Experiências de quase morte. Eu tive quase uma. - Leila Maia
 
Bookmark and Share

Experiências de quase morte. Eu tive quase uma.

por Leila Maia - leilacamaramaia@gmail.com

Curiosamente, sempre quis, mas nunca consegui escrever essa historia. Já tentei muitas vezes, nunca fiquei satisfeita. Desisto quase sempre no primeiro, no máximo segundo parágrafo. Isso, embora tenha sempre tido a convicção de que minha experiência deveria ser contada.
Hoje li aqui no STUM o artigo, interessantíssimo, aliás, de Acid sobre experiências de quase morte. Segui o link e vi o filme. Pronto. Foi a conta, algum “click” aconteceu e senti, ou melhor, intui que estava na hora. Intuição é assim mesmo. Vem na hora que você precisa.
Alguns relatos são muito parecidos com a minha experiência, inclusive o sonho profético que eu tive dias antes. Só que naquela época (já se vão quase vinte anos) não percebi o aviso. E não sei se poderia –ou deveria- ter evitado o que aconteceu depois. Já tive vários sonhos de aviso, e percebo que são importantes por que me lembro deles ao acordar, o que é raro. Mas por que será que nem sempre são claros? O último que tive me ajudou a acalmar minha cunhada: dias antes do meu irmão enfartar sonhei que minha mãe, morta em 1976 estava salvando alguém, num lugar de muita luz, só via ela e a outra pessoa, que hoje sei, era ele, o resto era luz. Quando soube que meu irmão enfartou, fiquei tranqüila, sabia que ele ia sair -e bem- da UTI, hospital, de tudo, enfim. E saiu. Mas não saberia avisar nem a ele nem a ninguém do que viria, e se avisasse, adiantaria? Mesmo por que eu não via a pessoa sendo salva, a cena estava muito longe. Em resumo: só soube que era ele depois do enfarte, aí tive certeza.
No meu caso, o sonho de aviso também foi com minha mãe, que não me deixava passar do alto de uma escadaria de mármore branco, me mandava voltar e aí o sonho acabou. Muita luz e claridade em baixo, não havia nada lá em cima. Cerca de dez dias depois, meu aneurisma –eu tinha um, mas claro, ninguém sabia- sangrou, com direito a início de descerebração (será esse o termo técnico?), coma e 10 horas de cirurgia. Sem contar os doze dias de UTI antes e mais uns dois depois da cirurgia.
E é aí que a coisa começa a ficar diferente, torna a minha uma quase experiência de quase morte. Por que foi uma experiência fora do corpo, sem dúvida, e com direito a testemunhas! Pior: eu só sei disso por que me contaram. E não dá prá duvidar da integridade de quem me contou. Claro, tive tempo de sobra para verificar a possibilidade da história, e hoje estou convencida de que aconteceu mesmo.
Foi assim: enquanto eu estava no hospital em coma, um grupo de colegas minhas se reuniu e começou a me mandar energia. Esse pessoal participava comigo de um grupo de estudos sobre energia e seus efeitos, e semanalmente praticávamos limpeza de aura, energização e outros trabalhos com energia, vários muito semelhantes aos que faço agora com meus clientes. Foi, na verdade, meu começo na área de tratamentos com energia.
Então, estive lá. Lá, no lugar onde o grupo estava reunido, enquanto os aparelhos preservavam meu corpo, fui conversar com elas. Sim, não havia homens no grupo, não nesse dia. E me queixei da dor. Dor? Até hoje não achei uma palavra que qualifique aquela dor. Acho mesmo que precisa ser inventada uma para descrever a DOR. Um dia ainda invento uma. Criei uma teoria: quem morre de aneurisma cerebral sangrando, morre para se livrar da dor. Aposto.
A conversa continuou, até que fui convencida a voltar para aquele corpo que estava me dando tanta dor. E, naturalmente, depois que voltei, voltei mesmo. Soube que logo depois desse episódio, saí do coma. Sem seqüelas, nem do coma nem da cirurgia, salve meus médicos, todos eles! O que sempre me incomodou é que de tudo que aconteceu só tenho memórias que defino como induzidas, imagens que se formavam na minha mente enquanto me contavam isso. São sempre as mesmas, e estão agora bem nítidas, como se fossem memórias minhas, autênticas. Vai ver são mesmo.
Aí está uma diferença importante; a maioria das pessoas no documentário, ou nos livros que andei lendo desde aquela época, se lembra de quase tudo. Eu não. Ainda me lembro de ter visto minha mãe, ao lado do médico, quieta, poderosa. Também me lembro da sensação de paz, da claridade e é só.
Mas há muita coisa em comum. Muita mesmo. Minha vida mudou depois disso; meus valores se reescalonaram e principalmente, agora tenho coragem para ser autêntica, para confiar na minha intuição, que trabalha em conjunto com meu coração, tenho a certeza íntima de que de fato, somos todos um, perdi o medo de morrer. Não, não quero morrer, amo a vida, gosto de viver e quero sim, continuar por aqui, vivendo e vivendo e vivendo! Só não tenho mais medo de morrer.
Se esse relato ajudou a você que chegou até aqui, então valeu a pena escrever. Se isso mostra que morrer não dói (naquele momento, o que doía era viver), melhor ainda.
Se, além disso você percebeu como é bom estar vivo, então valeu a pena escrever.


por Leila Maia - leilacamaramaia@gmail.com   
Psicóloga, Quantum Touch Certified Practitioner, Pranaterapeuta Atendimento com hora marcada pelos telefones (21) 9896 6320 (21) 9630 4363 e-mail: leilacamaramaia@gmail.com
Lido 240 vezes, 4 votos positivos e 0 votos negativos.   
E-mail: leilacamaramaia@gmail.com
Visite o Site do autor
Vote se você gostou deste Artigo!
Sim Não  

 
O conteúdo desta página é de exclusiva responsabilidade do Participante do Clube.
O Site não se responsabiliza pelas opiniões expressadas ou eventuais violações de direitos autorais.