Individuação e Tarot – o Jogo do Inconsciente  
   

Individuação e Tarot – o Jogo do Inconsciente

Autor Bruno W Calabria - brunocalabria@hotmail.com


Todos ansiamos pela realização total de nossas personalidades; buscamos nos tornar "nós mesmos". É a luta pelo ideal Socrático "conhece-te a ti mesmo". Uma das definições/descrições que a psicologia analítica de Jung cunhou para o processo foi: "... um processo de diferenciação, que tem por objetivo o desenvolvimento da personalidade individual...” (Jung, 1921, par.757-8)

Este impulso à auto-realização das nossas personalidades, segundo Jung, seria um instinto básico, do qual nenhum de nós tem como fugir. Assim, como numa "gincana psicológico-existencial", somos lançados ao turbilhão da vida, sujeitos a todo tipo de situações, que influenciarão a sorte deste processo: ambiente familiar, auto-imagem, bloqueios, medos, compulsões etc.

Questões de valores pessoais difíceis de se modificar influem e podem prejudicar a continuidade deste processo, resultando em toda sorte de bloqueios, auto-enganos, e quase sempre em neuroses.

É bom lembrar que “individuação” não é o mesmo que “individualismo”, pois o primeiro “deve levar a relacionamentos coletivos mais intensos e mais abrangentes e não ao isolamento (caso do individualismo)” (Jung, 1921, par 758)

O instinto de auto-realização, assim, atua ininterruptamente, durante toda existência, com intensidade variável e influencido por diversos fatores – inclusive neuroses.

E segundo Jung este processo tende se acentuar na segunda metade de nossas vidas, quando nos questionamos sobre os resultados da aplicação de nossa vontade consciente (libido): a busca por afeto, segurança, reconhecimento social etc.

E quando o questionamento vem, geralmente está associado a uma crise pessoal. É o momento em que se buscam novos horizontes pessoais, profissionais e afetivos, às vezes de modo radical: casamentos são desfeitos, muda-se de profissão, local de residência etc. 

É neste momento que buscamos orientação: quando a consciência esgota seus recursos. Quando, apesar da razão apontar uma direção, permanecemos em conflito: queremos certeza íntima.

Um sonho pode indicar o caminho; uma súbita inspiração (insight) e o acaso (sincronicidade) também.

Mas neste ponto eu quero falar do Tarot, que não por acaso é também chamado de “o jogo do inconsciente”, capaz de canalizar conteúdos inconscientes que, expressos através dos Arcanos e adequadamente interpretados, comunicam ao plano consciente elementos que traduzem o momento do individuo, lançando luz em seu processo de decisão.

Eles nos mostram, indicam e às vezes advertem, e este é o mistério, a beleza e a força do Tarot.




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Autor: Bruno W Calabria   
Psicoterapeuta Junguiano
E-mail: brunocalabria@hotmail.com
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Publicado em 20/11/2008
 

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