África e tantos outros lugares. Os nordestinos radicados em São Paulo teriam que voltar para suas cidades de origem. Isto causaria um transtorno e levaria anos para se concretizar.
A VISÃO MÍSTICA-ESPIRITUAL
Na realidade a corrente mística-espiritualista não contradiz nem os fatos históricos e nem as profecias. Admite que os romanos realmente realizavam censos, mas que estes eram numéricos e que cada cidadão se alistava na própria cidade onde residia. “E cada um ia alistar-se na cidade própria...” Lucas. Aqui, os místicos defendem a tese de que o termo “cidade própria” estaria indefinido. Na que morava ou na que nasceu? O fato da locomoção de José e Maria para Belém teria um aspecto altamente místico e expressivo. Lá existia uma escola iniciática que era dirigida pelos Essênios e tradicional no profetismo judaico.
Belém de Judá significa “Casa do Pão”. Não material e sim espiritual e todo aquele que queria a sua elevação sublime deveria freqüentar este estabelecimento místico. E para esta escola se dirigiu José, pois tanto quanto Maria, tinha a intuição do “Deus Conosco”. Belém era a cidade de David - o “Bem Amado” - o Santuário do Amor feito Homem. E José tinha suas raízes no clã de David.
Outro fato que os espiritualistas apresentam é que José teria ido à cidade de seus antepassados como numa volta às vidas anteriores, enfim, lembranças de outras reencarnações, um conjunto de todo o caminho feito pelo seu espírito. Neste momento Maria sente as dores do parto e não havendo hospedaria se dirigem a um estábulo que, necessariamente, não era um local miserável como a fantasia da mente humana divulgou através dos séculos.
A manjedoura tem um símbolo ainda mais místico. Isaias profetizou: “Será conhecido entre dois animais”. Lucas comenta que Jesus foi colocado entre um boi e um jumento. Vejam aí o símbolo do corpo animal recebendo o espírito divino, a fagulha de Deus, uma vez que na manjedoura os animais se “alimentavam”. É uma analogia ao animal-homem que terá que se alimentar de idéias e através da sua intuição procurar os caminhos de sua evolução espiritual.
Evidentemente Belém - a “Casa do Pão” - era o local mais propício para a vinda de um espírito da envergadura de Jesus num ambiente fluídico adequado à sua aura luminosa e que trazia uma missão redentora para toda a humanidade, em séculos vindouros. E como assinala Lucas(1.39): “SEU REINO NÃO TERÁ FIM”.
Este artigo faz parte de uma palestra; a fonte pesquisada foi “Sabedoria do Evangelho”, de Carlos Torre Pastorinho, do grupo Editorial Spiritys, Rio de Janeiro, RJ, 1964
Texto revisado por Cris
|