NOSSA HISTÓRIA, NOSSA PRISÃO!por Vera Ghimel - veraghimel@oi.com.br e veraghimmel@yahoo.com.br
As experiências da vida deveriam apenas nos servir de aprendizado, mas nem sempre isso ocorre. Carregamos o fardo das mágoas, culpas, ressentimentos, ódios, rejeições, causados por elas.
Há algum tempo atendi um jornalista que não entendia a sua agressividade com os seus colegas de trabalho, principalmente, os que gozavam de sua amizade. Todas as vezes que ele convidava alguém da redação para um evento e a pessoa não comparecia, no dia seguinte ele demonstrava muita irritação. Uma dessas vezes ele acabou partindo para a agressão física, o que o trouxe ao meu consultório.
Em princípio, ele parecia ser muito calmo e gentil, daqueles que demoram a sair do sério. Logo de início captei uma imagem em seu campo de uma criança de cerca de 2 anos triste vendo uma mulher se afastando. Ao descrever a cena, imediatamente ele a identificou, contando que quando criança, sua mãe lhe dera um beijo e saíra sem dizer uma palavra. Após muitos anos, sem nenhuma notícia, essa senhora bateu em sua porta, sem nenhum aviso. Sua perplexidade fora total, pois como se nada tivesse acontecido e não houvessem passado todos esses anos, ela se apresentou como sua mãe e lhe informou que viera para conhecê-lo e aos seus netos. Ele me contou que ficou paralisado.
Entendi o que acontecera. Todas as vezes que alguém, principalmente os amigos, não apareciam nos eventos importantes de sua vida, ele reagia com a ira e a frustração que, provavelmente, o acompanhou durante todos esses anos. Era a mãe a quem ele queria agredir. Canalizei a imagem internalizada da mãe. Foi um diálogo muito intenso que quase que ele me bate, faltou pouco, permeado de tristeza e decepção pelo abandono sofrido. Tudo isso deveria estar bem escondido até o dia em que ela reapareceu em sua vida. Canalizei outras imagens, inclusive daquela criança de 2 anos de idade, para que toda a história pudesse ser reestruturada em outros valores e com uma nova perspectiva.
Ele saiu do meu consultório com outro semblante e acho que em paz!
Texto revisado por: Cris
|